Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
Vida

Documentário gravado no Pará retrata vida da etnia parkatejê

Durante toda a semana passada, o diretor da produção Paulo Maia e a atriz e ativista Tássia Camargo, uma das grandes entusiastas do projeto, além do cinegrafista Heden Aguilar, visitaram juntos a aldeia parkatejê para imergir no universo mítico da etnia, que na década de 70 chegou a ter apenas 30 membros e hoje já tem cerca de mil indígenas



1.jpg A atriz Tássia Camargo é ativista dos direitos humanos
04/07/2013 às 16:19

A luta pelo reconhecimento do direito indígena na Amazônia acaba de ganhar mais um importante aliado. O documentário “Um sonho sobre o céu parkatejê”, dirigido pelo jornalista, ator e documentarista Paulo Maia, com participação da atriz Tássia Camargo e narração de Paulo Betti, aborda a luta por sobrevivência da etnia parkatejê, que vive no interior do Pará e trava árdua batalha contra a construção da Hidrelétrica de Marabá, projeto que pode culminar na desapropriação das terras indígenas e de prejuízo ambiental irreperável.

Durante toda a semana passada, o diretor da produção Paulo Maia e a atriz e ativista Tássia Camargo, uma das grandes entusiastas do projeto, além do cinegrafista Heden Aguilar, visitaram juntos a aldeia parkatejê para imergir no universo mítico da etnia, que na década de 70 chegou a ter apenas 30 membros e hoje já tem cerca de mil indígenas.

“Nossa ideia é mostrar a realidade que estamos vivendo e questionar se o caminho que estamos tomando é correto. Será que vale mais a pena estarmos presos em escritórios, dirigindo carros de luxo, degradando a água? Ou será que temos muito a aprender com essa gente, que vive num lugar tranquilo e de uma maneira saudável?”, indaga Paulo Maia, que critica também o modelo de captação de energia por meio de hidrelétricas.

“É um modelo ultrapassado, que só é viável financeiramente para os grandes monopólios. Mas o grande problema que vemos é a falta de discussão com a sociedade. É preciso ouvir o que os índios tem a dizer, e a isso se propõe o documentário”, completa ele.

Em entrevista a A CRÍTICA, a atriz Tássia Camargo falou sobre sua experiência pessoal na visita à aldeia. ”Eu filmei, me pintei, dancei, comi da caça e ainda fui batizada pelo cacique da tribo, que tem 115 anos”, diz ela, que, ao final, nem queria ir embora. “Eu fiquei triste de ir embora. Queria ter ficado mais lá”.


Atriz atenta ao problema

Conhecida por personagens marcantes na tevê brasileira, como a Elisa, de “Tieta do Agreste”, Tássia Camargo também é uma ativista dos direitos humanos. Atenta à questão indígena desde que participou da montagem de Antunes Filho para a obra Macunaíma, de Mario de Andrade, ela passou a se dedicar a conhecer o universo indígena brasileiro e a defender o seu direito ao território.

“As pessoas pensam muita coisa errada dos indígenas. Eles não são violentos, mas se alguém tenta invadir sua propriedade, o que você faz? Eles também não são preguiçosos, passam o dia trabalhando. E são mais civilizados, educados, éticos e íntegros do que as pessoas da cidade”, defende a atriz, que passou cinco dias entre os parkajetês.

Ela afirmou ainda que vai levar as reivindicações contra a hidrelétrica de Marabá pessoalmente até a presidente Dilma Rouseff. “Não sou ligada a nenhum partido, mas sou chefe de cerimônia voluntária da Dilma, voto nela e vou votar de novo. Vou agendar uma conversa com ela sobre a questão”, garantiu.

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