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De admirador a parceiro: Silva encara obra de Marisa Monte em álbum recém-lançado

Disco "Silva canta Marisa" traz releituras para 11 canções do repertório pop da compositora carioca. Estão lá sucessos como “Ainda Lembro”, “Não Vá Embora”, “Infinito Particular” e “Beija Eu” 04/12/2016 às 05:00 - Atualizado em 04/12/2016 às 11:12
Show 01 silva e marisa monte  foto miguel vassy
Foto: Miguel Vassy/Divulgação
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

O músico Lúcio Silva de Souza estava entrando na adolescência quando o disco “Memórias, Crônicas e Declarações de Amor”, de Marisa Monte, calhou de aparecer dentro de casa. O álbum, que trazia o hit “Amor I Love you”, logo se tornou o queridinho da família capixaba.

“Meu irmão (o também músico Lucas Souza) pirava nesse disco, mas na verdade ele era compartilhado por todo mundo. Foi quando realmente passei a gostar da Marisa, e em seguida comecei a mergulhar mesmo na obra dela e a ouvir coisas mais antigas, como ‘Barulhinho Bom’”, lembra o cantor e compositor, hoje conhecido apenas como Silva.

Mais de dez anos se passaram, e de admirador Silva passou a ser parceiro de Marisa Monte. Juntos, eles assinam a música “Noturna” (com colaboração de Lucas), uma das faixas do recém-lançado álbum “Silva canta Marisa”, no qual o cantor rende sua homenagem à artista ao revisitar 11 composições do cancioneiro da carioca. Estão lá sucessos como “Ainda Lembro”, “Não Vá Embora”, “Infinito Particular” e “Beija Eu”, que ganharam novos arranjos a partir da base sonora característica do trabalho de Silva.

Primeiro contato

A ideia para o projeto, na verdade, veio de uma participação que o cantor fez no Canal Bis ainda em 2015. Convidado para fazer releituras do repertório de algum artista para o programa “Versões”, Silva não pensou duas vezes ao escolher Marisa Monte como sua homenageada. “Eu tinha 1h de apresentação, então era bastante coisa. Escolhi a Marisa porque tinha a ver com o momento em que eu estava e com o que andava ouvindo”. 

Fora da televisão, Silva repetiu a experiência ao transformar os covers em um show, apresentado em duas ocasiões em São Paulo. Nem é preciso dizer o quanto a ideia pegou junto ao público. “Nesse meio tempo lancei o ‘Júpiter’ [terceiro disco de estúdio da carreira] e deixei o projeto em pausa. Até conhecer a Marisa pessoalmente”, conta.

O convite para o encontro partiu da própria cantora, que assistiu a alguns trechos dos ensaios de Silva no Canal Bis e havia gostado do que viu. “Fui até a casa dela, no Rio, e já no primeiro dia fizemos ‘Noturna’, que era uma peça de piano que eu tinha guardada. Ela adorou a melodia e colocou a letra junto com meu irmão. Nasceu uma relação super legal, então achei importante não deixar passar em branco as versões das músicas dela que tanto gostei de fazer”.

Arranjos diferentes

Quando perguntamos qual a relação que Silva manteve com a obra de Marisa ao revisitá-la, se de proximidade ou distanciamento, ele responde: “Na minha visão de tributos e homenagens, sempre acho mais bonito quando o artista se propõe a colocar a cara dele naquele repertório, porque copiar o arranjo ou recriar totalmente nunca fica igual. Até porque já temos a obra original, então você não vai fazer melhor, mas dá para fazer diferente”.

Esse foi justamente o desafio que ele encarou em “Silva canta Marisa”, que deu novos arranjos às músicas selecionadas. “Todas foram mudadas. É um risco que se corre, porque pode ser que não dê certo. Mas fiz com muito carinho, sem pressa, e cheguei a mostrar para ela o resultado. Foi um trabalho divertido e surpreendente”.

“Esse repertório é desafiador porque não é fácil de cantar, apesar de as músicas soarem assim, mas posso dizer que foi um processo enriquecedor para mim como músico e cantor”, completa ele, que seguiu a intuição no momento de escolher que faixas entrariam no CD. “Se eu colocasse todas as que eu amo, talvez esse tivesse que ser um disco duplo ou triplo. Acabei indo pelo critério de que quais músicas ficariam boas na minha voz e quais poderiam ganhar arranjos interessantes”.

Afeito à bateria eletrônica e aos sintetizadores, Silva também optou por uma sonoridade mais orgânica no novo disco. “É algo que eu nunca tinha feito, que é gravar com baterias e baixo, num formato mais de banda. Outra opção foi dar mais destaque para a voz, uma grande diferença em relação aos discos anteriores”.

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