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Cozinheira Charufe Nasser lança livro que une receitas, lendas e versos

"Banquete de Lendas" é o segundo livro da carreira. A obra vai ser lançada nesta terça (9) no Centro Cultural Palácio Rio Negro 08/05/2017 às 12:08 - Atualizado em 08/05/2017 às 12:38
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(Fotos: Antonio Lima)
Laynna Feitoza Manaus, (AM)

“O cozinheiro é um feiticeiro, um alquimista. Eu acredito que a cozinha é um laboratório. Se você pegar todas as receitas e der o mesmo material [tempero] para várias pessoas, [o prato] não vai sair igual”, declara a cozinheira Charufe Nasser. Às vésperas do lançamento do livro “Banquete de Lendas” – escrito com receitas, lendas e versos em parceria com Liduína Moura - ela quer, com ele, ajudar as pessoas a ganharem dinheiro e a despertarem as criadoras dentro de si mesmas.

“Espero que as pessoas não sigam, mas que criem em cima das minhas receitas, porque não vai sair igual. Este livro não é um livro didático, mas um livro experimental”, pondera Nasser. Publicado pela gráfica Grafisa, o livro de 140 páginas traz receitas de pratos amazonenses – e não amazônidas, ela faz questão de frisar – onde cada um dos pratos é acompanhado de uma lenda amazônica e de belas imagens da Amazônia, clicadas pela fotógrafa Gisele Alfaia, além de versos de alguns intelectuais, como os do poeta Luiz Bacellar.

Charufe inspirou-se na própria história de vida para escrever o livro. “[Um dia] eu dormi rica e acordei pobre. Então pensei: ‘O que vou fazer da minha vida agora para ganhar dinheiro’? Fui pra Praça da Polícia, botei uma banquinha e fui vender kibe, que era o que eu sabia fazer. Tempos depois, escrevi meu primeiro livro, ‘A Sultana do Seringal’, uma autobiografia romanceada, resgatando a história da sociedade dos anos 50, 60, 70 até hoje. E me cobraram: ‘Charufe, por que tu não faz um livro de receitas?’ Me pediram para fazer árabe, mas já tem muitos livros de culinária árabe”, conta ela.

Nasser destaca que viu muitos chefs poderosos do Brasil vindo para Manaus e contrariando a direção total da nossa gastronomia. “Inventando coisas que não existem. Decidi então fazer esse livro de receitas caboclas, contando como é a nossa comida”, coloca. Para construí-lo, a cozinheira chamou a escritora Liduína Moura. “Porque programei assim: ‘Banquete de Lendas’. Então eu peguei a imagem do pirarucu feita pela Gisele; a lenda do pirarucu feita pela Liduína, que é uma mestre em lendas; e a receita do pirarucu. Com o tucumã e açaí fiz a mesma coisa”, assegura.

Marcante

Questionada sobre o prato com maior significado em sua vida, ela arrepia-se ao falar da tartaruga. “Fui presa por causa da tartaruga. A pessoa que me vendia tartaruga foi pega com 59 tartarugas e, na hora que o fiscal pegou ele, ele disse para o fiscal que as tartarugas eram minhas. E não eram minhas. A Polícia Federal entrou aqui, invadiu, tirou tudo do meu guarda-roupa. Até dentro das descargas eles procuraram”, relembra Nasser.

Para Charufe, a tartaruga é um prato usual em todas as casas do Amazonas. “Antigamente, não tinha um aniversário que não tivesse tartaruga, era hábito. Meu pai era seringalista e trazia 300 tartarugas no motor dele. Lembra minha infância, minha juventude. Colocamos no nosso livro tópicos sobre o manejo da tartaruga, como tem que ser feito, e tudo como eu faço. Porque agora eu sou licenciada, mas eu só posso vender comprando e justificando com nota fiscal e o selo do viveiro”, comenta a cozinheira.

Charufe assegura que a gastronomia cabocla é feita de cheiro verde, chicória, cebolinha, alfavaca e salsa – quando se quer dar uma sofisticada no prato - e cita o coentro, a chicória e alfavaca com temperos indispensáveis da culinária do Amazonas. “O meu marido diz que usamos coentro em tudo, na galinha, no feijão... o nortista usa cheiro verde em tudo e dá um sabor maravilhoso. O coentro é um tempero que marca. Não pode existir a tartaruga sem coentro, chicória e alfavaca. Esses temperos aguçam o sabor da tartaruga e do peixe. Uma caldeirada sem coentro não termina, fica pela metade”, completa.

Serviço

o quê: Lançamento do livro "Banquete de Lendas", de Charufe Nasser e Liduína Moura

quando: Amanhã (9), às 18h (pontualmente)

onde: Centro Cultural Palácio Rio Negro (Av. Sete de Setembro, 1546, Centro)

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