Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
Vida

Com o Amazonas em segundo lugar no ranking, parto por cesárea preocupa médicos

Número de partos por cesariana ultrapassa média estabelecida pela OMS e aumenta casos de nascimentos prematuros no Estado



1.jpg Em Manaus a maioria dos partos é normal. Dentre as vantagens, a mãe pode cuidar do bebê sem ter a ajuda de outras pessoas
13/05/2015 às 10:52

A gravidez é um dos momentos mais importantes da vida da mulher, são nove meses de muita espera e expectativas, tanta coisa para organizar, providenciar, tudo deve estar pronto e perfeito para receber a criança que está a caminho.

E no meio de tantos afazeres e preocupações, a escolha do tipo de parto é, sem dúvida, um dos pontos que mais afligem a futura mamãe: cesárea ou normal?



Segundo dados do Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde (ANS), o  Amazonas é o segundo Estado da região Norte que mais realiza este tipo de parto, são 47%, o estado só fica atrás do Pará que tem uma média de 50%.

A cesárea, apesar de ser realizada com muita segurança por ser uma intervenção cirúrgica, apresenta muitos riscos tanto para mãe quanto para o bebê se comparado ao parto normal. Este tipo de parto aumenta o risco de infecções e hemorragias na mãe, e o risco de nascimento prematuro para o bebê, já que não é possível calcular com exatidão a idade gestacional.

A questão deveria ser discutida desde os primeiros meses do pré-natal, entre o médico e a gestante, mas segundo a Organização Mundial de saúde (OMS), a falta informação ainda é o principal fator do alto índice de partos feito por cesarianas no Brasil. De acordo com pesquisa realizada pelo órgão, o País é o recordista mundial de parto por cesáreas, só na rede pública eles representam 52% do partos realizados, enquanto na rede privada este número pode chegar a 90%, fato preocupante, já que o índice recomendado pela OMS é de apenas 15%.

Por isso o Ministério da Saúde e a ANS, que é a reguladora de planos de saúde no Brasil, desenvolveram projetos de incentivo ao parto normal.

A ideia é reduzir consideravelmente o número de cesáreas nas maternidades do País, aplicando-as somente quando houver risco para mãe ou para o bebê, como explica a Ginecologista e Obstetra do Hapvida Saúde Nelma Gonçalves: “Quando as condições clínicas materna e fetal não são favoráveis, a cesárea é indicada como nos casos de desproporção feto-pélvica absoluta, apresentações anômalas (pélvica, córmica, etc) e doenças maternas (Eclampsia, Cardiopatias, HIV)”.

Apesar de evitar a dor, recuperação é lenta

 O obstetra do Hapvida Saúde Lourivaldo Rodrigues lembra ainda, que apesar de evitar a dor no momento do parto, a cesárea apresenta um quadro de recuperação bastante lento e doloroso, além de limitar a mãe nos cuidados com o bebê.

“Quando o parto é por cesariana, a mulher não deve elevar a cabeça nas primeiras 24 horas, pois pode desencadear uma dor intensa – chamada de cefaleia pós-raque. Se isso acontecer, normalmente a mãe se arrepende por ter optado por esse procedimento, já que a evolução do pós-operatório não é tão salutar como no parto normal. E a relação mãe e filho também é diferente, pois, nesse caso, só será possível cuidar do bebê dois dias depois do nascimento”.

Parto normal é a melhor opção

Nos últimos dias, o nascimento da princesa Charlotte Elizabeth Diana, segunda filha do casal real William e Kate, pautou a mídia internacional e gerou polêmica, isso porque a Kate Midddleton e Charlotte receberam alta do hospital apenas algumas horas após um parto normal. A saída foi comemorada com muitas fotos e teve até direito a salto alto, o público ficou perplexo e muito se especulou sobre a real data do nascimento da princesa.

A rápida recuperação da duquesa chamou a atenção da sociedade e de profissionais da saúde e trouxe à luz um tema bastante atual, “o parto normal é a  melhor opção para a mãe e também para a criança”, comentou o obstetra do Hapvida Saúde Lourivaldo Rodrigues.

Pré-natal

Durante o pré-natal, se a gestante não apresentar nenhum problema, o parto normal é o mais indicado, ele reduz o risco de infecções e hemorragias para a mãe e evita problemas respiratórios no bebê, que ao passar pelo canal vaginal, o toráx da criança é comprimido, o que faz com que ela elimine o líquido amniótico das vias respiratórias.



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