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De Roraima, Flúvia Lacerda é a primeira plus-size a estampar capa da revista Playboy

Modelo mora há 20 anos em Nova York e é considerada a Gisele Bündchen da moda plus-size 08/01/2017 às 05:00
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Flúvia tem 36 anos e nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criada em Roraima (Foto: Elisabeth Moore/Divulgação)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

“O sucesso da liberdade, representatividade e do amor próprio prevalece e desse borogodó entendo muito”, escreveu a modelo Flúvia Lacerda ao fazer um anúncio especial para os seus seguidores no Instagram. Nele, ela contava a boa-nova: a edição de dezembro da revista Playboy teria Lacerda na capa – e, pela primeira vez em sua história, uma modelo plus-size no ensaio principal da edição.

Flúvia, 36, nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criada em Boa Vista (RR), no Norte do Brasil e mora há 20 em Nova York. Ao BEM VIVER TV, ela explica que este não foi o seu primeiro contato com a marca. “Eu já tinha feito a coluna que eles têm, chamada “Mulheres que Amamos” em 2011. Mas o que mais me atraiu para fazer agora foi a nova pegada da revista, que está em outro estilo e outra visão, uma coisa mais de conteúdo e artística. Eles estão escolhendo mulheres que são polêmicas, que tem opinião”, diz ela.

A revista já tinha, há tempos, interesse em Flúvia. “Naquele antigo formato me convidaram, mas com o novo se tornou mais interessante”, destaca. A edição com Flúvia foi lançada no dia 20 de dezembro e não estará diretamente nas bancas, por ser uma capa de colecionadores. “Mas as pessoas podem comprar online. Aí eles imprimem e mandam a revista física ao comprador”, complementa ela.

Um dos fatores determinantes para que Flúvia aceitasse posar para a Playboy era que o ensaio fosse debaixo de suas regras. “Eu queria que fosse em Roraima, porque tem muito a ver com a minha história. Dispensei equipe grande, produção grande.. queria que fosse um processo bem natural”, conta ela. Ao todo, Flúvia e equipe passaram 10 dias em Roraima planejando e executando tudo.

Locações

O ensaio aconteceu em lugares diversos de Roraima “Cada dia fizemos fotos em um lugar. No Tepequém, no Rio Branco, nos igarapés urbanos. A gente enfrentou uns 42 graus (risos). Foi maquiagem derretida e foi quase impossível fazer cabelo. Eu cresci com esse meio ambiente, então tiro de letra, mas a galera de São Paulo... (risos)”, acrescenta. O componente nudez também não veio com grandes problemas para Flúvia. “Eu sou meio tímida, mas em relação a isso não sou ligada porque tenho 15 anos de carreira, então é muito natural”, pondera.

Lacerda viu a capa como um desafio artístico. A capa, acima de tudo, também representa um grito de empoderamento, encorajando mulheres gordas a aceitarem seus corpos. “Eu nunca tinha parado para pensar no fato de ser uma mulher gorda na capa de uma revista. Pra mim, o processo artístico foi muito importante. Não mastiguei tanto o ‘nossa, você é a capa da Playboy’”, coloca ela.

Carreira

Flúvia trabalhou para agências como Elite e Ford Models, e estampou capas de revistas como a Vogue Itália e a inglesa Beautiful. É considerada também a Gisele Bündchen da moda plus-size. Mas, antes de todo o sucesso, Flúvia teve grandes vivências em Roraima, que a moldaram a pessoa que é hoje. “Eu tenho os mesmos amigos que tinha quando criança, nunca perdi contato. Todo ano vou [para Roraima] ver todo mundo”, comenta a modelo.

Por ser enraizada no Norte, Flúvia se caracteriza um “bicho muito visual” e se inspira nas riquezas da Amazônia para a vida. “Gosto muito de ver, fotografar coisas diferentes. Tudo o que tem de inseto, planta, e rios, eu acho fantástico. Ea beleza natural do lugar sempre me inspirou para fazer estampas de tecido para coleção moda praia. Sou fissurada nessa coisa que tem o Norte”, destaca ela.

Projetos

No futuro, Flúvia lançará sua biografia na primeira metade do ano, além da segunda coleção de sua marca de lingerie, e trabalhará em uma coleção de moda-praia através de uma marca europeia. O nome da biografia ainda não foi decidido, e o material será escrito por ela e uma co-escritora, que a auxiliará no processo. “Vai ser uma mescla entre experiências pessoais e de carreira e como lido com auto imagem, retratando isso de forma que as mulheres encontrem inspiração pra modificarem sua forma de viver e se ver”, conta.

Outras capas históricas

A jornalista Ju Romano “quebrou a Internet” ao estampar a capa da Elle em maio de 2016, “com gorduras e sem Photoshop”, como ela mesmo diz. À época, a jornalista disse que sempre havia sonhado com o momento. 

A edição de dezembro da revista Galileu anuncia na capa um debate sobre a gordofobia, que é a repulsa das pessoas ao corpo gordo e sobre o quanto este preconceito vem disfarçado em forma de elogio ou preocupação.


 

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