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ENTREVISTA

'Comédia é difícil de fazer', diz a atriz Ana Lúcia Torre sobre novo filme

Ela está no elenco de "Um tio quase perfeito", estrelado por Marcus Majella, que está em cartaz nos cinemas 18/06/2017 às 05:00 - Atualizado em 19/06/2017 às 13:15
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Na trama, Ana Lúcia interpreta a avó Cecília (foto: Desirée do Valle/Divulgação)
Rosiel Mendonça São Paulo (SP)

A veterana do teatro e da teledramaturgia brasileira Ana Lúcia Torre, 72, inicia a entrevista desfazendo um equívoco que teve início não se sabe bem quando: ao contrário do que diz o verbete com o nome dela na Wikipédia, a atriz não nasceu em Manaus. Na verdade, ela é paulistana da gema, nascida no bairro do Belenzinho. “Já recorri a vários amigos, mas não tem Cristo que consiga modificar esse dado”, disse ela.

A reportagem teve a chance de conversar com Ana Lúcia durante o pré-lançamento da comédia “Um tio quase perfeito”, em cartaz nos cinemas de todo o País. No longa-metragem dirigido por Pedro Antônio, ela interpreta Cecília, mãe do protagonista Tony (Marcus Majella), um trambiqueiro que precisa passar uns dias cuidando dos sobrinhos que mal conhece.

Na trama, Cecília é quem faz a função de mediadora dos atritos entre Tony e a irmã dele, Ângela (Letícia Isnard), forçando a reaproximação da família. Mas o papel da “avó quase perfeita” passa longe do tradicional, a começar pelo figurino da personagem, que em algo remete à irreverência de Rita Lee, como Ana Lúcia admite. “Eu falei que queria algo diferente, não exatamente transgressor. Mas se pedissem para pintar o cabelo de azul, eu pintava”.

Ela conta que nem precisou ser convencida a entrar no projeto, bastou ler o roteiro do filme. “O que me chamou a atenção foi o perfil libertário dessa avó, que não chega a ser totalmente destrambelhada. Aparentemente, ela parece uma mulher sem noção, mas ela sabe exatamente o que faz. É uma pessoa livre, tão criança quanto os netos, mas com a compreensão do mundo proporcionada pela idade”.

Outro mérito do filme, na visão da atriz, é que ela não se perde na comédia. “É um filme que fala de família e das relações entre as pessoas. Acho que nesse momento em que nos encontramos não só no Brasil, mas no mundo, em que tudo se encaminha para extremos absolutos, acho que obras como essas fazem com que a gente resgate a aceitação das diferenças”, completa.

Cinema e televisão

Da Glorita Camargo (foto) de “Dona Xepa” (1977) à Dona Camélia de “Êta Mundo Bom!” (2016), Ana Lúcia Torre construiu uma carreira sólida na televisão, onde estreou após algumas experiências no teatro. A relação com o cinema, no entanto, foi um pouco tardia – ela já acumulava 26 anos de estrada quando apareceu pela primeira vez nas telonas.

“Gosto muito de cinema e sempre quis fazer, mas não conhecia ninguém no meio. Até que um dia a Tata Amaral me liga convidando para um filme com Laura Cardoso (‘Através da janela’, de 2000). Fui para o set completamente inexperiente e, no fim do dia, a Tata vem me dizer que parecia que eu estava em casa. Era exatamente isso: gostei tanto que ficava em delírio todo dia que tinha que filmar”, relembra a atriz.

De lá para cá, Ana Lúcia trabalhou com diretores como Sérgio Bianchi (“Quanto vale ou é por quilo?”), André Klotzel (“Reflexões de um liquidificador”) e Walter Lima Jr. (“Através da sombra”). Ela também aparecerá no longa “Bingo: o rei das manhãs” (com previsão de estreia para agosto), de Daniel Rezende, inspirado na história do palhaço Bozo.

O gênero da comédia no cinema não é bem uma novidade para a atriz, que estrelou “Reflexões de um liquidificador” na pele de Elvira, uma dona de casa que passa por um momento agitado na vida. “Era uma comédia séria, meio mórbida, mas adoro trabalhar com humor. Já fiz muito no teatro e, diferente do que as pessoas pensam, é uma coisa difícil de fazer”, diz.

Conforme a artista adiantou, o ano continuará agitado após a estreia de “Um tio quase perfeito”. Ana Lúcia está em cartaz em São Paulo numa peça ao lado de Ary Fontoura e já começou a ensaiar para a próxima novela das 21h da Rede Globo. “O outro lado do paraíso”, de Walcyr Carrasco, terá direção de Mauro Mendonça Filho e um elenco “extraordinário”, garante a “quase manauara”.

* O repórter viajou a convite da H2O Films

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