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Conheça o mundo e os personagens de 'O Hipnotizador', que estreia na TV esta semana

Recheada de suspense e carregada de uma atmosfera que remonta o melhor dos filmes noir, a produção internacional chega ao canal pago HBO nesta quarta (23) 17/09/2015 às 16:17
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A história de "O Hipnotizador" se centra em Arenas (Leonardo Sbaraglia, foto)
Lucas Jardim Manaus (AM)

Nova aposta do canal pago HBO no mercado latino, a série “O Hipnotizador” estreia na telinha nesta quarta-feira (23). Recheada de suspense e carregada de uma atmosfera que remonta o melhor dos filmes noir, a produção internacional é uma adaptação da história em quadrinhos homônima escrita pelo argentino Pablo de Santis, que também escreveu os roteiros do seriado.

“‘O Hipnotizador’ é a história de um homem, o Arenas, que chega numa cidade inominada, se instala num hotel de terceira categoria e vai trabalhar como hipnotizador num teatro de variedades decadente. A partir daí, em cada episódio, você tem alguém que se aproxima dele para resolver algum trauma de infância ou alguma questão usando a hipnose como instrumento para poder acessar esse lugar na memória que esse trauma foi instituído e que essa pessoa quer se livrar dele”, contou Alex Gabassi que, juntamente com José Belmonte, ficou encarregado da direção da série de oito episódios.

Ocultismo

O ideia de ter um hipnotizador como protagonista de uma história veio, segundo Pablo, do teor fantástico de uma revista em que ele trabalhou quando jovem. “Eu trabalhava numa revista de notícias e espetáculos chamada Radiolandia. Ela era muito popular, mas não era uma revista intelectual, e havia diversas notícias de pessoas do mundo do ocultismo, de parapsicólogos, astrólogos, todo este universo de poderes paranormais. [...] Quando comecei a escrever a história acredito que isso me trouxe um pouco deste mundo que eu conhecia através da revista”, disse Pablo.

Nela, Arenas (Leonardo Sbaraglia) é um hipnotizador atormentado por seu passado e por sua rivalidade com o companheiro de prática, Darek (Chico Díaz), que lhe condenou à insônia eterna. “Darek e Arenas são personagens que já nasceram nos quadrinhos e a rivalidade entre eles se sustenta como o eixo central, tanto da série quanto da história nos quadrinhos. Darek tirou o sono de Arenas, então trata-se da luta de Arenas para recuperar seu sono”, explicou o escritor.

'Ferido internamente'

Quem ficou encarregado de representar Arenas foi o argentino Leonardo Sbaraglia. O ator de 45 anos obteve destaque internacional recentemente ao compor o elenco de “Relatos Selvagens” (2014), indicado ao Oscar de Melhor Filme Estranheiro na cerimônia deste ano, e também já tem sua bagagem de séries latinas da HBO, tendo destaque na segunda temporada de “Epitáfios”, exibida pelo canal em 2005.

Para Leonardo, seu personagem é uma incógnita. “Ele é uma pessoa muito generosa, apesar de sua austeridade, inclusive, de sua capacidade de mostrar ou esconder suas emoções. Acredito que ele realmente se preocupa e se interessa pela humanidade nas pessoas. [Ao mesmo tempo], ele é um personagem doído, como se tivesse sido ferido internamente, mas não fosse capaz de reconhecer esta ferida e saber o que lhe causou. Ele está buscando esta resposta o tempo todo. [...] Isso é muito interessante nele”, comentou.

O ator contou que pesquisou sobre hipnose para compor seu personagem e que acredita nos benefícios da técnica. “Penso que não se trata de acreditar ou não, porque não é uma coisa mágica. O objetivo da hipnose ou de qualquer processo terapêutico é conseguir entender as causas e raízes daquilo que se foi apagado. Claro que não sou um expert no assunto, mas acho que toda ferramenta que ajuda o ser humano a entender melhor sua própria história, suas emoções e que o ajude a ter uma vida melhor, ajuda”, declarou.

A nêmesis

Encarnando a nêmesis de Arenas e principal antagonista da história está o veterano Chico Díaz, que conta com diversas produções brasileiras e estrangeiras no currículo. “Darek é um jovem médico ambicioso que, pela hipnose, sonha galgar novos degraus, no âmbito social e na comunidade científica acadêmica mundial, e se defronta com uma força tão forte quanto ele [Arenas]”, disse o ator.

Díaz declarou que compôs, juntamente com os diretores e roteiristas, um personagem mimado, cheio de caprichos e levado ao extremo por suas ambições. “Em sua busca de tentar crescer, dominar, manipular e de ter poder. Então, ele procura meios perversos de poder, o que não era originalmente a ideia”, explicou.

Bilíngue, quadrinesca, atemporal e onírica

Contando com talentos de vários países, “O Hipnotizador” é bilíngue até em cena, o que a separa da maioria das produções latinas. “Isto é uma oportunidade única para todos e é muito inteligente da HBO porque nos coloca juntos, falando qualquer idioma e estamos certos que nos entendemos. [...] Às vezes, eu fico assim: ‘Cara, um falando em português, outro falando em castelhano, como se dará a cena?’ Mas resulta. Pior que dá certo”, detalhou Chico.

O clima sem tempo definido de “O Hipnotizador”, chamado apenas de “entreguerras” pelos realizadores), acabou levando as filmagens para a charmosa capital do Uruguai, Montevidéu. “É uma cidade preservada, em que é possível imprimir a época que precisávamos. Por exemplo, os postes são de época, há casarões de 1930, com fachada preservada, bem cuidada”, disse o produtor Rodrigo Teixeira, brasileiro que tem emplacado diversos projetos de sucesso no exterior.

Rodrigo disse que a HBO partilhava das mesmas referências que os realizadores tinham para “O Hipnotizador”. “A gente citava até uma série que a HBO produziu, que é a ‘Carnivàle’. Ela tinha elementos da ‘Carnivàle’ que nos levavam para esse universo. São séries completamente distintas, mas era uma referência. Filmes de época, como ‘[A Invenção de] Hugo Cabret’, ‘Cidade das Sombras’. A gente também tinha uma referência muito David Lynch, pela estranheza dos personagens, steampunk e Julio Verne”, enumerou o produtor.

Em particular, a natureza de quadrinho do material-base influenciou muito a série. “O quadrinho foi uma inspiração muito forte, não só pelos traços, mas o texto é bem preciso. Ao longo do desenvolvimento dos roteiros, a gente voltava para os quadrinhos para ver o que estava sintetizado, o que era importante dizer e qual era o coração da ideia”, explicou o diretor Alex Gabassi.

Por fim, a hipnose e sua ligação com o mundo dos sonhos deu o toque final no canvas fantástico da série. “O universo dos sonhos, da memória, delírios, a hipnose em si [é fascinante]. Na série, não usamos nenhum fundamento científico em relação à forma como exploramos a hipnose. Foi simplesmente de um jeito literário”, contou Alex.

Leonardo Sbaraglia, protagonista da empreitada, deixa a dica: “Acredito que a série terá uma linguagem bem complexa, quase existencial e misteriosa, e ao mesmo tempo, no delicado limite entre realidade e fantasia, como se estivesse no limite entre uma dimensão e outra. Como se os sonhos pudessem se misturar com a vida cotidiana”, concluiu.

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