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Curta que retrata história de um transexual é o único do AM à participar de festival nacional

A luta de ‘Sandrine’, capitaneado por Elen Linth e Leandro Rodrigues, será o único do Estado a participar da 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais 23/12/2014 às 10:05
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Filme será exibido por meio da mostra Panorama
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Relatando a história de um transexual na batalha pela cirurgia de mudança de sexo, o curta-metragem “Sandrine” é o único filme do Amazonas selecionado para participar da 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais, cuja exibição dos filmes acontece no período de 23 a 31 de janeiro de 2015. A produção será exibida por meio da mostra “Panorama”, e concorrerá à categoria de Júri Popular. Ao todo, serão exibidos 90 filmes de 16 Estados brasileiros no festival, considerado pela crítica especializada como a maior plataforma de lançamento do cinema brasileiro contemporâneo.

Com 13 minutos de duração, a obra classificada como uma ficção é dirigida por Elen Linth, com roteiro assinado por Leandro Rodrigues. Estrelado pelas atrizes Josi Reis (Sandrine) e Lu Domani (mãe de Sandrine), o curta aborda a trajetória de uma professora de matemática que, por conta de sua transexualidade, não é aceita pela própria mãe. A trama relata a espera da protagonista pela cirurgia de mudança de sexo com muita sutileza, ao contrário de alguns curtas do gênero que contém cenas mais fortes para explicitar a trama. “Nós acreditamos que é possível comunicar o que queremos sem ‘escancarar’ as questões dessa forma”, destaca a diretora.

Papel esse de comunicar que, para Elen, foi alcançado com sucesso. A linguagem da obra é citada por ela como um passo que não subestimou o espectador. “Nós quisemos passear por nossos caminhos, mas de forma que isso trouxesse a coisa da espera. A maioria dos transexuais passa 10, 20, 30 anos esperando por uma cirurgia de mudança de sexo. O SUS oferece pouquíssimas e por isso elas ficam reféns durante anos e anos, o que acaba sendo uma agressão a elas. Acabam não se resolvendo enquanto o corpo não é aquele em que elas querem estar”, opina Linth.

O curta foi todo gravado em Manaus, em locais como a escola Agnelo Bittencourt, no bairro Compensa, em um apartamento na Constantino Nery e na Escola de Artes da UEA. “Já a trilha sonora tem uma pegada meio techno, embora não tenha um toque de trilha sonora tradicional. Há alguns momentos marcados por música, principalmente os que se passam no quarto da personagem”, destaca a diretora.

Desafios

Para ela, o mais desafiador enquanto dirigente do curta foi compor as cenas de sexo, mas não pelas demonstrações em si. “No filme, o transexual é um homem que quer virar uma mulher, mas a atriz que o interpreta é uma mulher. Na hora da cena, tentamos criar o corpo masculino e feminino. A atriz, por exemplo, não tem um órgão sexual masculino, logo nós tivemos que criar a ideia disso a partir de uma certa ilusão de imagens. Nós não mostramos nenhuma parte íntima, mas ainda assim precisamos fazer as simulações”, declara Elen.

Mais prêmios e mostra

“Sandrine” foi vencedor na categoria “Melhor Roteiro” do Amazonas Film Festival 2013, além de ter ganhado o prêmio Curta Afirmativo, do Ministério da Cultura. A felicidade pela seleção na Mostra Tiradentes se dá a Elen justamente por este ser o primeiro grande prêmio de 2015 ao qual o filme concorre. Na mostra “Panorama”, mais 21 curtas competem com a produção amazonense. Os responsáveis pela curadoria da Mostra Tiradentes são Cléber Eduardo, Francis Vogner e Pedro Maciel Guimarães. Entre os 90 curtas selecionados para as nove mostras do evento há oito animações, 19 documentários, 54 ficções e nove filmes experimentais.

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