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DIA DO ROCK

Contrariando estigmas, roqueiras manauaras conquistam espaço e fazem história

Em um cenário dominado por homens, elas vem ganhando mais espaço e reconhecimento musical. Saiba mais sobre algumas das protagonistas deste momento 13/07/2018 às 15:33 - Atualizado em 13/07/2018 às 15:36
Show capturar
Jéssica Furtado é o rosto e o nome da banda JezzRock (Foto: Divulgação)
Maria Paula Santos Manaus (AM)

O rock sempre foi visto como algo viril e másculo pelos homens. Alinhado a bordões como "sexo, drogas e rock'n'roll" o genêro basicamente não tinha espaço para mulheres, pelo menos não com destaque nos palcos e nem com a mesma quantidade. Os tempos mudaram, o feminismo ganhou espaço, e as mulheres reividicam seu lugar, mas isso ainda não significa que seja fácil.

"Ser mulher nesse mundo do rock é acima de tudo ter coragem e atitude, afinal o rock é atitude. Ter coragem pra enfrentar alguns preconceitos dos que definem o que é 'moral e dos bons costumes' ou do tipo 'mulher não devia estar fazendo isso'. Acho que tudo se resume a respeito, eu sinceramente vivo livre e leve, esse tipo de comentário não chega a me ofender, pois eu sou uma profissional que faz o que ama e consegue pagar todas as contas. Sou uma mulher independente", comenta a vocalista da banda JezzRock, Jéssica Furtado.

Ter mulheres ocupando posições que, em senso comum deveriam ser de homens, e ainda terem sucesso nessas funções é algo que grandes nomes como Cássia Eller, Rita Lee, Pitty, The Runaways, que revelou Joan Jett, e Janis Joplin  enfrentaram ao longo de suas carreiras, seja de contratantes ou até mesmo do público. Em Manaus não é diferente, o cenário do gênero musical marcado por solos de guitarras, exibe mulheres que estão fazendo história.

Atitude

Bianca Caggy, vocalista da banda High Voltage, em seu primeiro show teve que enfrentar uma casa lotada e as coisas não foram fáceis: "Com uma pegada mais pin up, ou como chamavam, de ‘mulherzinha’, os comentários foram bem ofensivos e quase pensei em desistir. Porém, eu cresci numa família de roqueiros, era o estilo que eu amava e não importa se eu estava de salto alto e isso não agradava muitos, eu era mulher e iria insistir no rock sem deixar de ser feminina", revela.

"Diferente da minha primeira banda, com mais experiência agora, não sofro preconceitos e muito pelo contrário, creio que graças a mim e outras poucas meninas que metaram a cara uns anos atrás no cenário de rock das noites manauara temos aí várias bandas compostas por mulheres e que vivem somente da música, ou tem outra profissão paralela, estudam, algumas mães e também casadas, e ainda assim fazem rock. Já temos nosso espaço e não há nada para nos impedir de crescer cada vez mais. Rock é uma cultura e um estilo de vida que você decide seguir ou não, e só acompanha quem aguenta", brinca Bianca.

O Poder Das Mulheres

Silvana Azulay é guitarrista em três bandas distintas e revela não sentir diferença de seus companheiros de palco, mas quando o assunto é a banda composta só de mulheres, chamada Lótus, a diferença que mais sente vem do público e dos contratantes.

"No início da banda e até hoje, mas com menos frequência, era comum as pessoas ficarem de braços cruzados na frente do palco, dando para ver nitidamente em suas feições que estavam apenas no aguardo para avaliar a banda de meninas que ainda iria iniciar o show. Isso costumava gerar muita tensão mas, com o tempo e com a recepção positiva do público, é algo que não nos afeta mais. Já tivemos problemas com contratantes também e temos que constantemente nos impor para que sejamos levadas a sério. Em relação ao assédio, acredito que toda mulher em qualquer meio já sofreu, e nós também já passamos por algumas situações chatas do tipo".

No Meio Deles

A Banda Berserkers Viking Riders é conhecida por ser um grupo formado por motoqueiros, e Bianca Correia é a única mulher entre eles. "Os meninos respeitam muito o meu trabalho, eu que fecho os shows, organizo a agenda da banda e monto o repertório, claro que sempre contando com o apoio dos outros integrantes. Me sinto realizada podendo trabalhar com o que eu amo que é o rock e os motociclistas sempre tem apoiado o meu trabalho".

Bianca relata nunca ter sofrido preconceito nem pelos colegas de trabalho, nem pelo público que a ouve, mesmo assim reconhece a falha de alguns: "falta mulheres nesse cenário devido à aceitação tanto do público quanto das casas de shows de rock. Acredito que basta as mulheres darem o primeiro passo para a realização dos seus sonhos e daquilo que acreditam, pois o lugar da mulher é onde ela quiser estar".

Vozes Das Mulheres

Jessica Furtado – Vocalista Jezz Rock
@jessfurtado / @jezzrock

"O começo da minha carreira foi uma turbulência, tudo muito rápido, considero que foi quando decidi seguir com um projeto meu. Quando nasceu a JezzRock, tive a sorte de ter na banda de cara, os melhores profissionais de Manaus, e um que veio de Curitiba pra viver esse sonho comigo. Hoje em dia posso dizer que sou muito mais madura profissionalmente, posso dizer o quanto aprendi que o profissionalismo é a chave do sucesso, mas o caminho na música é longo e cheio de pedras, mas de vez em quando a gente para, sente a música, e continua".

Bianca Correia – Baixista
@biabass / @berserkersvr

"Nasci em uma família de músicos, e desde de criança sou apaixonada pela música. Me formei bacharel em contrabaixo acústico, o que abriu novas portas pra mim, já toquei em várias orquestras entre elas Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica, Orquestra Sinfônica de Manaus e Orquestra de Câmara da UEA. Em 2013 fui morar em Gênova/ Itália, para me especializar em Contra baixo elétrico, ao retornar para Manaus recebi o convite da banda Berserkers Viking Riders, que toco até hoje".

Silvana Azulay – Guitarrista
@silvanaazulay / @bandalotus

"Meu primeiro contato com o cenário musical do rock foi em 2012, com a banda Lótus. Na época eu havia conhecido algumas integrantes que já estavam neste meio, mas eu ainda estava iniciando. E desde então, estamos na luta. No decorrer desses anos, tive a oportunidade de conhecer e tocar em várias cidades e Estados diferentes, assim como participar de grandes festivais e eventos a nível nacional. Sou muito grata por tudo. Atualmente eu toco na Lótus, na banda Overload e na banda Black Jack".

Bianca Caggy - Vocalista
@biancacaggy2 / @bandahighvoltage

"Iniciei minha carreira cantando em competições de karaoke que existiam anualmente na cidade. Numa dessas foi postado em rede social um vídeo no qual eu cantava "You could be mine" do Guns'n'Roses. Não demorou muito para surgir um convite para formar minha primeira banda de rock aos 18 anos. Hoje com 23 anos tenho a música como minha profissão. Trabalho atualmente como vocalista na empresa Melody Músicos Profissionais, faço parte do trio de vocal da The Marcianas (banda Disco), trio acústico com os meninos da Physis, trabalho autoral com o guitarrista e compositor Jean Rothen e minha banda principal, a High Voltage".

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