Quinta-feira, 05 de Dezembro de 2019
DÉCOR

Design indígena: livro reúne bancos produzidos por diferentes etnias brasileiras

A coleção mostrada no livro abrange mais de 200 peças de madeira produzidas por povos de várias regiões do País



vida0316-45f.JPG Mayawari Menihaku, do Parque Indígena do Xingu, participou do lançamento do livro e da mostra na SP-Arte
17/04/2017 às 13:31

Eles podem ser individuais ou coletivos e ter uso cotidiano ou ritualístico. Em diversos formatos e tamanhos, os bancos indígenas começam a ser reconhecidos como uma preciosa contribuição dos povos originários para o design brasileiro. 

Mais de 200 dessas peças, produzidas por artistas de 26 etnias do País, podem agora ser vistas no livro “Bancos indígenas do Brasil”, lançado recentemente na feira internacional SP-Arte. Estão lá peças do Alto e Baixo Xingu, do norte do Pará e Guianas e dos Tukano do Alto Rio Negro, no Amazonas – todas pertencentes à Coleção BEĨ.



A reportagem conversou por telefone com o artista xiguano Mayawari Menihaku, que foi iniciado na arte de produzir bancos pelo pai, ainda na infância. “Ele ensinou meus irmãos e primos, e a gente vem praticando desde então. Outros artistas também nos auxiliaram a melhorar o design e a estética do trabalho”, conta ele, fornecedor de bancos para lojas e colecionadores de São Paulo e de outras partes do País.

O artista explica que cada banco tem uma simbologia particular e pode ter diferentes usos: há os familiares, os individuais, os exclusivos para o pajé e o cacique, etc. “Cada povo e artista tem sua prática própria, mas costumamos usar as madeiras boas, que não racham, como piranheira, sucupira e Moreira. É tudo manual, no olho, não tem nada de tecnologia”.

O trabalho de corte das madeiras é feito pelos homens, enquanto as mulheres auxiliam na finalização das peças, lixando e pintando cada uma com grafismos ou outros ornamentos. As que chamam mais atenção são as zoomórficos, que representam diferentes animais da fauna brasileira – da onça e capivara à anta, jacaré e tracajá.

Para Mayawari, as peças são uma demonstração de que a criatividade dos artistas indígenas vem encontrando seu público fora das comunidades. “É importante mostrar o nosso trabalho para que ele seja valorizado e reconhecido. Agora estamos divulgando e conhecendo novos clientes, eles se dizem apaixonados pelos bancos. É bonito esse retorno”, diz.

"Bancos indígenas do Brasil"

Livro foi escrito com a colaboração de especialistas de várias áreas, como a designer Claudia Moreira Salles, o artista plástico Sergio Fingermann, a curadora e consultora de design Giovanna Massoni, de Bruxelas, e a arqueóloga Cristiana Barreto, da Universidade de São Paulo. Obras custa R$ 90 e está à venda em http://bei.com.br.


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