Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
Vida

E lá se foram 20 anos: projetos no teatro e na TV homenageiam os Mamonas Assassinas

No mês em que a morte dos músicos do grupo completa duas décadas, uma pergunta que fica no ar é se banda, adepta do politicamente incorreto, existiria no Brasil de 2016



1.jpg Músicos foram vítimas de um acidente aéreo no dia 2 de março de 1996
02/03/2016 às 14:18

Com letras debochadas, além de um som e atitude que transgrediam estilos, a banda Mamonas Assassinas surgiu como um fenômeno instantâneo na cena musical brasileira de meados dos anos 90. O sucesso estrondoso, contudo, foi interrompido tragicamente no dia 2 de março de 1996, quando um acidente de avião silenciou os donos da brasília amarela. Passados 20 anos dessa despedida, uma série de iniciativas vai fazer os fãs revisitarem a trajetória e a obra do grupo de Guarulhos.

Uma delas é o musical “Mamonas”, que estreia no dia 11, em São Paulo. Com direção de José Possi e dramaturgia de Walter Daguerre (mesmo autor do musical “Jim”, sobre Jim Morrison), o espetáculo vai mostrar como a banda construiu a sua identidade. Em entrevista à reportagem, o diretor comenta que o musical será uma homenagem à carreira do grupo, sem deixar de lado as personalidades de Bento, Júlio, Dinho, Samuel e Sérgio, que abusavam da irreverência em shows e apresentações na TV.

“A total identificação do povo brasileiro com a linguagem e o universo deles foi o que fez dos Mamonas um fenômeno repentino”, afirma Possi, lembrando que o sucesso da banda durou menos de um ano desde o lançamento do primeiro e único disco. “Com suas letras, paródias musicais e performance, a banda se tornou uma fatia da identidade nacional”.

Os atores selecionados para estrelar o musical

Para interpretar os músicos, foram escalados os atores Ruy Brissac, Adriano Tunes, Yudi Tamashiro, Elcio Bonazzi e Arthur Ienzura, todos escolhidos em audições. No enredo, os Mamonas são convocados pelo anjo Gabriel para dar uma solução à caretice que tomou conta dos brasileiros. Esse é o mote para que os próprios garotos contem a sua história, desde os tempos da banda Utopia, passando pelas músicas do primeiro álbum, até o apoteótico show no “Thomeuzão”, em Guarulhos.“

Tivemos um trabalho árduo e delicado, porém intenso e divertido. Não nos preocupamos em imitá-los, mas em ressuscitar seu raciocínio irreverente e espontâneo e sua liberdade criativa”, completa o diretor. Segundo ele, todo o trabalho foi acompanhado de perto pelos familiares dos músicos falecidos. “Todos foram convidados para conhecer o elenco escolhido e assistir a alguns ensaios. E claro, foi um envolvimento muito ‘emocional’”.

Roteiro musical

Ao todo, o espetáculo contará com 10 músicas do repertório dos Mamonas, uma da Utopia e várias outras que influenciaram a formação da banda, de Ira!, Rush e Engenheiros do Hawaii a Titãs, Legião Urbana e Guns N’ Roses. José Possi adianta que no trabalho ainda haverá espaço para paródias e músicas compostas especialmente para esse momento. “Criamos alguns temas que parodiam músicas deles para compor a narrativa do espetáculo”. “Mamonas” fica em cartaz em São Paulo até o dia 30 de abril.

Mamonas X textão

E se os Mamonas Assassinas surgissem hoje, será que passariam pela prova de fogo dos textões no Facebook? No mínimo, a banda causaria polêmica com sua predileção por tirar sarro de tudo e de todos. Se, por um lado, algumas letras podem ser criticadas por seus resquícios de machismo, como “Vira-vira”, outras trazem uma inegável mensagem positiva, como “Robocop gay”, que avisava: “Abra sua mente, gay também é gente”.

O ex-empresário da banda, Samy Elia, conta que ainda nos anos 90 as rádios não queriam tocar as composições dos paulistas por achá-las debochadas demais. Já Rick Bonadio, produtor do CD que vendeu 2 milhões de cópias, disse à Folhapress que eles foram únicos em sua proposta. “Ninguém vai conseguir fazer humor em música tão bem quanto os Mamonas. Até mesmo porque hoje não há liberdade para fazer tanta piada com tudo”.

Quando os Mamonas estouraram, o músico amazonense Albenizio Júnior tinha 11 anos e as músicas da banda tocavam em todos os aniversários de amigos. “Era divertido demais! Todo mundo imitava o Dinho dançando e nas partes mais ‘rock and roll’ fazíamos nossa roda de pogo mirim”, lembra. 

Ele acredita que se a banda surgisse em 2016, ainda assim faria sucesso. “Seria diferente porque as gravadoras estão em queda constante e também por causa desse politicamente correto cheio de regras, dando um bê-á-bá para tudo. Mas eles não tinham como forte somente as letras, eram muito bons com as melodias e postura no palco”.

Série na Record

Ao longo desta quarta-feira, alguns canais de televisão lembrarão os 20 anos da morte dos integrantes da banda. O Multishow vai exibir, a partir das 18h, em seu programa de clipes, os vídeos de “Pelados em Santos”, “Vira-Vira” e outros sucessos do grupo. Já às 19h30, ainda no Multishow, é a vez de o documentário “Mamonas pra Sempre” ir ao ar. 

Às 22h, a GloboNews exibe o programa “Arquivo N”, que passa por todas as etapas do quinteto, da fase difícil do começo da carreira até o dia da morte deles, em 1996. O jornalístico “SBT Brasil”, às 18h45, também conclui uma reportagem em duas partes sobre a banda. 

Enquanto isso, a Record prepara a sua própria homenagem aos Mamonas Assassinas. Uma série em cinco episódios escrita por Carlos Lombardi foi anunciada essa semana como um dos destaques da programação da emissora para 2016. O elenco será o mesmo do musical “Mamonas” e as gravações devem começar em maio. A direção caberá a Leonardo Miranda. Segundo o primo de Dinho, Jorge Santana, um filme sobre a banda também está em negociação com a Endemol Brasil.

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