Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2020
ENCRESPA GERAL

Discurso de ódio sobre negros e indígenas será tema de evento no sábado (7)

Com início previsto às 13h, a programação inclui roda de conversa, oficina de turbante, oficina de dança charme, sorteios, atração musical, entre outras. Evento acontece no Centro de Convivência Teonízia Lobo (ARAR), no bairro Mutirão, Zona Norte



e2ad626e-3b00-47c4-a2d4-e0a54d4feac4_4D9AD8AC-FB0E-4226-86D4-BBC0EEA3ECE3.jpg Foto: Divulgação/Wallace Modesto
05/12/2019 às 16:38

A violência e a incitação de ódio aos costumes indígenas, e o discurso de intolerância e violência à população negra, é um dos temas abordados na 8ª edição do Encrespa Geral, que acontece neste sábado (7), no Centro de Convivência Teonízia Lobo (ARAR), localizado no bairro Mutirão, Zona Norte, no endereço Rua da Penetração III, s/n, Amazonino Mendes. Com início previsto para às 13h, a programação inclui roda de conversa, oficina de turbante, oficina de dança charme, intervenção artística, exposição fotográfica, sorteios e atração musical.

Presente no calendário cultural e político da capital amazonense, o Encrespa Geral traz ao longo dos anos um público diferenciado e busca incentivar para além do uso do cabelo natural, crespo e cacheado, a valorização da identidade negra, e a discussão acerca de temas como racismo e outros.



De acordo com a idealizadora do evento em Manaus, Jéssica Dandara, a hastag #NãoéSóCabelo, utilizada para identificar o Encrespa Geral, se dá porque além de estimular o uso do cabelo natural, como forma de auto-conhecimento, a organização procura trazer ao debate temas de relevância no cenário político-cultural e social.

“O Brasil foi fundado através da aculturação indígena e através da mão-de-obra escrava de africanos, com isso foi formado um discurso de ódio de que indígenas são insolentes por não quererem aceitar a cultura europeia, ou uma a imagem de que são preguiçosos, de que ser negro é ruim, dentre outros discursos que até hoje acompanham essas populações, por isso consideramos de extrema importância, trazer esta temática ao evento, a fim de dialogar ainda sobre as formas de se combater esse discurso”, disse.


Foto: Divulgação/Wallace Modesto

Em 2019, o evento tem a sua oitava edição, e mesmo com a temática principal voltada ao discurso de ódio sobre negros e indígenas, o debate acerca da estética negra permanece, como explica Dandara. “Ao longo das edições o Encrespa Geral propõe um resgate cultural, histórico e social, ou seja, discutir e valorizar as nossas raízes culturais e estéticas continua sendo um dos principais focos da nossa atividade, visto que ainda hoje é difícil reconhecer a beleza de corpo negro”.

Programação

O Encrespa Geral se evidencia como uma atividade com uma programação fixa, porém que anualmente traz uma série de artistas locais e intervenções culturais, a fim de valorizar seus trabalhos.

Neste ano, a professora de dança, Nanny Rodrigues, ministrará uma oficina de “Dança Charme”, um estilo de dança proveniente do ritmo musical R&B com outros estilos presente nas pistas de dança desde os anos 1970 e mais comum em bailes intitulados “baile charme”, em Madureira, no Rio de Janeiro.

Em seguida, o dançarino e publicitário Victor Felipe fará a apresentação de um solo contemporâneo. “Essa é uma performance que fala sobre  em diversos ambientes. Em cena, eu trago a história de Plínio, um garoto de 16 anos que está trocando de escola e vai passar por diversos preconceitos e encontra na dança sua real identidade”, conta o artista.

Já o performer Vitor Rocha, expõe ao público “Cabô”, um dos projetos do artista que é extremamente importante pra gente refletir sobre a importância de vidas negras. Cabô é por cada menino negro que foi morto pelo Estado, por cada família que viu menino ir, mas não viu menino voltar, é sobre cada sonho negro interrompido por 1, 80 ou 111 tiros. Cento e onze tiros e cabô” (Trecho da Sinopse de "Cabô").

Uma das atividades oficiais do Encrespa Geral e também uma das mais aguardadas é a oficina de turbante, desenvolvida pela professora de artes Luciana Gorgonha, que através do uso do turbante busca valorizar os costumes de matriz africana.


Foto: Divulgação/Wallace Modesto

O show fica por conta do rapper Aruack, um dos artistas mais promissores de Manaus, que com a música “Flow Wakanda”, que fala sobre auto-estima, ganha ainda mais espaço no eventos culturais da cidade. Outra atração cultural é a apresentação de Slam, um estilo de poesia falada, declamada, pela rapper Halaise Asaf.

A programação conta ainda com um Set do DJ Balaclavo, sorteio de livros, um espaço para crianças, e a feitura de tranças nagô, boxeadora e escama de peixe, com preços que variam de R$10,00 à R$30,00, por Ádria Praiano.

Durante todo o evento acontece a exposição fotográfica da artista visual Keila Serruya, com as imagens do ensaio feito para a divulgação da 8ª Encrespa Geral, e uma exposição artística dos quadros da artista Medusa.

Organização e apoio

O Encrespa Geral é um evento que acontece em Manaus desde 2013, e tem a equipe de organização composta por Jéssica Dandara, Karine Pantoja, Amanda Machado, Rafaele Queiroz, Ricelen Monteiro e Zilma Cabral. Essa edição recebe o apoio do Grupo Picolé da Massa, e da artista visual e designer Mendes Auá.  

Outro apoiador da atividade, é o coletivo Coytada Mao, que em novembro promoveu a festa É som de Preto, em parceria com o Encrespa Geral.

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