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ENTREVISTA

De cara nova, sem Frejat, Barão Vermelho lança disco de regravações com clássicos

Com Rodrigo Suricato assumindo vocal e guitarra, banda reuniu nove clássicos da carreira para primeiro registro sem o então líder Frejat 10/05/2018 às 14:20 - Atualizado em 10/05/2018 às 16:09
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Integrantes do Barão Vermelho falam sobre as mudanças na formação e as perspectivas do grupo para o futuro (Foto: Divulgação)
Juan Gabriel Manaus (AM)

O ano era 1981. A época, a rebeldia carioca via em seu reflexo uma cena musical que não hesitava em levar a sério o lema “Sexo, drogas e rock n’ roll”. Das incontáveis noites de loucuras no Circo Voador, reduto dos jovens boêmios na Cidade Maravilhosa, o som enérgico das guitarras de Frejat soava como o presságio de um furacão impetuoso e devastador, que ditaria o ritmo da dança até o final. Um furacão chamado Cazuza, que por 32 anos – 5 deles à frente do Barão Vermelho - usou as palavras para destruir tudo por onde quer que passasse.

Quase 40 anos depois, o Barão Vermelho se reinventa à sombra de um passado glorioso. Hoje sem Cazuza (falecido em 1990, vítima da Aids), e Frejat, que anunciou seu desligamento do grupo para seguir carreira solo em 2016, a banda ignora o baque e dá pistas de que tem combustível de sobra para encarar outros 40 anos com a mesma vitalidade. Prova disso é o recém-lançado disco “Barão Para Sempre”, um compilado de nove sucessos da banda regravados com sua nova formação, agora com o músico Rodrigo Suricato nos vocais e guitarra.

O afastamento do então líder Frejat causou uma certa desconfiança aos fãs do grupo. Uma das formas de romper esse estranhamento foi cair na estrada. Mais que isso, mostrar ao público que ainda há vida mesmo que com novos rostos e nada melhor do que eternizar a velha receita usando novos ingredientes. A primeira tarefa então, foi filtrar quais canções inserir no novo projeto.

“Escolhemos músicas que seguem relevantes para a banda e para o nosso público. Também foi uma forma de mostrar que várias músicas do repertório do grupo são de autoria dos integrantes da atual formação, que já contribuem como compositores desde o primeiro disco”, revela o tecladista Maurício Barros.

Entre as canções escolhidas para o disco de regravações estão “Pense e Dance”, “Pro Dia Nascer Feliz”, “Meus Bons Amigos”, “Puro Êxtase”, “Tão longe de tudo”, “Billy Negão” e “Eu Queria Ter Uma Bomba”, todas gravadas em um registro ao vivo feito no estúdio Palco 41, no Rio de Janeiro.

Nova formação

Restando apenas Maurício Barros e o baterista Guto Goffi da formação original, coube ao tecladista a missão de recrutar Rodrigo Suricato para a nova função. Ambos se conheceram durante a turnê do Nívea Rock Brasil, iniciativa que reuniu músicos de diferentes gerações para um tributo ao rock em 2016. “Ficamos amigos e pude perceber seu talento como guitarrista e cantor. Quando chegou o momento de chamar alguém para ocupar o lugar deixado pelo Frejat, sugeri o nome do Suricato e todos aprovaram. Entrei em contato e ele topou na hora”, revela o músico.

Vindo do folk, outra vertente do rock, Rodrigo Suricato precisou encostar o violão para dar vez à guitarra. Acostumado a um ambiente sonoro mais voltado para instrumentos acústicos, ele afirma que se adaptar aos timbres pesados do Barão Vermelho não foi complicado.

“Gosto de gostar das coisas, essa é língua que falo fluente. Suricato consagrou-se com uma pegada forte de violões pois era o momento que estava passando na época. Já a coluna vertebral do Barão sempre foram as guitarras. Seja o que vier pela frente, fico feliz de ser um instrumento de comunicação da obra do grupo”.

Atualmente, o Barão Vermelho , que além de Rodrigo, Maurício e Guto, conta também com Rodrigo Santos (contrabaixo) e Fernando Magalhães (guitarra) em sua formação, se prepara para entrar em estúdio e gravar o primeiro material de inéditas sem Frejat, ao mesmo tempo em que não abre mão de se distanciar do público. “Estamos no processo de compor e gravar um material inédito e novo para lançarmos no segundo semestre. Enquanto gravamos, a tour ‘Barão pra sempre’, vai a toda por todo o Brasil”, finaliza o guitarrista Fernando Magalhães.

Atualmente, grupo se divide entre shows e produção de novo disco de inéditas (Foto: Divulgação)

Três perguntas para Guto Goffi (baterista):

Sobre o documentário ‘Barão Vermelho: Por que a gente é assim?’ na Netflix: como foi para vocês revisitar toda essa história ao lado de quem ajudou a formar isso tudo?

A grande sacada do documentário, na minha visão, foi a diretora Mini Kerti, da Conspiração Filmes, ter escolhido o depoimento pessoal de quem ajudou a fazer essa história de luta, sonhos, vitórias e fracassos da banda. Ficou verdadeiro e confiável, pois a percepção dos detalhes dos fatos é algo bem pessoal de cada
 integrante.

Desde o primeiro ensaio da história do Barão até esse exato instante em que a gente conversa. Do que vocês sentem mais falta? Tem algo que vocês fariam diferente?

Fico chateado com a situação atual do Brasil, lutamos por sonhos muito valiosos e isso pouco mudou ou ajudou o Brasil a mudar. Me sinto em 1975, e o Barão nem existia nessa época. O rock brasileiro fez a sua parte, mas foi derrotado pela caretice do País, que foi todo mal constituído. Aí dá um certo ‘bode’, né?

Pelo o que eu já pude conhecer por fora, o Barão por muito tempo levou bem a sério aquele lema “sexo, drogas e rock n’ roll”, e deu certo. Tá faltando isso no rock brasileiro atual? Como vocês avaliam o atual cenário do rock brasileiro?

A nossa vida foi essa mesmo, sempre pregamos diretamente a liberdade das escolhas pessoais. O Barão Vermelho sempre foi uma festa, gente desprendida a amarras, limites, e outros balizadores sociais retrógrados. Quando nós começamos, ainda havia censura no País e já nos sentíamos parte de uma sociedade livre de preconceitos, pelo menos a nossa turma eram assim: andávamos em bandos, beijávamos na boca, transávamos muito, tomávamos drogas juntos, celebramos à vida como deve-se fazer, respondendo ao milagre de estarmos vivos e à procura de algo que não sabíamos como seria: o nosso futuro!

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