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É preciso falar! Depressão é doença grave e tem tratamento

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) a depressão atinge hoje 7% da população mundial, ou seja, mais de 350 milhões de pessoas 01/05/2016 às 08:00 - Atualizado em 01/05/2016 às 16:51
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A depressão se caracteriza por vários sintomas, entre eles: tristeza profunda e contínua, apatia, desânimo, perda do interesse, pensamento negativo e entre outros. (Reprodução)
Lucy Rodrigues Manaus (AM)

O que leva uma pessoa com tantas qualidades e extremamente bem quista em seu círculo social a pensar em se isolar do mundo, sumir e até tirar a própria vida? Por trás dessa pergunta, geralmente feita por quem se considera  de fora, há um problema de saúde pública seríssimo que  já é a principal causa de incapacitação em todo o mundo e, de acordo com projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS),  será o mal mais prevalente do planeta em 2030: a depressão. 

Jovem, inteligente e querida pelos familiares e amigos, a advogada e jornalista amazonense Nauzila Campos, 24, viu sua vida exposta em portais da Internet e nas redes sociais, após uma  sensível piora no quadro de depressão, problema  com o qual convive há mais de um ano.

Na última segunda-feira, 25, ela saiu sozinha de casa sob efeito de medicamentos prescritos para tratar a doença.  Preocupados, seus familiares e amigos acionaram a mídia em busca de notícias dela, que foi encontrada desorientada no Terminal 4, no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus. Com a grande repercussão do episódio na cidade, Nauzila tomou a coragem de falar abertamente sobre o problema e fez um vídeo que teve milhares de vizualizações na sua página pessoal do Facebook. 

“Eu vivi com a sombra da depressão há mais de um ano. Mas há umas três semanas eu tive uma piora bem sensível. Pensei em suicídio algumas vezes, não conseguia levantar da cama. Antes do caso do terminal eu cheguei a dirigir sozinha à noite na BR-174 até Presidente Figueiredo [município a 107 quilômetros de Manaus] com a intenção de morrer... Perdi dez quilos e estou com dificuldades de comer e de interagir. Qualquer coisa que me exija mais energia é extremamente difícil pra mim. Muitas vezes eu me pego pensando que sou infeliz e que a vida não vale à pena. Frequento um psiquiatra há duas semanas e estou tomando antidepressivos. Os efeitos colaterais são fortes, mas é uma fase inicial que antecede uma melhora, que eu sei que vai chegar”, confessou em entrevista exclusiva ao Vida&Estilo.

De acordo com Nauzila, ter falado abertamente sobre o problema a fez melhorar e afastar pensamentos ruins. “Depois do que aconteceu, eu me senti muito amada e querida, e tanta demonstração de carinho me ajudou a afastar os pensamentos negativos. Depois do vídeo mais de 500 pessoas me adicionaram no Facebook. Recebi mais de 700 mensagens por inbox e por WhatsApp. Muita gente me dando força, me encaminhando orações e até algumas pessoas compartilhando histórias pessoais comigo. Isso me emocionou muito, e pelo visto o vídeo está fazendo o efeito que eu queria: as pessoas estão prestando mais atenção em problemas da saúde mental, como a depressão”.

Até porque ela não está sozinha. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) a depressão atinge hoje 7% da população mundial, ou seja, mais de 350 milhões de pessoas, de todas as idades, em todo o mundo, sofrem com a doença.

Tem tratamento

A depressão se caracteriza por vários sintomas, entre eles: tristeza profunda e contínua, apatia, desânimo, perda do interesse, pensamento negativo (ideias de fracasso, incapacidade, culpa, pensamentos de morte), alterações do sono, falta de libido, falta de prazer nas atividades anteriormente prazerosas e falta de apetite. 

De acordo com o médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e especialista em Psiquiatria Geral pela Associação Brasileira de Psiquiatria, Professor Dr. Mário Louzã, a depressão deve ser diferenciada da “tristeza normal”, decorrente dos fatos da vida. “Esta em geral tem um caráter menos intenso e tende a desaparecer conforme o fato desencadeante se resolve”, explica. 

Segundo ele, é importante esclarecer sobre o que é a depressão, seus tratamentos para que deixe de ser estigmatizada. “A pessoas ainda atribuem a depressão à ‘fraqueza de caráter’ e acham que podem resolvê-la apenas com ‘força de vontade’. Sabemos hoje que a depressão tem uma base neurobiológica, decorrente de um desequilíbrio de alguns neurotransmissores no cérebro”. O especialista enfatiza que se não tratada corretamente, a doença pode se tornar crônica. “O tratamento envolve o uso de medicamentos chamados antidepressivos, associados à 
psicoterapia”.

Doença não escolhe

Jovem, bonito  e bem sucedido. O cantor e ator Lucas Lucco é outro exemplo que usou as redes sociais para falar abertamente da doença. Após não comparecer a uma gravação de DVD no final do ano passado, ele revelou que o motivo fora uma forte crise.  “Tomo remédios para conseguir voar, para dormir, para acordar, para me manter calmo e para conseguir ficar dentro de um hotel”, desabafou.

“Me sinto distante de Deus mesmo falando com Ele diariamente como sempre fiz. Desenvolvi síndromes, saudade acumulada, medo acumulado, trabalho acumulado... E meu coração e minha cabeça só ficam em paz quando eu estou cantando no palco, gravando as cenas da novela ou em casa com minha família”. 

Para o psiquiatra Mário Louzã, o uso das redes sociais para expor o problema é um ponto delicado. “Para algumas pessoas, expor seus problemas para amigos de fato nas redes sociais pode ter um efeito positivo de ajuda. Por outro lado, pode expor a pessoa de modo inadequado e colocá-la numa situação de ridicularização, o que piora mais a depressão. Melhor mesmo é procurar ajuda ‘de carne e osso’, consultando um psiquiatra para uma avaliação do quadro clínico e orientação quanto ao tratamento”.

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