Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
Vida

E se a birra começar, o que fazer?

Para psicóloga, as crianças não aderem às “birras”. “Elas não são birrentas por natureza. Esse termo é uma convenção dos adultos. Podemos entender a ‘birra’ como um conjunto de comportamentos que a criança apresenta quando sente-se frustrada ou angustiada".



1.jpg No início, Katiane e Maria Isabella quase não se entendiam
24/07/2015 às 17:00

“Eu ensinei que quando eu ou o pai dela estivermos conversando com alguém, ela tem que pedir licença. Isso ela aprendeu rápido, mas a parte de ter que esperar eu parar de conversar e olhar para ver o que ela quer, ainda não. Ela fica ‘dá licença, dá licença’. E quando quer algo faz do mesmo jeito: ‘eu quero, eu quero’... chega a irritar”, diz a universitária Katiane Ferreira, 33, sobre a filha Maria Isabella, de três anos. Ela, assim como muitas outras mães, vive o dilema da famosa birra infantil.

Katiane diz que agora a pequena está na fase de ser autoritária e mandar no irmão. “Quando ele não faz o que ela quer, ela chora e diz que ele bateu nela só para ver nossa reação, e a dele, pra ver se ele vai fazer o que ela quer”, diz. Ferreira conversa muito com a filha, mas há dias que ela tem que respirar forte. “E para ela é o terror ficar na cadeira do castigo. Então só de conversar funciona na maioria das vezes”, coloca.



A universitária acredita que a birra está relacionada à condição de ser criança. “Sinto como se fosse um teste para ver se, agindo dessa forma, ela consegue o que quer. Mas nesse momento você tenta mostrar que não é assim. Converso muito com ela, principalmente na hora de sair para algum lugar. Aviso que se quiser algo, que me peça, e não grite ou chore porque vamos voltar para casa. Agora ela já entende, mas no início não é fácil (risos)”, declara a mãe.

Pedindo ajuda

Por volta de um ano e meio, a pequena Maria Clara, de três anos, começou com as tão temidas birras. “Ela se jogava no chão, batia a cabeça na parede, e gritava. No início eu pensava: ‘Meu Deus, o que aconteceu com minha bebê tão calma e carinhosa?’”, questionava a mãe, a administradora Karina Melo, 36. “Depois percebi que a birra normalmente acontecia quando ela era contrariada ou recebia um não, aí era um Deus nos acuda... podia durar um minuto ou uma hora”, relembra.

Karina, que chegou a levar a filha no psicólogo por não saber até que ponto aquilo era normal, conta que foi aprendendo a se controlar com o tempo. “O segredo é manter a calma, esperar o tempo dela. Algumas vezes eu ignoro, desvio a atenção para algum brinquedo. Em outras ocasiões a abraço, digo que entendo que ela está chateada, que estou com ela e que vai passar. Poucos episódios aconteceram em público, mas nessas ocasiões eu tiro ela de onde estamos e vamos embora”, comenta Melo.

A administradora crê que a birra faz parte do desenvolvimento dos pequenos, e mais ainda no que diz respeito às primeiras formas de expressar-se ao mundo. “É a maneira dela se expressar, principalmente quando não sabe falar o que sente. Mas não podemos permitir que isso se transforme em falta de educação. Educar é difícil e cada mãe conhece seu filho e consegue desenvolver uma forma de superar tudo isso”, defende.

Substitua a hostilidade pela firmeza sempre

Conforme a psicóloga infantil Luciana Valgas, do grupo de apoio Beta Positivo, o choro é a primeira forma de comunicação da criança logo que nasce. “No entanto, chega uma fase em que o bebê percebe que essa equação choro/atendimento serve para qualquer desejo dele. Então, começa a chorar com mais frequência para que todas as suas vontades sejam atendidas. Nesse momento, os pais devem começar a compreender e se conectar mais aos seus filhos para que possam entender as demandas de cada choro”, aponta.

Para ela, as crianças não aderem às “birras”. “Elas não são birrentas por natureza. Esse termo é uma convenção dos adultos. Podemos entender a ‘birra’ como um conjunto de comportamentos que a criança apresenta quando sente-se frustrada ou angustiada. As birras podem ser desencadeadas por dois motivos. O primeiro como uma forma de comunicação para dizer que algo não está bem com elas. Outro motivo é quando a criança percebe que através das ‘birras’ os pais cedem aos seus desejos”, confirma.

Quando a “birra” acontecer, os pais devem sempre manter a calma e tentar um diálogo respeitoso com seu filho, na tentativa de compreender o motivo que a desencadeou. “Se não for possível um diálogo no momento da crise, permaneça ao lado do filho quieto e calado. Só com a sua presença ele poderá acalmar-se. Se a criança estiver sendo agressiva com ela mesma ou com você contenha-a, segurando suas mãos e olhando nos olhos de forma respeitosa”, conclui.

Entendendo o tema

É importante perceber é que a “birra” é um comportamento adquirido pela criança. “Vai depender muito de como os pais enfrentam os momentos de ‘birras’. Se os pais não souberem lidar com a situação, cedendo sempre aos choros de desejo, sem diálogo com o filho ou sem ensinar os seus limites é possível que a ‘birra’ seja um comportamento frequente. É importante aos pais estarem atentos às emoções dos filhos”, coloca a psicóloga Luciana Valgas.



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