Terça-feira, 25 de Junho de 2019
ENTREVISTA

Com novo disco, Adriana Calcanhotto encerra trilogia iniciada há 21 anos

Com nove faixas, álbum ‘Margem’ foi gravado durante a turnê do show ‘A Mulher do Pau Brasil’



adriana_3F85C0C8-72F8-4703-A5D2-FF6545ED9854.jpg Leo Aversa/Divulgação
09/06/2019 às 08:16

“O mar, quando quebra na praia, é bonito, é bonito”, cantava o baiano Dorival Caymmi, mais um entre tantos poetas e compositores que se encantaram pela força e beleza das águas que banham a costa do Brasil. Essas mesmas águas vêm inspirando a cantora Adriana Calcanhotto nos últimos 21 anos, período em que ela lançou dois discos tendo o mar como símbolo principal - “Maritmo” (1998) e “Maré” (2008). Agora, a artista encerra sua “trilogia marítima” com o lançamento de “Margem”, que acaba de chegar às plataformas digitais.

Nas palavras de Adriana, os três álbuns explicitam sua paixão pelo mar, visto por ela como um espaço físico e ao mesmo tempo metafísico. “‘Margem’ encerra a trilogia, mas não o assunto, que a cada um dos discos revelou-se pra mim mais e mais urgente. Os oceanos não são mais os de vinte anos atrás e essa tragédia estava há muito anunciada”, comenta. O novo trabalho também chega em meio ao fechamento do ciclo do show “A Mulher do Pau Brasil”, que ela vinha apresentando desde o fim da sua experiência como professora convidada da Universidade de Coimbra, em Portugal.

Foi durante a turnê desse show no Brasil que “Margem” tomou forma, apesar de a ideia ser antiga. “Comecei a pensar nele logo depois do lançamento do ‘Maré’, meio que por inércia, porque eu tinha duas músicas que acabaram não entrando no segundo disco. Além disso, eu já tinha um nome para o terceiro, e quando vem o nome fica difícil disfarçar que tem um trabalho novo a caminho”, lembra a cantora. 

“‘O Príncipe das Marés’, do Péricles Cavalcanti, eu gravei na época e não gostei do meu canto, achei que não estava à altura da canção. ‘Os Ilhéus’, do Zé Miguel Wisnik e Antonio Cícero, também era pra ter entrado no ‘Maré’, mas não cheguei a gravar”.

Além dessas duas, o álbum traz as faixas “Tua” e “Era pra ser”, composições que Adriana deu de presente para Maria Bethânia gravar e que agora ganham primeiro registro na voz da autora. Também estão lá as desconstruídas “Ogunté” e “Meu bonde”, que flertam com o rap e o funk. 

Há ainda uma aura de renovação que atravessa o disco, aspecto latente desde o lançamento do clipe performático da faixa “Margem”, onde a cantora aparece cortando o próprio cabelo. Para ela, essa renovação é tanto pessoal quanto profissional. “É um processo constante porque é isso que é, isso que há, e é preciso”, afirma. 

“O tempo que eu tive para fazer esse disco também foi importante. Embora eu tenha feito milhares de outras coisas nesse período, ‘Margem’ foi sendo lapidado aos poucos, e foi um privilégio trabalhar assim, poder deixá-lo de lado e depois retomá-lo no tempo que fosse, porque não havia pressa”.

Proceso criativo

As sessões de gravação de “Margem” aconteceram em paralelo à turnê “A Mulher do Pau Brasil”, que Adriana fez na companhia dos músicos Bem Gil e Bruno Di Lullo, entre abril de 2018 a fevereiro de 2019. Nas voltas ao Rio de Janeiro, os três se juntavam a Rafael Rocha e imergiam no estúdio. Dessa vez, no entanto, a experiência foi diferente para a artista, que até então tinha outra relação com o espaço onde seus discos nasciam. 

 “Minhas primeiras memórias de sessões de gravação são de que aquilo precisa ser muito rápido, definitivo e acabar logo porque tudo é muito caro então vai-se para o estúdio sabendo-se o que se vai fazer, não é lugar para perder tempo pensando. Dessa vez aprendi muito mais ainda com Bem, Bruno e Rafa, que vão ao estúdio para experimentar sons, para microfonar, com toda a calma do mundo, vão ao estúdio fazer o que mais gostam”, revela. “O fato de já estarmos na estrada deixou tudo mais azeitado. Foi um processo mais relaxado, meio indolor. Quando vi, o disco já estava pronto”.

Ao mesmo tempo, durante a feitura de “Margem”, Calcanhotto experimentou um novo jeito de compor. Se antes o violão era o principal aliado da artista na hora de criar, agora as programações são uma ferramenta a mais. “Fiz quatro músicas a partir de programações. Isso foi uma espécie de descoberta para mim, porque posso soltar uma programação no laptop e fazer outras coisas enquanto aquilo está tocando, como pegar um livro, um café... É uma frequência diferente”.

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