Terça-feira, 23 de Julho de 2019
Vida

‘É possível ser canibal e ter uma dieta equilibrada’, diz nova referência da literatura fantástica

Eric Novello vem ganhando nome na cena nacional dedicada à literatura fantástica e chega ao terceiro romance no pós-lançamento na Bienal de SP, em agosto



1.gif Eric Novello
25/10/2014 às 16:25

Uma metrópole em que magos e seres fantásticos feitos de fumaça convivem com humanos comuns. Essa é uma parte do mundo criado por Eric Novello em seu novo romance, “Exorcismos, Amores e um Copo de Blues”.

Carioca radicado em São Paulo, o autor vem ganhando nome na cena nacional dedicada à literatura fantástica e chega ao terceiro romance rodeado de um bom bafafá pós-lançamento na Bienal de São Paulo, em agosto.

Ele topou falar ao Bem Viver sobre a resposta que o livro tem encontrado e outros assuntos em uma entrevista que você confere a seguir.

Como tem sido a reação do público até agora?

Tem sido ótima, de verdade. Sempre espero o melhor para os meus trabalhos, mas ver acontecendo de verdade, ver essa mágica que é o livro encontrar sozinho o seu público, independente de rótulos, desesperos e marketing, é algo incrível.

Houve algum questionamento que você buscou responder com EADB? Se sim, qual? Você acredita ter conseguido?

Acho que a principal questão respondida pelo EADB é que, sim, é possível ser canibal e ter uma dieta equilibrada. Sendo levemente mais sério agora, tenho para mim que um dos meus papéis como autor é colocar interrogações na cabeça do leitor, e não responder as que ele já possui. Tenho certo pavor dessa coisa messiânica de levar respostas aos que te buscam. Meu olho no olho é horizontal, de igual para igual, e espero muito que o leitor termine EADB com um par de novas interrogações flutuando ao redor da cabeça. Inclusive sobre blues.

Já que falou disso, o blues é uma referência clara dentro da história, desde o título. Os momentos da história que contêm canções específicas foram pensados com elas ou a escolha delas foi posterior?

O blues é a base de tudo o que acontece no livro. Ele chegou a entrar na composição de personagens e muitos dos temas abordados em EADB foram retirados de canções de blues como as drogas, corações partidos, abandono, falta de grana, ou das lendas que cercam o gênero, como os pactos. A escolha das músicas citadas acontecia no instante da escrita daquela cena, dialogando de igual para igual com o restante do texto.

Como você acha que o novo livro se relaciona com a sua obra? O que há nele que o conecte com projetos passados e o que há nele que represente uma ruptura desses projetos?

Há uma ruptura temática, ou uma readequação de ponto de vista, talvez. Nos meus livros anteriores, “Neon Azul” e “A Sombra no Sol”, a pedra fundamental era a solidão. Mesmo o “Histórias da Noite Carioca”, um livro de humor que escrevi há 10 anos, tinha a solidão como tema. Em EADB, o ponto de partida foi outro. As relações que os personagens estabelecem entre si são importantes para eles, seja amizade, amor ou um contrato, simplesmente. E a força dessas relações afasta a solidão.

Nem tudo nele foi ruptura, porém. Há a continuidade da importância da sexualidade nas histórias, há a ambientação noir, aqui mais integrada à fantasia. Há o olhar direcionado a personagens marginais, pessoas de alguma forma quebradas por dentro. Essa relação com meus livros anteriores é bastante forte.

A sexualidade é tratada no livro de forma muito ubíqua e diversificada, e entendo que não foi a primeira vez que você a aborda dessa forma em uma obra. O que atrai você ao tema?

Como diz o título, o “amor” é parte importante da história do EADB. Há o amor perdido, o amor romântico, o obsessivo, o platônico, o amor de fãs por seus ídolos, o amor entre pai e filha, a amizade, o amor sexual e por aí vai. Praticamente todas as cenas tratam disso, seja de forma direta ou nas entrelinhas, e a sexualidade é parte importante desse passeio.

Mas há algo além, obviamente. Falar de sexualidade nos meus textos ocorre de maneira tão natural que é difícil explicar. Explorar a relação da nossa sociedade (tanto a parte saudável quanto a preconceituosa e doente) com a sexualidade é um jogo no qual faço questão de apostar.

Para finalizar, pode falar sobre o seu próximo projeto?

Se depender dos leitores, o mais provável é que continue expandindo o universo começado em EADB, vamos ver para onde o vento sopra até o ano que vem.

Perfil Eric Novello

Quem é: Eric Novello é um escritor e tradutor carioca. Radicado em São Paulo desde 2007, se firmou na cena de literatura fantástica nacional com livros como “Neon Azul” (2010) e “A Sombra no Sol” (2012). Além disso, foi colunista do Jornal de Arte Aguarrás entre 2006 e 2012.

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