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Dicionário ensina 'sinais' aos Sateré-Mawé

Professor de Parintins cria o primeiro minidicionário em português e linguagem de sinais para indígenas surdos 29/07/2016 às 10:10
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Professor e mestre Marlon Jorge Silva lança Minidicionário Trilíngue hoje, na UEA (Fotos: Euzivaldo Queiroz)
Natália Caplan Manaus

Embora o português seja o idioma oficial do Brasil, há aproximadamente 274 dialetos indígenas falados no País — sem contar as de tribos isoladas. Na época em que Pedro Álvares Cabral desembarcou em solo tupiniquim, há 516 anos, eram 1,3 mil. Agora, imagine a dificuldade de índios surdos em conservar e se comunicar por meio da língua materna. Essa realidade inspirou a criação do Minidicionário Sateré-Mawé, Português e Libras.

Resultado da pesquisa de três anos do mestrado do professor Marlon Jorge de Azevedo, 51, o livro é o primeiro a disponibilizar a Língua Brasileira dos Sinais em um idioma indígena. O lançamento será nesta sexta-fera, 29, às 18h, no auditório da Escola Normal Superior da Universidade do Estado do Amazonas (ENS/UEA). O evento é gratuito e a publicação será vendida no valor de R$ 40.

“A ideia surgiu devido minhas observações, principalmente, nos municípios de Parintins, Barreirinha e Maués. Vi a necessidade de valorização e respeito à língua nativa Sateré-Mawé. Se tratando de educação indígena, há necessidade de um material que sirva de guia para até mesmo para os professores. A maioria é da zona urbana e precisa conhecer mais a língua nativa para dar aulas”, disse.

experiência pessoalNatural da ilha Tupinambarana, o escritor ficou surdo aos dez anos de idade, sequela de uma meningite grave. Porém, teve oportunidade de aprender a se comunicar por sinais somente aos 17 anos. Aos 21, mudou-se para Manaus, onde decidiu se dedicar ao curso de Letras e Artes para lecionar. Ele espera que o material ajude a sociedade, principalmente as escolas com alunos indígenas, a conhecer e respeitar mais esse povo.

“No mapeamento feito durante a minha pesquisa, localizei dez indígenas surdos, entre jovens e adultos. Alguns estudam, mas nenhum deles conhecia a Libras. No caso dos alunos indígenas surdos, a maioria não conhece o próprio dialeto e, com a linguagem de sinais, que é mais fácil, eles poderão adquirir o conhecimento lingüístico materno”, declarou. “A comunidade Sateré-Mawé está muito contente, pois esse livro vai ajudar muito a interagir”, completou.

Concursado pela UEA para lecionar Libras na terra natal, o professor escolheu como tema da dissertação “Mapeamento e contribuições linguísticas do professor surdo aos indígenas surdos Sateré-Mawé na microrregião de Parintins”. Segundo Azevedo, o objetivo era de aprofundar o conhecimento linguístico e contribuir com os indígenas surdos. “Continuo a pesquisar, porque fico observando como eles, indígenas e surdos, irão desenvolver a Libras”, enfatizou.

“Queria voltar para minha casa. Considero esse minidicionário uma parte da pesquisa, pois estou finalizando outra parte que é a dissertação, o mapeamento e os contatos durante as viagens à comunidade. Devo terminar e lançar em até três meses”, informou.“Sou muito grato ao meu orientador, doutor Valteir Martins, e à comunidade Sateré-Mawé, que acreditou na pesquisa, abrindo as portas para as terras indígenas”, concluiu.

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