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CINEMA

Dos quadrinhos para as telonas: Turma da Mônica ganha filme em ‘live-action’

A adaptação da obra sucesso de Maurício de Souza recebeu 7,5 mil crianças se candidatando para ser Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão 04/12/2017 às 06:40 - Atualizado em 04/12/2017 às 16:35
Show turma
No filme, Giulia é Mônica, Laura é Magali, Kevin é Cebolinha e Gabriel é Cascão (Foto: David Rossetto/Reprodução)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Na história, o Floquinho, cachorro do Cebolinha, foge. Atordoado, o menino que fala “elado” pede, desesperado, a ajuda de seus inseparáveis amigos Mônica, Cascão e Magali. A turminha trava uma busca pelo animalzinho de estimação, que mostra a eles lições valorosas sobre amizade. Essa é a sinopse do filme “Turma da Mônica: Laços”, o primeiro live-action – filme em que os desenhos viram personagens de “carne e osso” - da turminha. A produção, a ser lançada em julho de 2018, é inspirada no graphic novel “Laços”, de autoria de Vitor e Lu Cafaggi.

As filmagens começam no mês de janeiro e, segundo o desenhista Maurício de Sousa, a equipe só estão dando os últimos retoques no roteiro e na produção. “Estou dando uma olhada, discutindo um pouco com eles e dando uma ‘ajeitadinha’ para ver o que pode melhorar”, explica ele. Maurício, o criador da Turma da Mônica, não esteve envolvido no processo de escolha dos atores que darão vida à turminha. Mas, para isso, ele teve uma equipe na qual confia completamente.

“Dei as instruções de que os personagens teriam que ser assim ou assado, e o pessoal da produção tem muita capacidade. Estou com um pessoal extremamente profissional. Fiquei tranquilo, eles trabalharam muito bem e bastante”, pondera Sousa. Ao todo, 7,5 mil crianças de todo o Brasil enviaram material para se candidatarem aos papeis de Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão. O trabalho de pesquisa e avaliação durou seis meses e, ao final, separaram oito finalistas – dois para cada personagem. Daí saíram os quatro atores mirins: Giulia Barreto (Mônica), Laura Rauseo (Magali), Kevin Vechiatto (Cebolinha) e Gabriel Moreira (Cascão).

Maurício é só elogios para os atores que viverão os seus pequenos. “Eu não sei o fenômeno que houve. Eu penso que foi a camaradagem dos escolhidos, porque durante muito tempo fizemos os testes. E eles viraram os personagens. Se você olhar para eles vestidos e caracterizados, você vê os personagens. Eles gostaram da ideia e se transmutaram mesmo”, pondera o desenhista.

O trabalho de planejamento de locações foi um bônus à parte. A equipe saiu para procurar referências urbanas que remetessem ao cenário original dos quadrinhos. “Já sabemos os ambientes que vamos estudar para o filme. O pessoal saiu para procurar onde fica a rua do bairro do Limoeiro, a floresta onde a criançada se perde. A rua que eles acharam para o bairro do Limoeiro... eu queria morar naquela rua”, diz Maurício. O cenário do filme é uma criação cenográfica nos próprios estúdios da Maurício de Sousa Produções. “Uma criação artística. E as pessoas reconhecem pelo estilo do desenho, arquitetura das casinhas”, complementa ele.

Por trabalhar com um projeto que já transitou pelos quadrinhos, televisão e cinema, Maurício afirma que tem aprendido com a adaptação de múltiplas linguagens. “O cinema tem uma linguagem diferente, um toque diferente. Vou aprender nesse primeiro filme ao vivo para entender como devemos falar com o público do cinema. O diretor (Daniel Rezende), eu e os roteiristas da casa vamos aprender com isso. O filme pegou um pouco do ‘jeitão’ de histórias em quadrinhos, mas não é para ser. Vamos corrigir para que a história tenha ritmo de cinema e esteja ao gosto da garotada que muda e é influenciada por filme e TV”, coloca ele.

Paralelos

Os projetos de Maurício não abraçam somente o cinema. Ele conta que sua equipe vai criar um documentário e filme em cima de sua biografia, lançada neste ano e chamada “Maurício - A História Que Não Está no Gibi” (Editora Sextante). A biografia, segundo ele, é bem autorizada – afinal, foi ele quem escreveu. “No livro lembrei das coisas que me trouxeram até aqui. Acho que vou ter que fazer mais um livro ainda”, adianta ele, sobre um próximo volume.

Maurício, atualmente, comemora os números da Turma da Mônica, cujos episódios entraram na grade nacional da TV Cultura no mês de outubro e detém a maior audiência da emissora atualmente. “Vejo como uma medalha no peito, porque a TV Cultura é referência em animação no Brasil e mundo nos últimos 30, 40 anos. Entrar numa TV como a Cultura é muito legal, porque a TV aberta pega uma parcela de público que não é atendido pela TV paga. As outras emissoras que têm desenhos animados hoje são fechadas. E tem público que não tem acesso. Me sinto liberto”, completa ele.

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