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Literatura

Criador da Flipobre, Diego Moraes participa da Festa Literária de Paraty - FLIP 2016

Amazonense é um dos escritores convidados do Ciclo Páginas Anônimas da FlipZona, programação paralela do encontro voltada ao público jovem adulto 21/06/2016 às 16:29 - Atualizado em 21/06/2016 às 16:50
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Diego Moraes conversa com os também escritores Márcio do Coqueiral (SE) e Jéssica Oliveira (RJ), em bate-papo mediado por Marçal de Aquino
Jony Clay Borges Manaus

O amazonense Diego Moraes é um dos escritores convidados da Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP 2016, que acontece entre os dias 29 de junho e 2 de julho, na cidade histórica do Rio de Janeiro. Ele irá participar de um dos bate-papos do ciclo Páginas Anônimas, na sexta-feira, dia 1º de julho, do meio-dia às 13h, dentro da FlipZona, programação paralela da FLIP voltada ao público jovem adulto.

Moraes será um dos participantes da mesa “Páginas Anônimas: Romance Periférico”, ao lado dos também escritores Márcio do Coqueiral (Aracaju) e Jéssica Oliveira (Rio de Janeiro). O bate-papo terá mediação de Marçal de Aquino,  jornalista e escritor, além de roteirista de filmes como “O invasor”, “Ação entre amigos” e “Nina”. O encontro será na Casa da Cultura, no Centro Histórico de Paraty.

Diego Moraes estreou na literatura em 2008, com o livro de contos “Saltos ornamentais no escuro”, ao qual se seguiram outros cinco títulos, entre eles “A fotografia do meu antigo amor dançando tango” (2012), “A solidão é um deus bêbado dando ré num trator” (2013) e “Um bar fecha dentro da gente” (2015). Este último, publicado pela editora lusitana Douda Correria, foi apontado pela crítica como um dos melhores lançamentos em Portugal  em 2015.

“Acho que o tema da mesa se encaixa perfeitamente comigo. Construí uma carreira à margem. Vim da sarjeta, do underground, e hoje sou reconhecido até do outro lado do Atlântico”, declarou o amazonense à reportagem.

Surpresa

Moraes conta ainda que ficou surpreso ao receber o convite para participar da FlipZona, feito pela produtora Carina Martins, da Rede Globo, apoiadora da programação. É que o escritor amazonense é também o criador da Flipobre, encontro literário online cuja proposta é a de reunir escritores que não encontram espaço em eventos de grande porte – como a FLIP. Apesar disso, ele recebeu o convite de braços abertos.

“Já fui muito radical em relação à literatura. Hoje em dia, vejo que participar de feiras e outros eventos só ajuda a ganhar novos leitores – coisa dificil no Brasil, já que vivemos num país onde boa parte (da população) é analfabeta e nunca leu um livro. Eu mudei minha política: agora vou aonde estão os interessados em saber sobre livros e literatura, não importa se é na periferia ou no Leblon”, declara ele.

Moraes hoje se diz mais interessado em escrever e em ser lido. “Quero ser lido e viver de literatura. E não me importo mais com plataformas. Quero ser reconhecido pelo que faço”, assinala o escritor.

É com essa disposição que Moraes atualmente trabalha em seu primeiro romance. A obra, ainda sem nome, deverá ser publicada no próximo ano pela editora Record – com a qual ele tem contrato para lançar também um livro de contos. A participação no evento em Paraty, ele espera, pode dar uma dose extra de inspiração. “Irei rever amigos e pensar no meu romance”, diz. “Conhecer uma cidade nova com cachaça e rio nos enche de lirismo e tesão de escrever”.

‘Flipobre’

A Flipobre teve duas edições, uma em 2014 e outra no ano passado. A brincadeira com a FLIP, que seria a versão “rica” do encontro, vinha de um certo rancor de Moraes com eventos do gênero, como ele mesmo confessa.

“Eu tinha uma ideia errada, retrógrada e infantil de que nesses ambientes não se falava de literatura, que eles só existiam para desfile de moda. Com o tempo entendemos que não é bem assim, que é na verdade uma forma de aproximar o leitor do autor. Ainda mais nos tempos de Internet: hoje em dia o leitor não quer só comprar o livro, mas ganhar autógrafo e tirar foto para postar no instagram”, afirma.

Já sem o viés de confronto, portanto, o encontro deverá ter sua terceira edição este ano, em novembro ou dezembro. O evento deve manter o formato de debates realizados ao vivo, por meio do Youtube, via Hangouts (plataforma de conversas coletivas com recursos de texto, áudio e vídeo).

“O grande barato da Flipobre é mostrar novos autores que estão produzindo, mesmo residindo em lugares distantes do eixo Rio-São Paulo”, destaca Diego Moraes. A proposta, ressalta o criador do encontro, é “debater com eles a literatura contemporânea e criar laços de amizade, fortalecer o trabalho independente que eles produzem, publicando por editoras pequenas ou por conta própria”.

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