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Democrático: mundo fashion desafia 'modelos' padrões

Este mês, o ator e modelo RJ Mitte (de "Breaking Bad"), que tem uma leve paralisia, ganhou destaque ao participar do desfile de Vivienne Westwood. Confira outros casos em que a moda se abriu ao diferente. 26/06/2015 às 17:10
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Winnie Harlow, diagnosticada com vitiligo aos 4 anos, estrelou campanha da Diesel
ROSIEL MENDONÇA Manaus (AM)

Se a moda é uma das maiores expressões da nossa diversidade criativa, nada mais natural que as passarelas comecem a se abrir a coleções e estilistas interessados em desafiar os padrões beleza. A mudança de foco das modelos altas e curvilíneas para as chamadas plus size, por exemplo, é um prenúncio do novo momento, mais inclusivo e sensível às diferenças.

Este mês, o ator e modelo RJ Mitte, conhecido por interpretar o filho do protagonista da famosa série “Breaking Bad”, ganhou destaque na imprensa internacional ao ser escolhido para abrir e fechar o desfile de verão da estilista Vivienne Westwood, em Milão. Como na ficção, o artista de 22 anos tem uma leve paralisia cerebral que hoje afeta principalmente a sua fala, mas foi somente após a prática de muito exercício que ele conseguiu abandonar as muletas. 

RJ Mitte fez a sua estreia como modelo no desfile de Vivienne Westwood (Reprodução)

Em entrevista recente para falar das palestras que ministra sobre bullying, o ator comentou que fazer carreira em Hollywood ainda é uma tarefa difícil para os deficientes. “É uma indústria muito negativa e dura com pessoas com deficiência por causa da ideia de perfeição, que tecnicamente não existe”. Atualmente, Mitte faz parte do casting da agência londrina Elite e tem no currículo uma campanha para a Gap.

SEMANA PIONEIRA

Em fevereiro, a atriz Jamie Brewer (30) - a Adelaide Langdon da série “American Horror Story: Coven” - fez história ao ser a primeira mulher com Síndrome de Down a desfilar na Semana de Moda de Nova York, uma das mais visadas do mundo. Ela desfilou para a grife de Carrie Hummer, estilista que está à frente de uma campanha para dar visibilidade às “modelos reais”, verdadeiras representantes das mulheres que compram as peças da marca: altas, baixas, gordas, magras, jovens e velhas.

Em 2014, a fashion designer já havia colocado na passarela uma cadeirante e uma modelo com próteses de braço e perna. Jamie Brewer, que acaba de ser apresentada por ela ao universo das top models, comentou a experiência: “É uma verdadeira inspiração ser um modelo para todas as mulheres e incentivá-las a serem quem realmente são”.

IMPERFEITO NA MODA

A New York Fashion Week, abriu outro precedente importante na edição deste ano: o personal trainer e modelo britânico Jack Eyers, de 25 anos, foi reconhecido como o primeiro homem amputado a desfilar no evento. Ao lado de outras modelos cadeirantes, ele exibiu os novos looks do estilista italiano Antonio Urzi, queridinho de cantoras como Beyoncé e Lady Gaga.

Eyers, que perdeu a perna aos 16 anos, encarou o desfile como um grande avanço para ele e para a indústria da moda. “Muitos temem que desfilemos porque não querem chocar o público. Têm medo, não sabem como nos empregar, como se apresenta uma roupa em uma pessoa em cadeira de rodas ou com um membro amputado. Não querem também que o modelo apareça mais do que as roupas”.

Para Antonio Urzi, que se tornou o primeiro estilista a produzir uma coleção de alta-costura para deficientes, a defesa pela diversidade de belezas no mundo da moda passa pela aceitação do imperfeito. “As grandes marcas deveriam começar a pensar de forma diferente e contribuir, porque o mundo está cheio de deficientes que querem aparecer como nós”, opinou o italiano.

PARA A DIESEL

A Diesel escalou a modelo canadense Winnie Harlow, diagnosticada com vitiligo aos quatro anos de idade, para estampar a campanha primavera-verão 2015 da marca. Sem nunca desistir do sonho das passarelas, apesar de toda a discriminação que enfrentou na infância, Winnie acabou reconhecida após a participação no reality show America’s Next Top Model.

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