Domingo, 21 de Julho de 2019
Vida

Desarmonia na dança: artistas contra a centralização do festival no interior

Os artistas questionam ainda a forma de tomada da decisão: “A SEC deveria tomar decisões fundamentais [...] com a participação e o diálogo efetivo de todos que contribuem concretamente para o desenvolvimento da dança no Estado”, pontuam



1.jpg Os artistas questionam a forma de tomada da decisão
11/07/2013 às 12:17

Está definido: a nova edição do Festival Amazonas de Dança (FAD) será realizada no município de Novo Airão (a 115 quilômetros de Manaus), de 14 a 17 de agosto, com encerramento no Teatro Amazonas no dia 18. Mesmo antes de ser tornada decisão, no entanto, a proposta aprovada em conjunto pela Associação dos Profissionais de Dança do Amazonas (Aprodam) e Secretaria de Estado de Cultura (SEC) desagradou algumas companhias da capital, que se opõem à mudança e à forma como ela foi definida.

A proposta de levar o FAD para o interior faz parte de uma política do Governo do Estado de levar atividades da capital para o restante do Amazonas, segundo aponta Augusto (Guto) Domingos, bailarino e atual presidente da Aprodam. “A iniciativa da SEC busca deslocar não só o FAD, mas outros festivais. Diante disso, convocamos a categoria e discutimos”, declarou ele, afirmando que houve “resistências”.

“Ainda está havendo, mas temos o consenso de uma boa parte do movimento de que isso é importante. O pessoal se ressente do afastamento do Teatro, mas precisamos entender que são eventos do Estado do Amazonas, pertencem tanto à capital quanto do resto do Estado”.

Segundo Domingos, não se trata de uma perda para a categoria, pelo contrário. “A solução que encontramos esse ano foi essa. A proposta da SEC e da Aprodam é fazer o festival no interior, sem perder o vínculo com Manaus”, afirma.

Preocupação

Artistas que desaprovam a mudança, por outro lado, manifestam preocupação com questões como as condições disponíveis no município escolhido, por exemplo. “As cidades do interior estão preparadas para receber os trabalhos cênicos e os artistas de Manaus?”, questionam representantes de três companhias, numa carta protocolada ontem junto à SEC.

Os artistas questionam ainda a forma de tomada da decisão: “A SEC deveria tomar decisões fundamentais [...] com a participação e o diálogo efetivo de todos que contribuem concretamente para o desenvolvimento da dança no Estado”, escrevem).

E questionam a validade da iniciativa de “interiorizar” o FAD: “Por que o Governo do Amazonas e a SEC não investem na interiorização das artes cênicas no Amazonas nos 365 dias do ano?”, afirmam eles, que se dizem dispostos a contribuir desde que a capital não fique de lado: “Entendemos que a mesma (Manaus) ainda carece de acesso e de informação sobre nosso ofício artístico”.

Manifesto

A carta-manifesto entregue à SEC é assinada pelos artistas Francisco Rider, Damares D’Arc (Projeto Cênica Corporal Uma), Francis Baiardi, Fabiola Bessa, Alessany Negreiros, Ana Carolina Souza (Contém Dança Cia) e Ricardo Risuenho (Cia de Intérpretes Independentes).

Trecho

“Qualquer iniciativa cultural demanda preocupação com a parte de logística e estrutural. Se em Manaus já não temos espaços culturais apropriados para apresentações cênicas, fora o Teatro Amazonas, imagine-se no interior, que em geral, não possui política cultural contínua. As cidades do interior estão preparadas para receber os trabalhos cênicos e os artistas de Manaus? Estamos à disposição para construção, juntamente com a contribuição de todos os envolvidos no ofício artístico no Amazonas, de uma política de interiorização da dança, desde que as nossas necessidades e ações atinjam também a cidade de Manaus (...) Pensamos que a transferência do Festival para o interior é uma total falta de respeito com os artistas e a população manauara.”

Da carta assinada por companhias de dança de Manaus

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