Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
Vida

Dramaturgo amazonense lança livro com histórias de Lazone nesta quinta (30), em Manaus

Sergio Cardoso lança coletânea teatral com dez de seus textos nesta quinta-feira (30), às 19h, no Espaço Thiago de Mello da Saraiva, no Manauara Shopping



1.gif Livro reúne personagens famosas do repertório de Sergio, como Carmem de Lazone, aqui na pele de Eliézia de Barros
30/10/2014 às 12:07

Lazone é uma cidade de prédios históricos, palafitas e sonhos destruídos, banhada pelo Rio das Sombras e habitada por personagens bem humanas, algumas até sobrenaturais. Não é uma cidade real, mas a cidade que Sergio Cardoso criou para ambientar as tragédias, dramas e comédias teatrais que escreve desde o final dos anos 1970. Parte desses textos, até então só conhecida pelo público por meio do palco, agora está reunida na coletânea “O livro do teatro urbano das mulheres de Lazone” (Valer), que o dramaturgo amazonense lança hoje, às 19h, no Espaço Thiago de Mello da Saraiva, no Manauara Shopping.

Com 360 páginas e apresentações dos também dramaturgos Tenório Telles, Zemaria Pinto e Jorge Bandeira, a antologia reúne dez textos, ou “dramathurgias barehs”, como Sergio define. São eles “Ambrozhya e o Phantasma da Ahrte”, “Mercedita de La Cruz”, “Mundica”, “Gilda”, “Carmem de Lazone”, “Salomeh e as tartarugas radioativas”, “Dorothy Garland”, “Amanda Catalatas”, “Crhisályda Lapella (Caruso jamais cantou aqui)” e “Sabine e o vampiro do Teatro Lazone”. Além da cidade, os textos têm em comum protagonistas femininas fortes, que dão nome a cada peça.

“Sou um autor de mulheres. O mundo feminino é rico, grandioso, sensual, erótico, cheio de conflitos, de almas que expressam desejos. Não crio personagens simbólicos, mas personagens com alma, que sofrem e têm emoções”, declara ele. “Considero essas personagens minhas companheiras, filhas, irmãs”.

Embora fictícias, essas protagonistas foram inspiradas em mulheres reais. Ao criar Mundica, por exemplo, Sergio se inspirou em Ednelza Sahdo. “Eu olhava para Ednelza e pensava no papel. Escrevi a peça para ela em 1980”, conta Sergio, citando ainda Norma Araújo e Koia Refkalefsky, que lhe inspiraram Carmem e Crhisályda, respectivamente, entre outras. “Todas as peças foram feitas e escritas para atrizes amazonenses”.

Os papéis femininos cativaram também atores, entre eles Wagner Melo, que dirigiu e viveu Mundica; Nivaldo Mota, Arnaldo Barreto e Michel Guerrero, que interpretaram os papéis principais em “Mercedita”; e Omar Gusmão, que fez várias figuras femininas em “Carmem”. “Foi muito interessante, todos eles conseguiram desenvolver um trabalho especial”, diz Sergio.

Folhetins e lágrimas

A Sétima Arte e os folhetins populares são outras influências marcantes na obra de Sergio. “Minha grande inspiração na dramaturgia foram as novelas de rádio, que eu ouvia quando criança, e o ‘cinema de lágrimas’ brasileiro e mexicano. Meus textos têm uma alma latino-americana”.

A vida amazonense também tem sua marca na obra de Sergio, sendo Lazone um reflexo de Manaus em várias fases de sua História. Curiosamente, o germe da cidade mítica surgiu de um quadro pintado pelo autor, também artista visual, intitulado “Morte no Teatro Lazone” (1979). “Criei uma cidade que fosse um reflexo antimaterial da cidade de Manaus, em que pudesse desenvolver obras essencialmente de ficção, de surrealismo fantástico. Foi uma dramaturgia que começou a nascer inspirada nesse quadro”, recorda.

Essa dramaturgia se estende por mais de 30 peças, muitas ainda inéditas. Na hora de compor sua antologia, Sergio buscou trazer um amplo panorama de Lazone, em peças com diferentes temáticas, abordagens históricas e gêneros, escritas entre 1980 e 2012. “Salomeh”, por exemplo, enfoca aspectos políticos e a história do Distrito Industrial. “Ambrozhya” mistura policial e suspense, e “Sabine” é um exemplar de terror trash.

Riso, choro e emoção

À parte a seleção, Sergio fez ainda questão de revisar e atualizar todos os textos, o que fez ao longo dos últimos cinco anos. “Isso me trouxe a oportunidade de enxugar as histórias e de visualizar outras possibilidades de encenação”, conta ele.

Sergio ainda se preocupou em fazer um livro de teatro que pudesse ser lido como romance ou coletânea de contos. “escrevi de um jeito que todo mundo possa ler, um livro que elas gostem e queiram levar para ler em casa”, diz. Tal como ao espectador num teatro, ele afirma, o que mais lhe interessa agora é agradar quem lê: “Faço teatro para as pessoas se emocionarem, rirem, se divertirem, se conscientizarem. Minha pretensão é ser feliz e fazer as pessoas alegres com esses trabalhos”.

Serviço

O que é: Lançamento da obra “O livro do teatro urbano das mulheres de Lazone (Dez dramathurgias barehs)”, de Sergio Cardoso

Onde: Espaço Thiago de Mello da loja Saraiva, Manauara Shopping, avenida Mário Ypiranga Monteiro, 1.300, Adrianópolis

Quando: Hoje, às 19h

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