Domingo, 13 de Outubro de 2019
Vida

Desenvolvimento emocional dos pequenos pode partir dos tão queridos objetos-mascote

Para quem acha que é puro capricho infantil, está enganado: paninhos, ursinhos e brinquedos inseridos neste contexto podem trazer benefícios aos filhos



1.gif Fernanda pinta e borda na companhia de Shadow, seu macaquinho de pelúcia
08/02/2015 às 12:12

Seu filho com certeza deve ter tido, na infância, um objeto-mascote. Que levava e exibia a todo e qualquer lugar – uma espécie de depósito de confiança inseparável. Para quem acha que é puro capricho infantil, está enganado: paninhos, ursinhos e brinquedos inseridos neste contexto são fundamentais para o desenvolvimento emocional dos pequenos. Os pais, contudo, podem respirar sossegados e precisam estar atentos aos benefícios que os “amigos do coração” dos filhos trazem. E saber, inclusive, dosar a mão para que a criança não fique dependente do objeto por muito tempo.

A empresária Rosane Calderaro passa por isso em casa. Os filhos André, de 7 anos, e Fernanda, de 11 meses, não desgrudam de seus xodós. “Ela tem uma bonequinha super simples que ela chama de ‘Neném’ e tem o Shadow, o macaquinho que era do irmão quando pequeno. O maior apego de André depois de grande é a bola”, destaca ela. Ela lembra inclusive em que momento a paixão da filha pelo seu objeto nasceu. “Há uns 3 meses. Logo após meu retorno de uma viagem que fiz e a deixei com a babá na casa da minha mãe. Mamãe a ensinou a ‘nanar a neném’ e hoje ela escuta a musiquinha e nana a boneca. Ela nunca mais desgrudou. Quanto ao Shadow, Fernanda adora se jogar sobre ele. Fica eufórica quando o vê e o agarra, se joga, aperta... parece a Felícia”, descreve a mãe.

No caso de André, Rosane afirma que o garoto podia levar, no colégio anterior, brinquedos nos dias de sexta, e lá se apaixonou por esportes. No novo colégio, ele não pode nem levar nem a bola e nem ir de chuteira. “Agora ele está bem chateado. Mas quando ele chega do colégio, André já coloca o uniforme do Brasil ou do Barcelona e vai treinar. É diário”, diz Calderaro. O menino diz que quer ser Neymar, mas a mãe diz a ele que para sê-lo, é preciso ter faculdade e falar inglês fluente. “Ele me disse uma vez que Neymar não tinha faculdade e eu disse que tinha. Mentirinha de incentivo”, diz a mãe, aos risos, lembrando que faz o filho priorizar os deveres de casa e escola para poder interagir com a bola. “Ele sabe que tem hora para tudo”, comenta.

Divisão

Ao contrário da boneca e macaco de Fernanda e da bola de André, os irmãos Noah, de 6 anos, e Gael, de 1, não desgrudam de um travesseirinho, carinhosamente batizado de Lilito. “Isso acontece desde a maternidade. A avó deles fez o Lilito de cada um e uma penca de capinhas. O Noah dorme cheirando a pontinha e o Gael dorme abraçado. O mais novo sai arrastando pela casa toda, o que faz a gente sempre ter que trocar a capa. O mais velho só não o leva para a escola porque entende que não pode”, destaca o pai, o músico Rosivaldo Cordeiro.

O pai, contudo, não considera o vício em Lilito uma atitude prejudicial aos filhos. “Eu sou apaixonado pelos meus instrumentos e se pudesse, ia com eles para todo lugar”, ressalta. Brincadeiras à parte, ele revela que o equilíbrio do sono dos filhos é garantido pelo bendito travesseiro. “O importante é na hora de dormir. Se não tiver (o travesseiro) é cruel. Lilito é o passaporte para o parquinho do sono, eu costumo dizer. Sem Lilito não rola, é uma guerra. Já aconteceu vezes em que esquecemos do item, aí foi ‘brabo’. O Noah já está ‘relax’ agora com 6 anos, mas antes ele dava uma briga federal. E o Gael, além do dele, ainda pega o do Noah”, confessa Rosivaldo.

Construção

Cada fase do desenvolvimento infantil é preenchida por estes “amigos do peito”, revela a psicóloga Alessandra Pereira, do Literatus. “Isso tem uma função específica para a criança de até 2 anos, onde esse item é chamado de objeto de transição. É um objeto que a criança adota e que transmite a ela uma segurança ou um aspecto emocional que ela sente na presença dos pais ou cuidadores. Isso é comum na escola: crianças entrarem no maternal e, ao primeiro contato com pessoas estranhas, acabarem levando um paninho, chupeta ou até um ursinho de pelúcia. A criança passa a entender que o objeto lhe dá segurança e confiança para lidar com o momento novo, de medo e descoberta”, pondera.

Quando a criança fica mais velha, por volta de 5 ou 6 anos, estes objetos começam a assumir uma outra função, chamada pela psicóloga de função relacional. “É como quem tem um amiguinho mesmo. Pode ser porque a criança convive com poucas crianças e passa a existir uma coisa muito mais de relação do que de um brinquedo”, diz. E a criança só vai enxergar o objeto como um brinquedo de fato quando ela trabalhar com o item de uma forma diferente. “Quando eles começarem a sentar para brincar e dar comida para o item, os pequenos vão entender que é isso que fazem com eles e vão replicar a ação ao objeto. Isso tem grande função no desenvolvimento emocional”, afirma.


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