Quinta-feira, 24 de Setembro de 2020
Música eletrônica

Do AM para o Brasil: DJ May Seven assina contrato com a Universal Musical Brasil

Um dos lançamentos da DJ amazonense no novo selo será o remix da toada "Waia-Toré", hit do Boi-Bumbá Caprichoso no Festival de Parintins de 2019



SR3L0758__682BA922-1ABA-4832-9A29-0B95B2B3FFA9.jpg Além de "Waia-Toré", até o fim do ano haverá mais dois lançamentos pela Universal Musical Brasil, FOTO: Rafael Santa Rosa
14/09/2020 às 17:36

Conhecida no cenário eletrônico como ‘’Jungle Girl’’ (garota da selva, em tradução livre), a produtora cultural May Seven atua como DJ há pelo menos 11 anos. No currículo há participações em grandes eventos musicais, como o Festival Folclórico de Parintins, e trabalhos autorais como o ‘’Made in Amazônia’’ - festa criada por ela. Como o passo mais importante na carreira, ela acaba de ser tornar a primeira DJ amazonense a assinar contrato com a gravadora Universal Music Brasil, por meio do selo DJ Sound Music. O vínculo inicia uma nova leva de lançamentos exclusivos a partir de outubro.

De acordo com May Seven, os primeiros contatos com a gravadora começaram em janeiro deste ano e, segundo ela, após uma negociação feita com tranquilidade, o contrato foi assinado em meados de julho.



“Nos últimos anos tenho viajado bastante, mostrando o meu trabalho em diversas regiões do Brasil. Nessas viagens acabei conhecendo pessoas ligadas às principais gravadoras. No meio da quarentena, recebi o contato da Universal me convidando a fazer parte do time deles. Negociamos sem pressa, o que deu para elaborar um projeto bem sólido. Está sendo um momento muito especial na minha carreira”, contou May Seven, por telefone, ao BEM VIVER.

Entre os primeiros lançamentos pela Universal Music Brasil está o remix da toada “Waiá-Toré”, de Ronaldo Barbosa Junior - hit do Boi-Bumbá Caprichoso (da qual ela é torcedora apaixonada) no Festival de Parintins de 2019. A previsão de lançamento é na primeira quinzena de outubro nas principais plataformas de streaming de música.

“Sou fã da cultura do boi-bumbá. Nada me impedirá de, futuramente, remixar alguma toada do boi contrário [Boi-Bumbá Garantido]”, ela faz questão de ressaltar. “Outros lançamentos serão singles em português e em inglês - “Abra a Porta” e “Let Me Down” – a serem lançados até o final do ano. Vem muitos lançamentos nos próximos meses, pode ter certeza”, adiantou.

Trajetória

Por um longo período, May Seven participou de eventos de música eletrônica para, conforme ela, “adquirir conhecimento técnico” até, enfim, conquistar o seu espaço entre DJs de renome nacional. Até chegar ao contrato com uma das gravadoras mais importantes do mundo, ela comandou a noite em muitas casas noturnas de Manaus e em festivais realizados em diversas partes do País.

Entre as apresentações que deram destaque a May na cena estão alguns eventos regionais como o Holi Music Festival em Rondônia, 7Beats Festival (considerado o maior festival de house music da região Norte) e shows no Copacabana Choperia e 092 Lounge Bar, além de parcerias com o Grupo G7, que atua no ramo de show com bandas e artistas nacionais.

Quando o assunto é inspiração para compor a sua setlist (ou lista de músicas a serem tocadas em uma apresentação), a amazonense não esconde a sua admiração por DJs já consagrados nas pistas mundiais, como Calvin Harris, David Guetta, Hardwell, Martin Garixx, Alok, Fatboy Slim, Tiesto, entre outros. “São nomes que inspiram qualquer DJ da cena eletrônica”, afirma May.

Ciente do seu pioneirismo em um nicho, cujos lugares de destaque ainda são dominados por homens, May Seven não perde a oportunidade de deixar um recado de encorajamento às garotas amazonenses que sonham em trilhar carreira na música eletrônica.

“A profissão [de DJ] é ralada como qualquer outra. Exige escolhas e renúncias. A palavra “resiliência”, com certeza, está muito presente na carreira de um DJ, ainda mais se for mulher. Porém, o mais importante é fazer aquilo que se ama. Não é um mercado de trabalho fácil porque a sociedade ainda não espera que uma mulher comande uma balada. Apesar disso, é possível constituir família e brilhar como DJ ao mesmo tempo - tenho amigas talentosíssimas que são mães. Que estas garotas persistam muito e não desistam jamais dos seus sonhos profissionais”, declarou May Seven para a reportagem.

A DJ May Seven já tocou no Festival Folclórico de Parintins e criou o ‘’Made in Amazônia’’, festas eletrônicas realizadas no meio da floresta. Foto: Gabriel Gardinni

Trabalhos recentes

Em junho deste ano, a DJ amazonense realizou a “May Seven in the Jungle” - transmissão online de um show às margens do rio Negro. Até agora, seu lançamento mais recente foi um remix para a canção “Aonde Vai Chegar”, da banda Ponto de Equilíbrio, em parceria com Malik Mustache e DJ Cia. Com o início do novo momento da carreira, May Seven assegura que não faltarão novidades que levem a cultura amazonense em forma de música eletrônica aos quatros cantos do País.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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