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'Correio Feminino' traz conselhos escritos por Clarice Lispector

Com direção de Luiz Fernando Carvalho, série estréia neste domingo (27) no Fantástico e terá no elenco as atrizes Maria Fernanda Cândido e Alessandra Maestrini e as modelos Luiza Brunet e Cintia Dicker 27/10/2013 às 10:10
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Escrita por Maria Camargo com a colaboração de Carla Madeira, a série terá oito episódios
ZEAN BRAVO/O GLOBO Manaus (AM)

O diretor Luiz Fernando Carvalho afirma não ter “dúvida nenhuma”: o universo feminino é mais rico do que o masculino. Depois de se dedicar ao assunto em “Afinal, o que querem as mulheres?” (2010) e “Suburbia” (2012), seus últimos projetos para a Globo, é sobre elas que ele volta a falar em “Correio feminino”. Criada a partir das colunas escritas por Clarice Lispector (sob o pseudônimo de Helen Palmer) entre as décadas de 1950 e 1960 para os jornais da época, a série estreia hoje à noite no “Fantástico”.

As atrizes Maria Fernanda Cândido e Alessandra Maestrini e as modelos Luiza Brunet e Cintia Dicker são as estrelas da atração. Ao fotografar para a capa desta edição da Revista da TV, elas vestem novamente o figurino retrô criado por Luciana Buarque e Thanara Schönardie. Nas fotos, o quarteto foi dirigido pelo próprio Luiz Fernando, que, ao final do ensaio, posa entre elas com os óculos com armação de coração usados em cena por Cintia – iguais aos da Lolita de Stanley Kubrick.

À vontade entre elas, o diretor diz ter sido sempre marcado e instigado pela presença feminina nos “pontos de mudança” de sua vida. E enaltece a figura da mulher. “Talvez pela proximidade de gerar uma vida, as mulheres têm uma coragem maior de criar que os homens”, declara Luiz Fernando.

“Eles estão estabelecidos por dogmas, marionetados por sermões. A mulher tem a linguagem do invisível, do corpo, dos afetos, da imaginação, do silêncio, e das entrelinhas. As mulheres buscam uma dúvida, quebram paradigmas. Esse formato de enquadrar tudo num mesmo modelo é masculino”, compara o diretor.

Três gerações

Escrita por Maria Camargo com a colaboração de Carla Madeira, a série, em oito episódios (com mais ou menos dez minutos de duração cada um) fala para três gerações. Maria Fernanda Cândido vive Helen Palmer. Ela é a narradora, mas só aparece de costas. E dá conselhos – sobre beleza, moda e sedução – às personagens de Luiza Brunet (a mulher madura), Alessandra Maestrini (a mulher jovem) e Cintia Dicker (a adolescente).

Só a voz de Maria Fernanda é ouvida. As outras três mulheres interpretam o texto sem fala alguma. As frases que seriam ditas pelas personagens são escritas em cartelas, como no cinema mudo. Mesmo sem diálogos, as atrizes surgem no vídeo carregadas de emoção.

“Se elas não trabalhassem com a coragem de criadoras nada teria acontecido”, reforça o diretor, que gravou todas as cenas da atração em uma semana.

Universo feminino

Apesar de se distanciar do texto literário de livros como “A paixão segundo G.H.”, Clarice também se revelou ao escrever como Helen, dona de um vocabulário mais direto.

“Atrás de uma aparente superficialidade há uma profundidade. O que Clarice nos propõe nas entrelinhas é justamente um encontro com você mesma. Ela não destrói os ideais de felicidade. Diz: trabalhe, tenha seus filhos e seu amor. Mas, acima de tudo, encontre-se com você mesma para entender se está apenas seguindo o fluxo do que te é imposto”, defende Maria Fernanda.

Casada e mãe de dois filhos, a atriz de 39 anos diz viver o dilema de toda mulher contemporânea. Ela não acredita que as feministas irão reclamar do tom dado ao programa.

“Só se elas não prestarem atenção ao que está sendo dito. Não acho que as feministas tenham algo contra a tomada de consciência da mulher”, argumenta a atriz, que está voltando ao ar depois de ter feito uma participação na novela “Lado a lado” (2012).

Para Luiz Fernando, a temática do “Correio feminino” e da série continua atual. “Essas questões não se esgotam... O que é o amor? Os mistérios do sexo...”, lista ele.

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