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Coreógrafo francês prepara espetáculo que terá a participação de bailarina e músico de Manaus

Francis Baiardi, diretora da cia. Contém Dança, e o músico Eliberto Barroncas foram convidados para participar do novo espetáculo de Patrick Servius 27/03/2015 às 15:02
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Francis Baiardi participa de intercâmbio com a companhia do francês Patrick Servius
ROSIEL MENDONÇA Manaus (AM)

Desenvolver uma “palavra universal” a partir do encontro de três artistas de diferentes identidades é o que o coreógrafo francês Patrick Servius ambiciona com seu próximo trabalho. Batizado de “Rizomas”, o espetáculo de dança contemporânea vai reunir as bailarinas Francis Baiardi, diretora da Contém Dança, de Manaus; Mariyya Evrard, nascida em Madagascar e radicada na ilha francesa de La Réunion, na África; e Agnès Pancrassin, parisiense com origens no Vietnã. A trilha sonora será do músico amazonense Eliberto Barroncas, do Raízes Caboclas, capoeirista e artífice de instrumentos.

A previsão é que o trabalho estreie no primeiro semestre de 2016, em Marselha, sede da companhia de Servius, a Le Rêve de la Soie. De passagem pelo Amazonas para participar de um ateliê de criação com a Contém, ele explicou que “Rizomas” dá sequência à sua pesquisa sobre identidades e como elas se expressam na dança. 

“Identidade é o que as pessoas carregam consigo, é o resultado de uma história. A ideia de rizoma remete ao jeito particular de uma raiz se relacionar com outras raízes. Então, na verdade, esse trabalho é uma maneira de falar de como essas bailarinas vão mudar a partir do contato com as outras e como as ideias vão viajar entre elas”, explica ele, que em 2013 participou de outro intercâmbio com a Contém Dança, em Manaus e Marselha, para a produção do espetáculo “Presenças”.

CAMINHOS

Segundo o coreógrafo, interessa a ele que os bailarinos entrem no palco menos como intérpretes de movimentos e mais como seres humanos. “A dança que vai sair é o resultado, não o objetivo. O objetivo é escutar dentro de você mesmo. Depois vem a prática do bailarino”, acrescenta. “Quero trabalhar com pessoas que não se preocupam com o que vai sair. A Francis tem essa qualidade e por isso volto a trabalhar com ela. É uma pessoa bem sincera na sua pesquisa”.

Para Servius, “Rizomas” será especial porque vai criar uma rede de artistas que “podem se ajudar, se acolher”. “Manaus é uma cidade muito diferente de Marselha, mas as dificuldades são parecidas. Assim como aqui se tem uma percepção da África, quando falo na França que trabalho com artistas amazonenses que têm essa história de encontro entre brancos, negros e índios, eles imaginam logo que são índios morando na floresta. Mas na verdade são pessoas que tem somente uma história diferente”.

E completa: “É isso que quero mostrar. Nós moramos longe uns dos outros, mas a vida é muito parecida. É preciso ser capaz de se encontrar e se escutar, esquecer um pouco da própria identidade para abraçar o outro. Serão três mulheres, três caminhos... mas também não posso contar tudo, tem alguns segredos”, finalizou.

EXPERIÊNCIA

“A última residência e a estreia serão em 2016, mas a investigação já está acontecendo, por isso o Patrick veio fazer experimentos em Manaus, inclusive usando textos e falas”, explica Francis Baiardi, que em outubro embarca para a ilha de La Réunion para a segunda etapa do intercâmbio. Nessa viagem, a diretora da Contém Dança também apresentará o seu solo “Dinahí”.

“Sou a mais velha das três bailarinas, e isso para mim é um desafio. Aos quase 40 anos poder colocar meu corpo em diálogo com mulheres de outras partes do mundo é um presente. É como se eu renascesse para dançar com essa outra energia”, comenta. 

Ela agora pretende correr atrás de patrocínios para garantir que a residência final, com a presença de toda a equipe, e a estreia aconteçam em Manaus. “Seria maravilhoso para a cidade ter esse grupo de artistas internacionais por aqui, oferecendo workshops e contribuindo para a dança contemporânea local”.

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