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Documentário sobre a Amazônia estreia no programa 'Fantástico' a partir deste domingo (22)

Série 'Amazônia S/A' retrata em cinco episódios dilemas do desenvolvimento econômico sobre a área com a maior biomassa florestal do planeta 17/03/2015 às 14:40
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Projeto é da Pindorama Filmes, de Estevão Ciavatta
ROSIEL MENDONÇA ---

Estreia neste domingo, dia 22, na programação do “Fantástico” (Globo), a série em cinco episódios “Amazônia S/A”, que levará ao público um panorama sobre os impactos do desenvolvimento econômico sobre a área com a maior biomassa florestal do planeta – são cerca de 400 bilhões de árvores confinadas em um espaço que ocupa 61% do território brasileiro. A produção leva a assinatura do cineasta carioca Estevão Ciavatta e marca o retorno dele ao gênero documental após o lançamento do filme de ficcção “Made in China”, em 2014.

Filho de maranhense e com família no Acre e Pará, Ciavatta percorreu mais de 10 mil quilômetros por terra, água e ar captando cenas e depoimentos que vão mostrar uma sociedade que permanece anônima para muitos brasileiros.

Narrados pela atriz Fernanda Montenegro, os episódios de 10 minutos fazem um alerta em relação aos projetos desenvolvimentistas para região e que oferecem riscos não só à biodiversidade (da qual o desmatamento ilegal é o principal vilão) como também às populações tradicionais.

O diretor conta que a ideia de “Amazônia S/A” remonta ao ano de 2002, quando ele filmou pela primeira vez na região. “Em 2004 fiz outra série sobre a Amazônia e tive contato com muita gente que trabalha aí. De uns quatro anos para cá, comecei a me dedicar mais a esse projeto, e o start partiu até de uma capa da Folha de S. Paulo que dizia que a Amazônia era o motor do desenvolvimento brasileiro”, conta Ciavatta, casado com a apresentadora Regina Casé.

Segundo ele, as filmagens se concentraram no chamado “arco do desmatamento”, entre os estados do Pará e Rondônia. “Percorri a BR 163 inteira, conhecida como a veia do desmatamento, visitei um quilombo, duas tribos indígenas, assentamentos, reservas extrativistas e muitas cidades. Nesse caminho, ouvimos diversos atores sociais. A ideia é que essa série promova uma ágora de discussão entre as pessoas que pensam e se preocupam com a Amazônia”, completa o diretor, citando as entrevistas com o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro e o cacique Juarez, do povo Munduruku que habita a região do Tapajós, no Pará.

CONHECIMENTO

O mote de “Amazônia S/A” é o pensamento desenvolvimentista e tudo o que ele traz de bom e ruim. “Desenvolvimento deveria ser pensado como progresso social e não só econômico, que é uma coisa que restringe as conquistas”, opina. Porém ele se mostra pessimista. “Ao mesmo tempo, posso dizer que ainda não atingimos o ponto crítico do desmatamento e da degradação, por exemplo. O alerta é nesse sentido”.

Para Ciavatta, um caminho possível é o do conhecimento. “Tem que ter mais investimento. A Amazônia inteira tem menos PhDs que a Universidade de São Paulo (USP). Da mesma forma, o Brasil come a carne, usa a madeira e veste o algodão produzido aí, mas as pessoas não sabem disso. Qualquer pessoa aqui do Sudeste não está nem aí, por isso se trata de uma sociedade ainda anônima. São muitas Amazônias”, diz.

Série vai até abril

No episódio 2 da série, que será exibido em 29 de março, será a vez de apresentar a história da ocupação da Amazônia nos últimos 45 anos, quando foram desmatados quase 20% da região, sem que isso tenha trazido melhoria na qualidade de vida dos cidadãos. O terceiro episódio da série será sobre a Amazônia como a principal fronteira agrícola do Brasil, onde soja, milho e algodão são cultivados em grandes extensões de terra, forçando os limites da floresta.

O penúltimo episódio, que será exibido dia 12 de abril, vai mostrar o modelo econômico pensado para tornar a Amazônia o maior produtor brasileiro de minério, energia elétrica, soja, carne, dendê e madeira, itens estratégicos para o crescimento da economia do País e do mundo. O último episódio, “O Brasil do Futuro e o País do Presente”, vai levantar questões sobre o futuro da região, políticas governamentais nas três esferas, o que mudou com o Código Florestal e exemplos de desenvolvimento sustentável.

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