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Diário da Venezuela #1: um refúgio paradisíaco na pátria Bolivariana

Perfeito refúgio das agitações urbanas, local é retiro para a alma, o corpo e a mente. Confira a primeira de três crônicas de viagens sobre o país caribenho 11/02/2016 às 15:10
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Playa El Agua é uma das maiores praias da ilha e tem esse nome por conta da cor excepcional de seu mar
Luiz Guilherme Melo Isla Margarita (Venezuela)

A paráfrase “o que acontece em Margarita, fica em Margarita” funcionaria bem na magnífica ilha venezuelana (localizada no Mar do Caribe, distante a menos de meia hora de voo de Caracas, capital da Venezuela) se esta não dormisse, como os grandes centros culturais do mundo. Mas não. O dia a dia da ilha se assemelha, e muito, à rotina de qualquer cidade interiorana brasileira. Ou seja: Margarita dorme cedo e acorda tarde, mesmo em alta temporada.

Em miúdos, os estabelecimentos comerciais abrem por volta das 10h da manhã e começam a fechar às 20h (as praças de alimentação dos shoppings costumam funcionar até as 22h).

A Isla Margarita não é uma Las Vegas sul-americana, como muitos pensam. Esqueça aquela ideia de uma vida noturna pujante, com multidões caminhando nas calçadas em ritmo frenético, em meio a abundantes fachadas de neon, com ofertas de bares e restaurantes pra todos os lados.

De dia e de noite, exceto em Porlamar, cidade localizada no centro da ilha, a tranquilidade das ruas prevalece (à noite, então, são escuras e desertas, portanto, perigosas a turistas). Isso combinada com a internet escassa e lenta, faz do lugar um perfeito refúgio das agitações urbanas. Um retiro para a alma, o corpo e a mente.

A ilha tem uma rica história, que começou com a chegada de Cristóvão Colombo, em 1498, no século XV, quando os índios guaiqueries habitavam o lugar. Os colonizadores europeus logo se encantaram com a quantidade de pérolas que encontraram no local (que rendeu à ilha o apelido “Pérola do Caribe”), e se apressaram em fortificar a nova possessão para protegê-la dos ataques de piratas, dando início à colonização, que teve reflexo direto no idioma.

Parte dessas construções segue preservada até os dias de hoje, como o Fortín de la Galera, localizado em Juan Griego (que na realidade é uma cidadela, e não um bairro, como muitos pensam). 

A região desempenhou um papel importante na história da Venezuela no começo do século 19, quando se tornou a primeira parte do território venezuelano a se tornar independente da Espanha.

Foi lá, inclusive, que Simón Bolívar (figura histórica importante, cuja imagem pode ser encontrada em qualquer esquina) foi declarado comandante em chefe de todo o país, em 1816, e iniciou a campanha que levaria à libertação de Colômbia, Equador, Peru e Bolívia do domínio espanhol.

Mesmo com tantas narrativas célebres para contar, são as praias de águas cristalinas ora azuladas, ora esverdeadas, que monopolizam a atenção dos visitantes (“turistas não ligam para a história daqui”, nos disse um simpático taxista – uma triste constatação).

Há, na ilha, cerca de 82 belas praias ao longo de mais de 170 quilômetros de litoral, o que a torna, naturalmente, um dos principais destinos turísticos da Venezuela. Tem pra todos os gostos: praias grandes e pequenas, com e sem ondas, profundas e rasas, cheias e vazias.

Boa parte dos turistas (a maioria esmagadora de brasileiros) costuma visitar a praia El Yaque, ideal para a prática de windsurfe (um esporte radical que eu tentei praticar, sem sucesso considerável).

No entanto, existem outras praias bastante famosas na ilha, como a Parguito (que tem um monte que nos proporciona uma visão espetacular), El Agua, (a de mais fácil acesso, talvez, e uma das mais procuradas) e Guacuco (a que achei a mais tranquila e a que mais massageou minh’alma).

Foi em Playa El Agua o meu primeiro contato sensorial com o mar. E a primeira vez, não poderia deixar de ser, eu nunca esquecerei. Como um bom “noob”, tomei “uns belos caldos”, uma expressão praiana que significa ser arrastado ou perder o equilíbrio por causa de uma onda forte, que faz o banhista beber um pouco de água. Mas logo peguei a manha e voltei a ser uma criança, que não se cansa de uma diversão recém-descoberta.

E lá estava eu, surfando sem prancha, caindo, levantando-se, embolando-se nas águas numa profusão de pernas e braços, voando na crista da onda. Compreendendo de uma maneira profunda o porquê do mar inspirar tanto os poetas – estando nele ou de frente pra ele. E lembrando, de repente, os versos de Dorival Caymmi: “É doce morrer no mar/Nas ondas verdes do mar”.

Peço uma breve licença ao poeta: doce mesmo é voar no mar.

Amanhã vamos falar sobre o turismo de compras naquela que já foi uma zona de livre comércio. 

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