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Doulas: as amigas do parto normal dão apoio e encorajamento às mamães

Ainda pouco conhecidas, as doulas ganham cada vez mais espaço no cenário obstétrico brasileiro. Elas tranquilizam as grávidas dando o suporte emocional no momento do nascimento 14/12/2014 às 15:37
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Doulas estimulam o nascimento por parto normal
Natália Caplan Manaus (AM)

Há pouco mais de quatro meses, Naira Mota, 27, entrou para o “clube das mamães de primeira viagem”. Logo ao descobrir a gravidez, o primeiro questionamento foi: optar pelo parto normal ou ser submetida a uma cesárea? Para ela, nenhuma das opções era agradável e ambas eram motivo de nervosismo e preocupação. “Eu estava com apenas um mês de gestação e já morria de medo de lidar com essa escolha. Tinha medo dos dois”, lembra.

Porém, entre lidar com a dor de parir pela maneira natural e a recuperação do pós-operatório, amigos e familiares foram convictos na

decisão. A primeira, sem dúvida, seria a melhor opção. “Recebi muito incentivo, principalmente dos mais velhos, de que eu deveria escolher o parto normal. Na hora, a dor é muito forte, dá vontade de desistir. A gente pensa ‘eu não sou capaz’, ‘eu não posso’, ‘eu não consigo’. Mas, nessa hora, a doula faz toda a diferença”, enfatiza.

A pequena Alice nasceu às 00h12 do dia 2 de dezembro, no Instituto da Mulher Dona Lindú. Foram três dias em trabalho de parto, sempre acompanhada de uma equipe do Grupo de Doulas da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), liderada pelo obstetra Gabriel Saldaña. “Estava cansada, mas tive a ajuda de três doulas, que me deram o maior apoio. Elas me ajudaram a acreditar em mim, trabalharam no meu psicológico”, afirma.

Sem as “proibições” comuns do sistema obstétrico brasileiro, Naira teve as “regalias” de um parto humanizado: escolheu a posição mais confortável para dar à luz, bebeu água e até recebeu uma ajudinha extra para superar a dor e ganhar energia. “Recebi massagens (no quadril, nos pés e nas mãos), ganhei chocolate e testei diferentes posições. O médico explicou que o parto era meu. Eu fui protagonista. Nós, mulheres, conseguimos parir”, declara.


A experiência não apenas fez a auxiliar de saúde bucal perder totalmente o medo do parto, como a mudar os planos para receber o segundo filho. “Posso dizer que o parto normal é sempre a melhor decisão. No próximo, vou aproveitar cada dor, cada contração, com muita alegria. E estou até pensando em parto domiciliar. Observo o quarto, a sala, penso na equipe de doulas, fico sonhando com esse momento”, projeta.

Questionada sobre a recuperação, a jovem mãe foi enfática. “Às 8h do dia seguinte, eu já estava andando. Tomei banho sozinha, carreguei minha bebê. Depois que ela nasceu, passou a dor. Não senti mais nada, nem quando a placenta saiu”, disse ao citar o melhor momento do nascimento da filha. “Ela foi direto para o meu colo, onde ficou quase uma hora. Só depois que foi limpa com uma gaze, pesada e medida”, lembra emocionada.

Conforto emocional

O trabalho de doulas da UEA na disseminação do parto humanizado ainda é desconhecido da maioria. O grupo é o único no Amazonas e deverá formar novas turmas em 2015. “Doula é uma assistente de parto treinada, que oferece suporte emocional e físico para a mulher. Ela pode atuar também como ponte entre parturiente e equipe, ‘traduzindo’ alguns termos utilizados pela equipe”, diz Allice Lopes, 22.


Formada na área há pouco mais de um ano, em Brasília (DF), ela já fez o acompanhamento de 13 mulheres. “A doula não faz procedimentos técnicos, como toque ou ausculta fetal. Ela está ali para manter a mulher tranquila, ajudá-la a encontrar as posições mais confortáveis; oferecer massagens, palavras de conforto e recursos não farmacológicos para alívio da dor. Assim, a equipe médica pode se concentrar melhor em atividades técnicas”, enfatiza.

Sempre presentes

Segundo dados com a Organização Mundial de Saúde, (OMS), mais da metade dos bebês no Brasil nascem de procedimento cirúrgico. “Infelizmente, no Brasil, há dois modos padronizados para ter filhos: a cirurgia cesariana, que salva vidas quando bem indicada e o parto hospitalar repleto de intervenções desnecessárias, falta de privacidade e respeito. Obviamente, uma mulher escolheria a primeira opção”, afirma Allice Lopes.

Ainda de acordo com a doula brasiliense, há muitas histórias oriundas de partos assistidos de maneira inadequada. “Esses relatos permeiam o imaginário — tanto médico, quanto leigo —, transformando o parto em um evento traumático por indicação. Ou seja, eu nunca passei por isso, mas ao mesmo tempo tenho muito medo”, ressalta.

Ela, então, faz questão de citar a terceira opção, ainda em ascensão no Brasil: o parto humanizado, que pode ser tecnológico e respeitoso, assistido por profissionais atualizados e qualificados, tanto em casa, quanto no hospital. Há também as casas de parto para parturientes de baixo risco.


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