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Crianças também têm voz e devem ser ouvidas com respeito, diz especialista

Psicopedagoga amazonense explica o conceito da técnica da 'escuta ativa', utilizada pela família real na criação do príncipe George. Pais de Manaus também relatam resultados da experiência positiva na educação dos filhos 11/09/2016 às 05:00
Show escuta ativa katie
Duquesa Kate Middleton e o príncipe William sempre se abaixam para conversar com o pequeno George, de três anos (Foto: Divulgação)
Natália Caplan Manaus

Nem precisa ser um admirador da família real britânica para observar a forma como o príncipe William e a duquesa de Cambridge Kate Middleton se preocupam com a criação dos herdeiros, George, 3, e Charlotte, de 1 e quatro meses. Além da escolha de uma escola Montessori para o menino, um detalhe no relacionamento entre pais e filho chamou a atenção na última semana. Ambos se abaixam para conversar com o primogênito.

Segundo a psicopedagoga Ivone dos Reis, eles utilizam a técnica chamada “escuta ativa”. O objetivo do método, explica, é “transmitir o respeito a alguém quando essa fala”. No caso de crianças, elas são tratadas de maneira igual — o adulto não fica em uma posição superior — para que se sintam realmente ouvidas. Segundo ela, é um mecanismo para extrair tudo o que a pessoa tem para dizer, sem se sentir invadida ou ameaçada.

“É uma escuta de muita atenção, olhando sempre nos olhos da pessoa para que ela se sinta totalmente significante para quem à escuta. Saber escutar é uma arte, pois a pessoa quem escuta tem que ter tolerância, respeito, se colocar na situação da outra e perceber qual a necessidade dela de relatar o fato. Seja qual for, sem ignorar ou julgar, mas ajudá-la a achar uma saída para tal situação”, afirma.

De acordo com a profissional de educação, quando a pessoa precisa ser ouvida há necessidade de reciprocidade de quem a ouve. Com os pequenos, a comunicação é a melhor metodologia para descobrir as razões de uma birra por exemplo. Para isso, além de prestar atenção às palavras, é necessário que o cuidador também observe a linguagem não verbal. A impaciência, que resulta em gritos e castigos, ressalta, só gera medo.

“Isso só irá piorar e fazer com que a criança cresça usando estratégias de comando. A escuta tem que ser aplicada desde cedo. A partir do momento em que anda e fala, ela já entende que sempre terá alguém disposto a ouvi-la, mesmo em situações desconfortantes. Assim, ela aprenderá que para todas as coisas sempre há uma solução. O diálogo e o respeito são o caminho para nossas atitudes, seja ela qual for”, enfatiza.

Empatia

Ainda de acordo com Ivone, que trabalha há mais de uma década com alunos que têm algum distúrbio ou dificuldade de aprendizagem, o maior erro de um adulto é não tratar a criança como um indivíduo. A partir dos dois anos de idade, elas já demonstram mais personalidade e começam a querer tomar decisões. Portanto, precisam ser ouvidas.

“Temos que nos colocar sempre no lugar dessa criança e não interromper o que ela está falando. Sentir as palavras e as emoções dessa criança. O que mais nos auxilia no dia a dia para ajudar uma criança a mudar seu modo de pensar, agir, e ser mais segura de seus atos é a escuta ativa”, finaliza.

Parceria que dá certo

A técnica da escuta ativa não é novidade para Gabryela Câmara, 32, e Rogério Coutinho, 33 anos. Pais de Sarah, 6, e Felipe, de 2 anos e 11 meses, eles sempre conversam com os filhos, olhando nos olhos e dando à devida atenção. De acordo com o couch, é a melhor ferramenta para manter um relacionamento saudável.

“Sempre achamos que o melhor para nossos filhos seria comunicar dessa forma, mas não sabíamos bem o porquê. Só víamos que, assim, nos conectávamos melhor a eles. Apesar de o Felipe ser bem ativo, ele é obediente. Nós fazemos isso há bastante tempo. É muito bom, porque a criança se sente importante e evita brigas”, afirma.

De acordo com o casal, muitas pessoas se impressionam e elogiam a forma que a família conversa e encontra soluções para os problemas diários. Entretanto, a pedagoga ressalta que são necessários paciência e treinamento para que o diálogo se torne parte da realidade de maneira natural, sem pressão.

“A comunicação de forma clara e no nível da criança é muito mais eficaz que discussões sem necessidade. Essa técnica não é difícil, porém, é necessário treinamento. Mudar algumas crenças erradas, como imposição de autoridade, de que o grito resolve, ou que se fizer manha tem que apanhar. É uma relação baseada na confiança”, conclui Gabryela.

Como aplicar:

- Observe a comunicação não-verbal: a maneira como a criança se porta pode revelar muito do que está sentindo e pensando. Isso permite que você a entenda melhor;

- Demonstre que está prestando atenção: mantenha a conversa ativa e olhe diretamente nos olhos da criança. Mostre que o que ela fala é importante e relevante;

- Parafraseie o que ela disse: desta maneira você reforça o diálogo e permite que fique bem claro o que foi dito;

- Faça perguntas: incentive a criança a se abrir e falar o que está pensando/sentindo.

Benefícios:

- Fortalece o vínculo entre pais e filhos;

- Ajuda a compreender as birras infantis;

- Outorga aos pais autoridade e respeito sem infundir medo;

- As crianças atendem melhor e sentem mais confiança;

- Reforça a auto-estima da criança;

- Desenvolve a empatia desde pequeno;

- Os pais aprendem a entender melhor o que os filhos sentem e a modificar uma conduta inapropriada.

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