Domingo, 22 de Setembro de 2019
Vida

Dores crônicas na coluna podem ser mais sérias do que se imagina

Presidente da Sociedade Amazonense de Reumatologia, Maria do Socorro Albuquerque, alerta para riscos que dores lombares escondem



1.gif Entre os sintomas que devem ser observados, estão: dores lombares crônicas há mais de 12 semanas e rigidez matinal
05/06/2013 às 11:30

A pessoa que apresentar dor lombar prolongada (mais de 12 semanas), que piora com o repouso, melhora com atividade física e vem acompanhada de rigidez matinal prolongada, deve procurar um reumatologista. O alerta vem da presidente da Sociedade Amazonense de Reumatologia, Maria do Socorro Albuquerque, ao afirmar que estes sintomas e sinais são indicativos de Espondilite Anquilosante.

Segundo ela, a dor lombar é a queixa musculoesquelética mais comum e a principal causa de incapacidade para o trabalho. “Estima-se que 80% da população apresentarão problemas de dores lombares durante a vida”, afirmou a médica.

A maioria das dores lombares, no entanto, é benigna, explica Socorro, destacando que no último mês os reumatologistas de todo o País trabalharam numa campanha para alertar sobre os sinais e sintomas da Espondilite Anquilosante, doença inflamatória que afeta preferencialmente a coluna. “A importância da campanha se deve ao fato de chamar a atenção para aquela dor lombar prolongada visando um diagnóstico e tratamento precoces”, disse ela, explicando que a Espondilite é mais frequente no sexo masculino e pode iniciar no final da adolescência ou início da idade adulta, sendo incomum iniciarem os sintomas após os 40 anos.

“Embora a evolução da doença seja variável, a maioria dos pacientes tem uma evolução funcional satisfatória e mantém-se apta para o trabalho. Os fatores que influenciam a evolução para a incapacidade são a anquilose (rigidez) da coluna cervical, envolvimento de articulações do quadril e uveíte (inflamação intra-ocular”, revela.

SINTOMAS

De acordo com a médica, o sintoma típico é o inicio de dor lombar baixa e/ou dor alternante nas nádegas, que piora com o repouso, melhora com atividade física e acompanhada de rigidez matinal maior que 30 minutos. “Em aproximadamente 33% dos pacientes a artrite periférica pode estar presente, afetando as grandes articulações de membros inferiores”, argumentou.

Entre as causas da doença, os especialistas apontam para a genética como o principal fator determinante de suscetibilidade ao aparecimento da doença. Até o momento, o único gene de suscetibilidade conhecido é o HLA-B27. Segundo Socorro, a ocorrência de uma infecção, cujo agente ainda tem origem obscura, ou a exposição a um antígeno desconhecido em pacientes geneticamente suscetíveis, podem provavelmente resultar na expressão clínica da doença.

Sem cura, mas com tratamento

Embora não haja cura para a Espondilite Anquilosante, há boas perspectivas terapêuticas, informa Socorro Albuquerque. Os objetivos da terapia são reduzir a inflamação e a dor, assim como melhorar a função, mobilidade e a força.

Os melhores resultados são alcançados mediante uma abordagem multidisciplinar de tratamento, com a fisioterapia sendo um coadjuvante essencial aos métodos farmacológicos.

Em estágio avançado, a doença pode levar à formação de um novo osso nas juntas da espinha, deixando-a numa posição fixa. Apesar da gravidade da doença variar de pessoa para pessoa, alguns pacientes apresentam incapacidade funcional e os pacientes com a doença em gravidade progressiva, podem desenvolver algumas deformidades.

Geralmente, o diagnóstico é feito com base no exame clínico, histórico do paciente e teste de imagem por raios-x – entretanto, acredita-se que quando o diagnóstico é confirmado por teste de raios-x, a doença já pode ter surgido há cerca de sete a dez anos.


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