Sábado, 15 de Maio de 2021
Audiovisual

Curta amazonense figura em festivais nacionais e internacionais

‘O Buraco’, dirigido pelo realizador audiovisual Zeudi Souza, retrata a violência doméstica



b0101-2f_735BF7D9-6078-4AC0-886F-189453483651.jpeg No filme, uma criança presencia a mãe sofrer agressões físicas
03/05/2021 às 17:10

O curta-metragem amazonense “O Buraco”, dirigido pelo realizador audiovisual Zeudi Souza e que retrata as sombras da violência doméstica, foi selecionado para quatro mostras, entre competitivas e não-competitivas, sendo duas nacionais - 1ª Mostra de Cinema Fantástico de Rondônia e 20º Cinemato – Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá; e duas internacionais – 3º Human Rights Film Festival Brazil 2021 e INCORTO Film Festival 2021. O link para assistir ao filme fora dos eventos está disponível no Instagram @imaginariozproducoes.

O Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá ocorre entre os dias 10 e 15 de maio, com programação online. O curta amazonense concorre com mais de 153 filmes inscritos. A 6ª edição do INCORTO Film Festival, da qual o curta também participa, acontecerá em setembro, no México. A Mostra de Cinema Fantástico de Rondônia aconteceu no período de 20 a 26 de abril, com 26 curtas-metragens - a produção participou da Mostra Anhangá. Já O Human Rights Film Festival Brazil, um festival internacional de curtas-metragens sobre direitos humanos, aconteceu de 8 a 16 de abril. “O Buraco” foi um dos representantes do Brasil no festival, ao lado de filmes da Espanha, Irã, Mianmar, Turquia, França, Estados Unidos, entre outros.



O enredo do filme narra os passos de uma criança, que observa pelo buraco na parede do seu quarto o drama e as violências que sua mãe sofre nas mãos de seu pai todos os dias, até que uma decisão é tomada para o bem de todos. De acordo com Zeudi, metáforas foram criadas para a representação dos setores da sociedade nos personagens: a criança representa a população, enquanto que o buraco representa a justiça. Já a mãe representa a democracia, enquanto o pai representa o poder público.

O curta, contemplado no Edital 010/2020 – Concurso-prêmio Manaus de Conexões Culturais/Lei Aldir Blanc – Audiovisual da Manauscult, foi gravado no bairro São Jorge, em Manaus, entre os dias 26 e 30 de dezembro de 2020, seguindo todos os protocolos de segurança. “Nosso maior desafio foi cumprir os prazos exigidos. Alugamos uma casa cenário, e toda a equipe passava pela medição de temperatura. Tínhamos no set álcool em gel. Ao final do dia, a equipe seguia os protocolos de retorno para suas casas”, aponta Souza.

De acordo com o diretor, “O Buraco” é um filme violento e chocante, que, ao mesmo tempo que fala da violência contra as mulheres, também fala do Brasil atual. “A violência doméstica tem ocupado os noticiários durante a pandemia. Minha mãe quase todos os dias liga a TV no horário do almoço e quase sempre está passando esses programas sensacionalistas, que exploram a violência sem que haja algo de concreto para mudanças. Isso me inspirou [a fazer o curta], e decidi, em uma noite, sentar em frente ao computador e refletir sobre”, coloca ele. 

Para o realizador, o grande barato de fazer um filme como “O Buraco” foi a possibilidade de trabalhar com profissionais gabaritados da capital amazonense. “E para isso eu contei com a sensibilidade incontestável do Robert Coelho e sua equipe na fotografia, e com os ouvidos potentes do Herverson Batista no som, com o olhar clínico da direção de arte de Aline Guedes, com a montagem de Manoel Castro Junior e produção de Claudilene Siqueira”, declara ele. O projeto também conta com os atores Jôce Mendes, Victor Kaleb, Airton Guedes e Daura Caroline. 

Sentimentos

Souza afirma ainda que, no começo, alguns membros da equipe ficaram receosos com o tema, e muitos diálogos foram necessários para que o trabalho fosse construído em conjunto. “O filme segue uma estética realista. A obra já começa com o barulho e, aos poucos, os fragmentos dessa família nos empurra para momentos de angústias, até que um desfecho acontece. Tudo gira em torno da simbologia e de como vivemos em uma cultura violenta e silenciada. Isso tudo só foi possível graças a uma equipe técnica e de atores comprometidos com a sétima arte”, aponta Zeudi.

A produção impactou fortemente os seus atores e o público que assistiu ao filme, assegura Souza. Alguns “feedbacks” viera de fora do território brasileiro. “Jôce [uma das atrizes] foi pra campo ouvir outras mulheres, e os relatos eram tão tristes quanto assustadores. Quando o filme foi exibido em uma sessão na Espanha ‘off’ festival, uma telespectadora me escreveu: ‘Seu filme me deixou destruída pelas mulheres de seu País. A forma crua e cruel é tão real que eu precisei digerir a barbárie de um País ainda violento com essa questão. Faço votos que um dia essa situação mude e que a lei um dia prevaleça com todo vigor para punir quem comete essa violência covarde”, relembra o realizador. 

Para Zeudi, o mais gratificante de tudo são as mensagens que chegam de pessoas que se viram ou vivenciaram essa rotina violenta dentro de casa. “Acho que a repercussão do filme é valida por que nos coloca no lugar de pensar sobre esses acontecimentos e sobretudo pensar nas alternativas junto às leis para que haja denúncias. É triste saber que o Brasil é um dos países que mais matam mulheres no mundo. E mais triste ainda é o silenciamento de forma brutal dessas mulheres, quando chega às vias de fato [de assassina-lás]”, completa ele.

Saiba mais

Mostra de Cinema Fantástico de Rondônia  - www.fantacine.com.br

Cinemato -  Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá  - www.cinemato21.com.br/

Human Rights Film Festival Brazil   - www.filmmakers.festhome.com

INCORTO Film Festival  - www.incorto.com/

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