Mulheres do Cinema Amazônico

Diretora e atrizes nortistas falam sobre a participação feminina nas produções audiovisuais

Roda de conversa sobre representatividade feminina da 4ª edição do Festival Olhar Norte acontecerá neste domingo (23), no Palácio da Justiça, em Manaus

Gabrielly Gentil
22/01/2022 às 13:53.
Atualizado em 08/03/2022 às 16:06

(Rosa, Sabrina e Isabela. Fotos: divulgação)

Quantas diretoras ou ainda atrizes protagonistas do cinema na Região Norte você conhece? Provavelmente algumas, mas não o suficiente para se comparar com a presença masculina em cargos de liderança de produções cinematográficas. Ainda hoje, pouco é discutido sobre a representatividade feminina no cenário audiovisual nortista. Foi pensando nessa questão, que a quarta edição do Festival Olhar do Norte trará talentosíssimas mulheres do cinema amazônico para uma rica conversa sobre o assunto e será realizada neste no domingo (23), das 14h30 às 16h, no Palácio da Justiça. Entre as convidadas estarão a diretora Sabrina Trentim (TO) e as atrizes Isabela Catão (AM) e Rosa Malagueta (AM).

A roda de representatividade feminina abordará temas importantes, como por exemplo, o baixo nível de mulheres diretoras com filmes selecionados para festivais. A propósito, Sabrina, Isabela e Rosa Malagueta são algumas das mulheres nortistas a representar a classe no Festival Olhar do Norte.

Artista multifacetada

A atriz e humorista Rosa Malagueta irá conduzir a roda de conversa, a partir de sua experiência de mais de 30 anos de carreira artística. A artista é referência, não só, como atriz de cinema e teatro, mas também em figurinos, direção de espetáculos, maquiagem, cenografia, sonoplastia, projetos culturais, roteiros e canto. Malagueta atua no filme ‘A Benzedeira’ de Wallace Abreu, que foi selecionado para o Olhar do Norte, e ela também contribuiu com a direção dessa produção.

“A benzedeira é o filme de uma história que eu contei pro Wallace, ele escreveu o roteiro; uma homenagem que eu faço a minha avó, que era mãe de santo, benzedeira. Fazer esse curta foi muito bonito, tô muito orgulhosa, já ganhei prêmios com ele”, ressalta.

Embora as mulheres ainda tenham muita dificuldade em serem inseridas, reconhecidas e respeitadas no universo cinematográfico, Malagueta acredita que o cenário está mudando. “Onde tiver mulher a frente, sempre vai existir preconceito, seja no cinema ou em qualquer área da nossa vida. Mas, o cinema nacional, a produção local, mundial, tá perdendo esse preconceito com as mulheres da sétima arte. Eu acho que a gente tá indo bem, sendo bem aceitas, não tem mais tanto preconceito como antigamente. Estamos de boa agora, pra surfar nessa onda do cinema, sendo uma protagonista, uma diretora de filmes, no áudio, na direção de arte”, comenta.

Quebra de estereótipos

A atriz Isabela Catão participa dos filmes ‘Enterrado no Quintal’ e ‘Terra Nova’ de direção de Diego Bauer, por quem foi convidada. Para ela, representatividade é quebrar todo e qualquer tipo de estereótipo da mulher da Amazônia. “Nós somos mulheres muito plurais, se você for caminhar da Zona Norte pra Zona Leste, vai ver essa pluralidade de pessoas. As mulheres artistas, eu sinto que é a mesma coisa; têm mulheres que gostam da linguagem da palhaçaria; da linguagem do cinema; do teatro musical; cada uma delas consegue trabalhar pra fazer seu melhor dentro dessas linguagens, e eu tento fazer isso no cinema”, destaca.

Conseguir um espaço fora de Manaus, ainda é um grande desafio para a atriz. “O maior desafio que eu encontro no mercado cinematográfico é conseguir um espaço maior, sem ser uma atriz indígena, sem colocar no meu perfil que eu sou uma atriz indígena. Eu sou mulher nortista, eu sou uma atriz nortista com descendência indígena; não falo nenhuma língua, e respeito muito todas essas mulheres, atrizes indígenas, mas nesse momento eu me coloco como atriz nortista”, enfatiza Catão.

O que poderia ter sido apenas um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) tomou proporções maiores. O filme ‘Meu coração é um pouco mais vazio na cheia’ dirigido por Sabrina Trentim, além de ter ganhado o prêmio de melhor curta-metragem paranaense no 13º Festival de Cinema da Lapa, agora, estará no Festival do Norte. A jovem tocantinense é graduada em Cinema e Audiovisual pela Faculdade de Artes do Paraná, um dos campi da Universidade Estadual do estado.

“Eu formei aqui no Sul, meus amigos da área são aqui do Paraná, a faculdade me apresentou muita gente maravilhosa do cinema, incluindo minha orientadora; foi a faculdade que me lapidou, foi a vivência aqui em Curitiba que me lapidou, mas eu sou Tocantinense, então ver esse filme passando em Manaus, é de uma alegria imensa”, enfatiza Trentim.

Sabrina também representa as mulheres do Cinema Amazônico, que são destaque, não só, na Região Norte, como em todo o Brasil. “Eu represento todas nós que estamos aqui, batalhando por um lugar ao sol no audiovisual, que é uma área bem machista né!? Tem muitos homens em cargo de chefia, cargo de técnica; a grande maioria é homem. É muito importante essa representatividade, pois, a gente tem que ocupar esse espaço, também temos direito de contar as nossas histórias, de fazer os nossos filmes, de colocar o nosso olhar ali”, ressalta.

Destaque

‘A Benzedeira’ foi premiado no Cine Alter 2021, nas categorias de Melhor Filme do Júri de Curta-Metragem, Júri Popular e Atriz com Rosa Malagueta.

Saiba mais

# Isabela, 28 anos, integrou durante cinco anos (2014-2019) o elenco fixo da cia de Artes Cênicas Ateliê 23 como atriz dos espetáculos. E como assistente de direção, contribuiu com os espetáculos Janta e Vacas Bravas. No cinema trabalhou como atriz nos curtas metragens A Goteira, O Barco e o Rio, Enterrado no quintal, Terra Nova.  Na TV fez em 2017 a novela da rede globo A força do querer e 2018 na Série Aruanas da produtora Maria Farinha Filmes.

# Sabrina trabalha com produção audiovisual e produção cultural, é pesquisadora na área de cinema e educação e apaixonada por cinema de ensaio. Apesar de já ter dirigido vários exercícios e cenas durante e após a graduação, considera o filme “Meu coração é um pouco mais vazio na cheia” a sua primeira obra como realizadora.

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