Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
Vida

Diretores elegem Manaus como pano de fundo para produções de cinema

Sérgio Andrade e a paulista Beatriz Seigner passaram a última semana juntos em Manaus, tempo que usaram para dar continuidade aos seus próximos projetos



1.gif Sérgio e Beatriz se conheceram no Festival do Rio de 2012
11/06/2013 às 11:47

Conhecido como um dos principais pontos de convergência do cinema internacional em terras brasileiras, o Festival do Rio de 2012 marcou o encontro entre o amazonense Sérgio Andrade e a paulista Beatriz Seigner, dois novíssimos cineastas que compartilham o gosto pela verve mais artística da Sétima Arte. Os diretores passaram a última semana juntos em Manaus, tempo que usaram para dar continuidade aos seus próximos projetos, que vão se passar na cidade.

Após rodar diversos festivais nacionais e estrangeiros com o premiado “A Floresta de Jonathas”, Andrade se prepara para filmar seu segundo longa, “Antes o tempo não acabava”, contemplado em editais da Petrobras e da Ibermedia. O filme é uma coprodução entre a Rio Tarumã Filmes, do amazonense, e a carioca 3 Moinhos Produções.



Segundo o diretor, a produção está na fase de seleção do ator principal. “É um trabalho que estamos fazendo antecipadamente, porque o Anderson é um personagem complexo e a intenção é trabalharmos com um não-ator, por isso vamos ter que prepará-lo muito bem”, comentou Andrade, fazendo referência ao protagonista do seu novo drama, um jovem indígena que troca sua comunidade na periferia de Manaus pelo Centro da cidade.

Na última semana, o cineasta fez os primeiros testes com seis jovens da cidade. “Gostei muito do resultado, mas ainda não dá para dizer quem é. Já vejo grandes possibilidades entre esses candidatos”, explicou ele, acrescentando que a sua vontade é iniciar as filmagens ainda antes da Copa, em 2014.

MAIS SOMBRIO

Segundo Andrade, “Antes o tempo não acabava” terá uma história mais complexa e sombria, em comparação com o seu primeiro longa, de aspecto mais bucólico. “Será um filme mais urbano, com enquadramentos mais intimistas e fechados”.

O diretor acrescenta que, através da história de Anderson, o filme discute as tensões entre tradição e modernidade e o processo de amadurecimento do personagem, que precisa aprender a lidar não apenas com seus conflitos internos, mas também com um novo ambiente.

‘los silencios’

Por conta do seu próximo trabalho, Beatriz Seigner voltou a Manaus dez anos após visitar a cidade pela primeira vez. Ela também está produzindo o segundo longa-metragem de ficção da sua carreira, “Los silencios”, uma coprodução entre Brasil, Colômbia e Índia que também vai contar com a parceria da Rio Tarumã Filmes, de Andrade.

Durante o rasante pela capital amazonense, a paulista pesquisou locações, conheceu pessoas e coletou depoimentos. O filme da cineasta será baseado em outros 80 relatos orais de refugiados latino-americanos no Brasil. “Los silencios” vai contar a história de uma família colombiana que se muda para Manaus depois que o patriarca se finge de morto para receber uma indenização.

“Estou trabalhando nessa história desde 2009, e desde então venho fazendo pesquisas, inclusive na Colômbia”, disse Beatriz, explicando que a ideia do filme surgiu a partir da história da infância de uma amiga. Em Manaus, ela contou com o suporte da pesquisador Lucia Puga, da UEA, autora de uma tese sobre os refugiados na Amazônia Brasileira.

Manaus: o melhor lugar

Segundo Beatriz, no início do projeto pairava uma dúvida se Manaus seria o melhor lugar para as filmagens, uma vez que em São Paulo ela já conta com toda uma infraestrutura. “Manaus entrou no roteiro porque a família entra no Brasil, de barco, a partir de Letícia [cidade colombiana que faz fronteira com o Amazonas]. Agora, tenho certeza que a cidade foi a melhor escolha; imageticamente, isso aqui é uma preciosidade – a arquitetura, a natureza, as pessoas...”.

A diretora também se disse surpresa porque muitos elementos “casaram” perfeitamente com a cidade. Um exemplo: durante sua estadia em Manaus, Beatriz conheceu o dono do restaurante La Finca, no Dom Pedro, comandado pelo colombiano Jorge Elecer Molina. O humor e a aparência dele provocaram na cineasta a imediata associação com um dos personagens do filme, o dono de um bar que ajuda a família de refugiados assim que eles chegam na cidade.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.