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Curta amazonense "Cuspe" estreia em Rondônia nesta segunda-feira

Com direção assinada por Antônio Carlos Junior, "Cuspe" foi selecionado para uma das mostras competitivas do 6º Curta Amazônia Mundi, mostra de cinema realizada em Porto Velho 30/05/2015 às 10:25
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O filme é uma adaptação de conto do escritor Benjamin Sanches
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

É de um ato de agressão como uma cusparada na cara que surge o enredo do novo curta-metragem do artista amazonense Antônio Carlos Junior, que estreia na amanhã, dia 1º de junho, em Porto Velho. “Cuspe” foi selecionado para uma das mostras competitivas do 6º Curta Amazônia Mundi, mostra de cinema realizada na capital de Rondônia com a exibição de filmes de diversos estados brasileiros e dois de Portugal.

A obra – a segunda da carreira de Antônio no audiovisual – é uma adaptação do conto “O Cuspe”, de autoria do escritor amazonense Benjamin Sanches (1915-1978), ligado ao movimento Clube da Madrugada. O diretor resume a história, que mantém a essência do texto original: “O marido chega em casa depois de um dia de trabalho e é recepcionado pela mulher com um cuspe. Todo o conflito emocional e psicológico decorre disso. É um filme que incomoda, quem assistir vai ficar se perguntando que personagens são esses”.

O casal protagonista é interpretado pela atriz Erika Guedes e pelo ator Rodrigo Langbeck. Ainda há espaço no enredo para uma participação do preparador do elenco, James Araújo. A direção de fotografia é de Yure César (o mesmo de “A Floresta de Jonathas”), e o curta inaugura uma parceria entre Antônio Carlos e a produtora 602 Filmes, de César.

Segundo o diretor, “Cuspe” tem todos os requintes de loucura e absurdo do conto de Sanches, publicado no livro “o outro e outros contos”, que ganhou reedição pela Valer em 1998. “Nesse livro, o Benjamin trabalha com personagens um tanto bizarros e questiona muito o comportamento humano, que no caso de ‘O Cuspe’ diz respeito ao relacionamento de um casal”.

“Foi uma experiência de três semanas para fazermos tudo, foi muito intenso. O James trabalhou o método da Fátima Toledo com os atores, e isso exigiu muito deles. Quem assistir ao filme vai perceber o tanto de força que a Erika e o Rodrigo colocaram nesse trabalho”, completa. Depois de finalizar o projeto em dezembro de 2014, Antônio passou a inscrever o filme em diversos festivais e mostras, e a primeira confirmação veio de Porto Velho.

O diretor conta que já tinha o roteiro adaptado há pelos menos três anos quando o projeto foi contemplado no edital do Prêmio Manaus de Audiovisual 2014, da Prefeitura. O recurso era o que faltava para o curta ganhar vida. “Apesar de ter todo o roteiro pronto e o planejamento das tomadas antes de começar a gravar, a contribuição de todos os profissionais envolvidos foi muito importante para o resultado final”.

Adaptações

O primeiro curta-metragem de Antônio Carlos, “O Terrorista”, também surgiu da adaptação de um conto, dessa vez de autoria de Alisson Leão, escritor e professor de Letras da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A obra participou do Festival Curta 4 em 2009 e levou seis prêmios.

Para o diretor, o espaço entre uma produção e outra foi essencial para ele amadurecer sua compreensão da linguagem audiovisual e do seu papel como realizador. “Por eu ter uma experiência anterior, as dificuldades com o ‘Cuspe’ já foram em outros níveis”, conta.

Com trabalhos no teatro e na literatura, além do cinema, Antônio se vê como um “criador”. “Gosto de trabalhar em cima de coisas que me instiguem a criar, nesse sentido sempre tive uma aproximação muito forte com a literatura e o cinema”, diz. Com o novo curta, ele pretende se consolidar na adaptação de história para o cinemas, algo que ele considera ainda pouco explorado pela cena local.

Saiba +

Equipe

Produção Executiva: Rachel Lyra; Produção: Fátima Santágata; Som direto e edição de áudio: Reldson de Paula; Direção de arte: Adroaldo Pereira; Montagem: Dunia Quiroga; Finalização: Breno Biggi; Trilha sonora: Abgroovy; Maquiagem: Marcio Nascimento; Assistente de direção: Ana Paula Cardoso; Ass. de foto.: André Costa e Zé Monteiro

Largo inspira websérie

Antônio Carlos Junior agora se prepara para adaptar seu livro “Dos fantasmas ao tacacá: uma visão sobre o Largo” para o formato de websérie. O projeto recebeu recurso financeiro de R$ 38 mil do Proarte 2013 (SEC), além do Prêmio Manaus de Audiovisual 2014, e já está com elenco definido.

Na segunda-feira ele dá início a uma série de workshops de preparação com os atores; as gravações começam a partir da segunda quinzena de junho. Para esta produção, o diretor vai repetir a parceria com a 602 Filmes e cinco diretores do grupo Planos em Sequência: Rod Castro, Leonardo Mancini, Moacyr Massulo, Diego Nogueira e Emerson Medina.

A websérie será dividida em dez episódios e vai contar a história do jornalista Ney Nunes, que está no Largo de São Sebastião produzindo uma pauta quando se depara com o misterioso “homem da bengala”. “Na verdade o Largo de São Sebastião é o grande personagem da série. As histórias de todos os núcleos acontecem em torno do Largo, mostrando as peculiaridades do local e a vida de quem faz parte da rotina do principal ponto turístico de Manaus”.

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