Quinta-feira, 02 de Julho de 2020
Dança

Coreógrafo amazonense realiza oficina de boi-bumbá em Fortaleza (CE)

Wilson Júnior ministrará a oficina "Boi de Quilombo", com intuito de mostrar o trabalho corporal realizado pelos itens individuais do Festival Folclórico de Parintins



1570571_6A8981D1-166A-4A5F-98F1-30C055EC6090.jpg Foto: Dheysson Lima e João Paulo Castro
11/02/2020 às 10:41

Dançarino profissional desde 2005, o coreógrafo amazonense Wilson Júnior traçou como meta para 2020 a difusão das danças do boi-bumbá de Parintins e afro-contemporânea. O 'pontapé' da resolução é dado a partir desta segunda (10), em Fortaleza (CE), com sua participação no projeto "Dança Compartilhada" do Instituto Katiana Pena.

Formado em dança pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Wilson Júnior ministra a oficina "Boi de Quilombo", com intuito de mostrar o trabalho corporal realizado pelos itens individuais do Festival Folclórico de Parintins, evidenciando a atuação dentro do bailado e na coreografia mais cênica.



"O ponto diferenciado é que, além de mostrar os movimentos característicos de cada item, tento incluir elementos da dança afro-contemporânea e um pouco de jazz. É um mix de cultura popular", pontua.

Gratuita e direcionada para bailarinos, a oficina é dividida em dois grupos: um de sete a 15 anos e outro a partir desta faixa etária até os 35 anos de idade. "As dinâmicas têm variações. No grupo a partir de 15 anos, por exemplo, são desenvolvidas sequências mais elaboradas, de até dois minutos", destaca, ressaltando que, além de ensinar os valores da cultura popular através do boi bumbá de Parintins, explanando a influência da comunidade negra, a oficina conta com um trabalho grandioso de memorização.

O bailarino - que já se apresentou em lugares como Santa Catarina (RS), Belém (PA) e Boa Vista (RR) - comenta que levou a proposta para diversos municípios do interior do Amazonas, mas esta é a primeira vez que ela atravessa as barreiras de água doce e é ministrada fora do Estado. "A intenção é começar pelo Nordeste e depois direcionar este trabalho para o resto do Brasil", salienta.

Boi de Quilombo

O projeto, de iniciativa do coreógrafo natural de Manaus, nasceu a partir de sua atuação junto ao Boi Caprichoso. "Durante os dois anos em que fiz parte do quadro de coreógrafos do Caprichoso, fiquei responsável pela inserção da dança afro no Festival. Essa junção deu muito certo. A partir daí, comecei a fazer pesquisas, estudar mais um pouco e desenvolvi a oficina", explica.

Depois da criação da propositura, ele precisava de um nome que evidenciasse os dois movimentos. Com a contribuição da artista plástica amazonense Laura Dourado, chegou ao "Boi de Quilombo".

A oficina tem um repertório totalmente voltado às toadas dos bois Caprichoso e Garantido com projeção da cultura africana. O carro chefe do projeto é a toada "Boi de Negro" (do Caprichoso). Wilson Júnior também utiliza outras canções com a temática afro, como "As Cores da Fé", "Terra Mãe ancestral", "Consciência Negra". Além disso, inclui toadas referentes aos itens do Festival, como "Deusa Cunhã", "Pandré" e "Favorável Sentença", finalizando com músicas consagradas do boi-bumbá, como "Vermelho" e "Tic tic tac".

De acordo com o dançarino, após a participação em Fortaleza, a Oficina está prevista para acontecer em outros locais da região Nordeste, como Maracanaú (CE), Recife (PE) e Maceió (AL).

Saiba mais

O Insti-tuto Katiana Pena é uma organização sem fins lucrativos, com o objetivo de atender e defender os direitos da criança, do adolescente, do jovem e seus familiares, utilizando a arte e cultura, sobretudo a dança, como estratégia pedagógica. Wilson Júnior promove a nona oficina do projeto.

Perfil: Wilson Júnior

Natural de Manaus, o coreógrafo possui 20 anos de carreira artística. Iniciou profissional-mente a dedicação à dança em 2005, quando passou a integrar o Balé Folclórico do Amazonas, grupo no qual permaneceu por oito anos. Formado em dança pela UEA, tambem é membro do Conselho Internacional de Festivais Folclóricos e Artes Tradicionais (CIOFF Brasil) e fundador da Instituição Cultural Arte Sem Fronteiras, que, neste ano, completa 12 anos de atuação no processo formativo em dança no Estado, com um trabalho direcionado a cultura popular. A companhia já participou de vários eventos, como o Festival Folclórico do Amazonas e o de Parintins (pelo Boi Caprichoso) e de Dança de Joinville.

Repórter

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