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Curta do diretor amazonense Aldemar Matias estreia em SP

Rodado em Cuba e ainda inédito no Brasil, "When I get home" ganhará sessões nos dias 23, 25 e 27 de agosto, no CineSesc, Museu da Imagem e do Som e Centro Cultural São Paulo, respectivamente 18/08/2015 às 12:45
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O curta-metragem estreou no Xposed Queer Film Festival, em Berlim, no mês de maio, e ainda será exibido em Roma, Paris e Barcelona
rosiel mendonça Manaus (AM)

Um filme que começou como um exercício para documentar um lar cubano acabou tomando outros contornos assim que o diretor conheceu os personagens que ia retratar: um casal formado por dois homens na casa dos 60 anos, que “não parecem mais caber no mesmo quarto”. A obra em questão é “When I get home”, do diretor amazonense Aldemar Matias, que exibirá o novo trabalho na Mostra Latino-Americana do 26º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo.

Ainda inédito no Brasil, o filme ganhará sessões nos dias 23, 25 e 27 de agosto, no CineSesc, Museu da Imagem e do Som e Centro Cultural São Paulo, respectivamente. A agenda até o fim do ano ainda inclui a participação dele em festivais em Roma, Paris e Barcelona.

Matias produziu o filme enquanto cursava Direção de Documentário na Escuela Internacional de Cine y TV, em San Antonio de los Baños, formação em parte financiada pela Secretaria de Cultura do Amazonas (SEC) e pelo Programa Ibermedia.

“Com essa missão de retratar um lar cubano, conheci por meio de uma amiga a história desse casal, Tomás e Luis Hernández, que há poucos meses havia feito uma queixa de homofobia”, conta o diretor.

Os dois homens, que vivem há 28 anos juntos, alegaram ao Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex) de Cuba que a fachada da casa deles, no Centro de Havana, era alvo constante de pedras arremessadas por vizinhos.

“A partir daí, eles raramente deixavam portas e janelas abertas e passaram a viver em uma fortaleza com grades. Logo em Cuba! Um país tão sociável e tão acostumado a compartilhar o cotidiano com os vizinhos. A vida encerrada dos dois fez eu me interessar e me aprofundar na relação do casal”, completa Matias.

Territórios

Aos poucos, ele foi assimilando os traços da personalidade de cada um: enquanto Luis é extrovertido, adora dançar rock dos anos 60 e pode falar horas a fio, Tomás é tímido e misterioso, ficando mais à vontade para conversar quando o companheiro não está por perto – tanto que ele só demonstra afeto diante da câmera quando interage com a cadela e a galinha, que são os animais de estimação da casa.

“Notei que o abismo criado por personalidades tão contrastantes mostrava mais divisões dentro da casa do que eu imaginava. Decidi retratar o funcionamento do casal utilizando a casa quase como um terceiro personagem”.

“Os espaços cortados por grandes janelas, grades e portas altíssimas ajudaram a tornar mais visível essa distância entre os dois, além da divisão entre a casa e o mundo exterior”, acrescenta Matias, que admite a influência do diretor malaio Tsai Ming-Liang na sutiliza e ações mínimas de “When I get home”.

Diretor prefere sutileza ao ativismo

Apesar das reações homofóbicas enfrentadas pelo casal cubano, o drama do preconceito não definiu os rumos de “When I get home” e sequer aparece no filme. A explicação de Matias, que combate toda forma de discriminação, é que ele não queria ver o documentário se tornar peça de ativismo.

“Em mim, como espectador, causa um efeito contrário, de repulsa. A minha curiosidade ali era entender a dinâmica de um casal que está há 28 anos juntos, desgastando pelo tempo, e com uma cumplicidade meio disfuncional”, justifica.

E completa: “É muito delicado se meter numa relação e construir um relato sobre isso. Eu sabia que se falasse no filme sobre vizinho atirando pedra, perderia toda a sutileza e viraria o ‘filme do casal gay cubano que leva pedrada’”.

Em relação ao tratamento que Cuba vem dando ao tema da homofobia, Aldemar destaca os esforços de Mariela Castro, filha do Raul Castro e criadora do Centro Nacional de Educação Sexual, na promoção dos direitos dos homossexuais. “Inclusive tem uma entrevista recente do Raul pedindo desculpas pela perseguição pós-revolução”.

Ficha
Diretor: Aldemar Matias
Produtora executiva: Paula Pripas
Diretor de fotografia: Tininiska Simpson
Direção de som: Matheus Massa
Edição: André Blondel
Edição de som: Matheus Massa
Produtor de campo: Mario Acosta
Elenco: Tomás Hernández Hernández, Luis Hernández
Agente comercial: Silvia Durán Molina


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