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De volta ao palco natal: Vinicius Cantuária encerra Festival de Jazz

Amazonense hoje radicado em Nova York será atração do encerramento do Festival Amazonas de Jazz, no dia 28 15/07/2013 às 16:38
Show 1
Cantuária vai misturar sucessos da sua produção atual na música
a crítica Manaus, AM

Mais de 20 anos após a sua última apresentação no Teatro Amazonas, no final dos anos 1980, quando acompanhava Caetano Veloso em um show em Manaus, Vinicius Cantuária retorna à terra natal e ao prestigiado palco local como atração do encerramento do 8º Festival Amazonas de Jazz (FAJ). Para o artista amazonense, hoje radicado no exterior e destacado no cenário musical internacional, será uma ocasião formidável.

“Eu toco todos os anos em quase todos os grandes festivais pelo mundo, e tocar no Festival Amazonas de Jazz 2013 será de uma emoção que nem posso imaginar, será algo fantástico! E ainda por cima no Teatro Amazonas, um sonho”, declara o cantor e compositor, que se apresenta na cidade no dia 28, domingo.

No palco do TA, Cantuária vai brindar fãs novos e antigos com sucessos de sua trajetória e exemplares de sua produção musical recente. “Como não toco há muitos anos em Manaus, acho justo fazer um mix de meus trabalhos atuais, e também cantar algumas das músicas minhas que são conhecidas do grande público”, antecipa. Aí se incluem canções como “Só você” e “Lua estrela” – da qual o leitor deve se lembrar na voz de Caetano Veloso.

Memórias

Apesar das músicas famosas, parte do público local pode não conhecer Vinicius Cantuária ou saber de sua relação com o Amazonas. Isso se deve ao fato de que o artista, nascido em Manaus em 1951, deixou a cidade muito cedo, aos 7 anos de idade. Vinicius, por outro lado, guarda algumas lembranças bastante vívidas da terra de sua infância.

“Tenho algumas memórias da rua em que nasci (Lauro Cavalcante), e de música me lembro de ouvir muito os programas de rádio e a música da rua”, recorda o músico, que guarda com carinho especial na memória as canções e a brincadeira do Boi.

“Eu era apaixonado pelo Corre Campo. Até fiz uma música chamada ‘Corre Campo’, em parceria com o Ryuichi Sakamoto, que está no meu CD ‘Sol na cara’”, revela Cantuária. E ele completa: “Lembro bem do antigo Parque 10, do estádio de futebol. E eu era, e sou ainda, um torcedor fervoroso do Nacional”.

Caminhos

De Manaus, Cantuária se mudou com a família para o Rio de Janeiro, e lá deslanchou numa trajetória musical de grandes experiências e parcerias, como ele mesmo aponta: “Dei muita sorte nesse ponto, pois sempre trabalhei com profissionais do mais alto nível. Tenho parcerias com Caetano, Chico (Buarque), (Gilberto) Gil, Fagner, Leoni, Evandro Mesquita, entre outros”.

O primeiro marco nesse caminho foi o trabalho de Cantuária na banda de rock O Terço, ao lado de Sérgio Hinds e Jorge Amiden, a partir de 1968. “O Terço foi o inicio dessa caminhada e me deu a formação musical para eu ter a vida profissional que levo até os dias de hoje”, declara o artista, que se desligou do grupo para fazer parte da Outra Banda da Terra, que acompanhava Caetano, e desde então viria a acumular mais e mais parcerias na música brasileira.

“O que fica mesmo é a alegria de ter tocado com tantos músicos maravilhosos, que fizeram a minha música e a minha vida como músico ser muito rica”, resume.

Na Amazônia

Presença regular em festivais de renome, como Montreal Jazz (Canadá), Umbria Jazz (Itália), Montreux (Suíça), San Francisco Jazz (EUA), Cantuária não hesita em apontar o FAJ como um marco em sua carreira. “Muito mais que pelo lado pessoal, vejo que o festival pode se transformar no principal evento de música livre do Brasil. O Amazonas gera uma curiosidade imensa no mundo”, ele afirma.

A esse respeito, o músico comenta sobre o interesse que despertou na imprensa japonesa ao falar de sua vinda para Manaus. “Quando eu falava que ia tocar no Amazonas, os jornalistas queriam saber tudo sobre o festival”, recorda ele, que guarda boas expectativas com relação ao evento local.

“Com toda a certeza ele vai atrair os grandes nomes nacionais e internacionais, e em pouco tempo seguramente será um dos grandes eventos de música no Brasil”, conclui.

Rio Negro na letra de Caetano

A vinda de Vinicius Cantuária a Manaus coincide com o periodo em que ele trabalha em seu primeiro trabalho totalmente voltado para a terra natal. Trata-se do álbum “The sound of the rivers” (“O som dos rios”, em tradução livre), que traz músicas com nomes de rios que cortam o Amazonas.

“(O projeto) se iniciou com um poema sobre o Rio Negro que o Caetano escreveu após um passeio de barco e me deu de presente. Eu musiquei e acabei fazendo músicas para outros rios”, antecipa ele, que já compôs seis canções. No CD, terá parcerias com nomes como Leoni e Arnaldo Antunes, além do guitarrista e compositor norte-americano Bill Frisell e da multiartista beninense Angélique Kidjo.

“The sound of the rivers” será o mote de cinco grandes concertos que Cantuária irá apresentar pelo Brasil, com banda e convidados, ao longo do ano que vem. Mais tarde, o músico amazonense deve seguir com apresentações do projeto pelo resto do mundo.

Grupo

A bandaque irá acompanhar Vinicius Cantuária em seu show no Teatro Amazonas será a mesmaque já acompanha o artista na estrada há vários anos. O conjunto é formado pelos músicos Adriano Santos (bateria), Dendê (percussão), Vitor Gonçalves (piano acústico) e Paul Socolow (contrabaixo).

Daqui para o mundo

Vinicius Cantuária deu uma outra guinada em sua trajetória ao se mudar para o exterior. “Foi uma escolha profissional e cheia de dificuldades iniciais, mas que com o tempo foi se tornando mais fácil. E aí esta o sabor: saber superar os momentos de dificuldades e saborear cada conquista seja no campo pessoal, familiar ou profissional”, avalia ele, hoje radicado em Nova York.

Cantuária define seu som como “uma mistura de sons, ritmos, ideias”. Os inúmeros encontros e intercâmbios artísticos ao londo da carreira ampliaram a visão musical do artista, ainda que ele sempre tenha mantido suas raízes brasileiras como eixo.

“Sou influenciado e influencio muitos músicos. Mas toda a intenção da minha música passa pelo Brasil. Como moro em Nova York, que é o centro da mistura mundial, minha música nesse momento é muito livre, e como resultado dessa liberdade ela passa por muitos caminhos: jazz, samba, bolero, pop e muito mais”, enumera.

Discografia

2011 Lágrimas mexicanas
2010 Samba carioca
2007 Cymbals
2005 Silva
2004 Horse and fish
2003 Live: Skirball Center 8/7/03
2001 Vinicius1999 Tucumã
1998 Amor brasileiro
1996 Sol na cara
1992 Rio Negro
1987 Nu Brazil1986 Siga-me
1985 Sutis diferenças
1984 Gávea de manhã
1983 Vinicius Cantuária

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