Terça-feira, 23 de Abril de 2019
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Vida

Duas artes, um só amor: Paixão comum une casal de artistas

Helen Rossy e Buy Chaves compartilham a vida – e os ateliês – há 22 anos 


20/04/2013 às 19:01

No terreno das artes plásticas, a união entre amor e talento costuma dar origem a casais famosos – vide casos como Frida Kahlo e Diego Rivera, ou Camille Claudel e Auguste Rodin. No cenário local, o maior exemplo de um desses encontros é o de Helen Rossy e Buy Chaves: há 22 anos, a parintinense e o catarinense compartilham a vida e desenvolvem, lado a lado e cada qual à sua maneira, artes que têm suas raízes na natureza e na cultura da Amazônia.

Embora no mesmo território, Buy e Helen trabalham em diferentes suportes. Ele produz pinturas num estilo que Helen define como “figurativo fantástico, com uma sensualidade amazônica divertida”. Por sua vez, ela confecciona esculturas a partir de madeira coletada – de resíduos da floresta a restos da construção naval.

A convivência artística é pacífica: Helen e Buy não metem o pincel ou o cinzel nas obras um do outro, numa espécie de acordo tácito. “Não me meto no trabalho dela, nem ela no meu, e nos damos muito bem com isso”, destaca Buy. “Ele me ajuda muito no trabalho de carregar as madeiras”, ela lembra.

Complementares

Como muitos casais que dão certo, vale dizer, Helen e Buy conciliam as diferenças e se complementam em diversos aspectos. No cotidiano, Helen extravasa e Buy interioriza – na entrevista à reportagem, por exemplo, em muitos momentos ela chega a falar pelos dois.

Por outro lado, na hora de criar se dá o contrário. Helen planeja suas criações, busca a inspiração para trabalhar. Prefere se isolar para produzir peças que ganham vida aos poucos. “Quando encontro no mato um pedaço de pau velho ou semente, não sei no que vai dar. Mas depois vem um estalo, vejo a peça dentro de outra, e começo a trabalhar”, explica ela.

Já Buy pinta de forma compulsiva, sem depender de ideia ou momento, um traço seguindo o outro, com bichos, gente e coisas se sucedendo em cada canto da tela ou pedaço de madeira que o artista tenha à mão.

Raízes na região

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Buy e Helen hoje se dividem entre Manaus e Novo Airão. Incansável, ele produz continuamente, e hoje conta com um acervo de cerca de 300 quadros. “Quero chegar a mil telas antes de morrer. Vão fazer a fortuna da minha mulher”, brinca, contrariando Helen que não gosta do assunto. A parintinense, por sua vez, hoje vem fazendo pesquisas com resíduos florestais no município do interior.

Origens à parte, a Amazônia é a fonte de inspiração dos dois artistas. Buy afirma que seu ímpeto criativo é fruto da região, para onde veio como militar e onde viu sua veia artística aflorar. “Para o artista isso aqui é um prato cheio, um leque de formas, cores e movimentos. Você pode morar um ano em frente a um rio, e todos os dias a paisagem muda. Não tive como segurar”, diz.

A ligação com a natureza e as vivências pessoas são a matéria-prima da arte de Helen: “Minha criatividade e inspiração trago da infância, do rio principalmente. Coloco nas minhas esculturas e instalações um pouco de mim. Eu me descobri artista, e isso se deu por meio do reencontro com a natureza”.

Viver para produzir

Helen Rossy e Buy Chaves se orgulham de viver de sua arte, seja produzindo obras ou promovendo oficinas de técnicas artísticas. Mas reclamam das dificuldades do segmento em Manaus. “Agora que as coisas começam a acontecer aqui. Enquanto isso ficamos meio inertes. Se o artista não estiver revirando, buscando, não acontece nada”, diz Helen.

Um dos grandes problemas do cenário local, segundo o casal, é a deficiência na formação do público quando se trata de arte. “Os artistas do Amazonas são discriminados pelos próprios amazonenses, vão a Miami ou a São Paulo para comprar uma obra. E preferem comprar uma plotagem de um artista famoso a um quadro original”.

A crítica do casal se estende a arquitetos que ignoram o potencial criativo dos artistas locais. “Um artista pode desenvolver trabalhos que se encaixem num projeto arquitetônico sem perder o valor artístico. Mas o arquiteto não tenta interagir, e muitos artistas ficam à margem do mercado por falta dessa interação”, queixa-se Helen.

Para Buy, o investimento na formação é essencial para o desenvolvimento da arte no Amazonas: “Precisamos pegar a nova geração que está vindo e educar para consumir mais arte, e não apenas como um objeto para compor num ambiente”.


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