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DIVA

Dona Onete: a história da a ex-professora que 'ensinou' carimbó aos gringos

Com shows marcados nos Estados Unidos e na Europa, especial produzido pela BBC, documentário no Canal Brasil e novo disco prestes a sair do forno, Dona Onete vive o auge da carreira aos 77 anos de idade 19/04/2016 às 09:19 - Atualizado em 28/04/2016 às 15:33
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A diva do carimbó chamegado mostra para o mundo que a música amazônica pode ser tão universal quanto a beleza de sua paisagem e se prepara para lançar seu segundo disco, Banzeiro, pelo Natura Musical
Felipe Wanderley Manaus (AM)

De Gaby Amarantos ao tecnobrega, a música feita no Pará tem ecoado longe. Felizmente, os ritmos tradicionais do interior da Amazônia, símbolos de resistência cultural na região, também têm recebido os merecidos louros dessa glória mais recente. No embalo do carimbó, do lundu, do siriá e de outros gêneros de raiz do Norte brasileiro, uma representante legítima dessa tradição musical tem ajudado a levar o som dos beiradões amazônicos, com o seu próprio tempero pessoal, para o mundo ver e ouvir.

Com shows marcados nos Estados Unidos e na Europa, especial produzido pela BBC, documentário no Canal Brasil e novo disco prestes a sair do forno, Dona Onete vive o auge da carreira aos 77 anos de idade. Mais de sete décadas após ouvir pela primeira vez os ritmos que influenciam sua obra nos beiradões do Igarapé-Mirim, a diva do carimbó chamegado, ritmo criado por ela que agregou mais sensualidade e humor ao ritmo típico do Pará, mostra para o mundo que a música amazônica pode ser tão universal quanto a beleza de sua paisagem.

“Acho que tinha uns nove ou dez anos quando ouvia os negros cantando nos engenhos, no interior de Igarapé-mirim”, disse a cantora, compositora e professora de História aposentada, que gravou seu primeiro disco com mais de 70 anos. Com a alegria, a simplicidade e o bom humor que lhe são peculiares, Dona Onete conversou com a reportagem do Bem Viver pelo telefone e falou sobre o novo disco, “Banzeiro”, sobre o sucesso que vem atingindo dentro e fora do Brasil e a influência dos ritmos que ela ajudou a resgatar e renovar.

“Porque só no ritmo que toca aqui (no Pará), (a) pau e corda, não tem condição”, diz ela, que incorporou novos elementos sonoros aos ritmos tradicionais, acrescentando também letras com métrica mais extensa do que tinham as composições populares de tempos atrás. Assim, atualizou os gêneros tradicionais e conquistou públicos de todas as idades e regiões. “Nesse aspecto eu consegui fazer com que o carimbo varasse nesse mundo grande”, disse ela, com sua voz de cabocla e um português amazônico carregada de poesia.

“O sucesso é engraçado. É tipo pororoca”, diz Onete, que pede saúde para “segurar a onda” desse tal sucesso, que ela só conheceu depois de uma vida toda dedicada à música e à educação sem muitas pretensões. Na escola, cantava para os alunos e ajudou a influenciar vários deles a enveredarem para o mundo da História. Para ela, falta arte na educação, o que ajudaria a cativar os estudantes para o conhecimento sem o peso dos conteúdos maçantes. E, mesmo aposentada, ela dá dicas aos professores para prender a atenção da garotada.

“Aqueles minutos no qual o aluno não assimila, dá um tempinho, lembra de alguma coisa que não saia daquele ritmo, faz ligeiramente umas parodiazinhas e joga na sala. Através da música eles aprendem mais rápido”, ensina a compositora de mais de 250 canções - a grande maioria nunca foi gravada. “Sou mais compositora do que cantora”, define-se ela, que emplacou mais uma de suas canções no novo CD de conterrânea mais conhecida, Fafá de Belém. Saúde, Dona Onete, que agora o hall da fama está mais completo.

Quatro perguntas para

Dona Onete cantora e compositora

Dona Onete, a senhora só gravou o primeiro disco em 2012 e de lá pra cá já brilhou dentro e fora do país, estrelou documentário... Como é estar no auge aos 76 anos de idade?

É incrível né, a gente não espera. O sucesso é engraçado. É tipo pororoca, pipoca de vários lados, pipoca pra li, tem hora que é todo lugar eu tô pipocando. Já fui pra Portugal, França, Inglaterra. Agora o Amazonas eu não conheço. Macapá fica louca, me chama, mas pros lados de lá (daqui) ainda não deu.

E quando você pretende vir para cá (Amazonas)?

Não sei quando vou no Amazonas, esse grande Amazonas. Mas quando chego fora do Brasil, represento essa grande Amazônia. Porque pra eles mistura tudo né? Então digo que sou da Amazônia.

E pra onde está indo agora?

Estou indo agora para Portugal, em setembro vou fazer seis shows nos Estados Unidos. O nome das cidades eu não sei. Sei que o último é em Chicago. Espero que Deus me dê saúde, porque 76 anos, meu filho. É difícil...

E como está o trabalho do seu segundo CD?

O nome é “Banzeiro”. Tem grandes boleros, quatro boleros, tem quatros banguê (dança negra que acontecia nos engenhos de cana de açúcar no interior do Pará), quatro carimbós, música que eu ouvia há quase setenta anos, no interior do Igarapé-mirim.

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