Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
TRAJETÓRIA

Do forró e bolero para o gospel: Marreiro agora é de Jesus

Cantor, que completou 61 anos no último dia 4, passou por graves problemas de saúde nos últimos anos e, convertido, canta louvores



MARREIRO_E5AC60A1-C59D-4406-ABBF-1793DB4F890D.jpg (Foto: Junio Matos)
09/08/2020 às 17:40

Os cabelos não são mais longos e negros, e as orelhas já não trazem como adorno brincos de ouro. O pescoço não tem mais os cordões que brilhavam reluzentes ao fazer “dueto” com os anéis prateados que chamavam a atenção quando ele empunhava os microfones para encantar. Os chapéus, ele não deixou de mão, e quem o ouve, agora nos altares evangélicos, sabe distinguir que está de frente a um homem que era conhecido como “Marreiro, o Tonelada do Forró” e hoje é “Marreiro de Jesus”, o homem que usa o dom da voz para cantar a palavra de Deus.

Edson Marreiro Moreira fez aniversário no último dia 4: completou 61 anos sendo que os últimos 15 foram de batalhas para se manter vivo, num vai e vem constante a hospitais e pronto-socorros. O homem que encantava as multidões desde os 13 anos de idade na banda Peter Pan, que pertencia ao pai Eurídice Moreira Ferreira, já foi camelô e office-boy nas antigas lojas do Centro como Pernambucanas, Embalos Modas e Dulimas Confecções.



Ficou dois anos no Exército. Mas nunca deixou a música. Estudou música, se aperfeiçoou, afinava até instrumentos com a voz. Se apresentou para garimpeiros em Boa Vista. Cantou no Rio de Janeiro e Recife junto com ídolos como Reginaldo Rossi e até fez parte do Galo da Madrugada, considerado o maior bloco do mundo, sendo, o que poucas pessoas sabem, um dos seus primeiros cantores.

Já em Manaus, formou o grupo Marreiro e Banda. Marreiro arrebatava multidões. Virou estrela do forró e do bolero e era requisitadíssimo para apresentações em casas de shows, festas, programas de TV e, claro, ainda cantava na conhecida casa de shows Marreiro, localizada próximo à Bola do Conjunto Eldorado. Foram 17 CDs gravados por ele, com várias músicas autorais.

Revés perigoso

Mas ao passo que a vida de pop star deu para Marreiro a fama, muitas mulheres, dinheiro e uma agenda lotada de compromissos na capital e interior, também trouxe a bebida, o distanciamento dos quatro filhos (Edson Júnior, Erika, Priscila e o cantor de rock Erick Moreira), o consumo de três carteiras de cigarro por dia, as drogas e a obesidade (ele chegou a pesar 148 quilos, daí o apelido “Tonelada do Forró”).

Em certo momento, passou a cantar nos cabarés do Centro Histórico e a dormir, bêbado, no banco das praças. Esquecia da família: teve um total de 11 relacionamentos e quatro filhos.

“Nessa época, meu deus era o meu dinheiro. Mas meus amigos me zombavam, caçoavam, brincando, dizendo que outros cantores, como o Roberto Makassa e o Abílio Farias, já haviam morrido e eu seria o próximo. Eu levava na brincadeira”, disse ele.

A “fatura” com a vida atribulada foi cobrada pelo corpo há 15 anos, mesmo tempo que o seu pai morreu, com o aparecimento da diabete alta, seguida de uma parada cardíaca, o diagnóstico de “coração grande”, abcessos no fígado, pedras nos rins e vesícula e um derrame no lado esquerdo do corpo.

Por três vezes diz ter ouvido o chamado de Deus para se converter ao Evangelho, que se consolidou por 1 ano, até ele deixar a Igreja. Numa das vezes no pronto-socorro, ficou 13 dias em coma. “Eu morri e voltei a viver de novo. Não me lembro de nada. Deus me puxou de volta”, disse ele. Em outra vez, afirma que um médico o deu alta para “morrer em casa pois era melhor”.

Sempre do lado

Após tantas atribulações, uma pessoa nunca o abandonou: a esposa Alcineide Guimarães Marreira de Souza, 49, com quem se batizou e casou na Igreja Evangélica. “Marreiro é um milagre de Deus. Quando eu o conheci ele não estava mais no auge da fama, e nem o via como uma pessoa famosa, mas sim como um ser humano que estava necessitado de carinho. E (esse encontro) foi tão de Deus que eu nem gostava de bolero, mas o conheci em uma casa de shows desse ritmo”, explica a “anjo da guarda” dele.

Já ele fala que os irmãos de Evangelho foram fundamentais para que, ano a ano, se recuperasse das várias mazelas por meio de orações. O andar ainda é comprometido, mas é melhor do que na época em que estava acamado. Marreiro afirma que a locomoção é a única sequela dos tempos ruins, não tem mais as pedras e a diabete está controlada. A voz é mais cadenciada e, na Igreja, retomou o canto, desta vez de hinos e louvores, e ao mesmo que exibe seu talento, também dá seu testemunho de uma nova vida. Sua autoestima melhorou. O sustento, hoje, vem do CD duplo de cânticos gravados já com o nome de “Marreiro de Jesus”, que é comprado pelos fiéis e que é o seu sustento atualmente.

“Hoje em dia eu voltei a cantar. Mas quero gravar um DVD contando meu testemunho de vida”, disse ele, tio do também cantor Elias Moreira, que se destacou no reality “The Voice Brasil”.

“Renunciei a tudo. Vivo para Deus. Tudo na minha vida foi Deus. Se nós estamos aqui é por permissão dele. Ele me deu uma vida nova, estou andando e cantando. Olhei para o espelho e disse que já que o Senhor me deu uma vida eterna e em abundância, eu daqui pra frente, enquanto vida tiver, o louvarei. Que as pessoas se arrependam dos seus pecados”, professa ele, sobre sua fé.

Se você está interessado em colaborar com Marreiro de Jesus, pode entrar em contato com ele pelo fone 99119-3301, que também é whatsapp.

Repórter de A Crítica

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