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Educação sem ‘rótulos’: Pais e especialistas ajudam crianças com dificuldades

A metodologia inclusiva é diferenciada para crianças com algum tipo de distúrbio ou transtorno na aprendizagem 21/08/2016 às 09:42 - Atualizado em 21/08/2016 às 13:42
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Após acompanhamento individualizado, André Luiz, hoje, se destaca na escola e até surpreende professores (Foto: Aguilar Abecassis)
Natália Caplan Manaus

Um dos desafios na criação dos filhos é quando o rendimento escolar está abaixo do ideal. A dificuldade pode ser com letras, números ou de comportamento. Às vezes, alguns pais perdem a paciência e apelam para castigos. Outros, procuram aulas de reforço. Porém, poucos focam na raiz do problema ou buscam profissionais especializados para lidar com ele.

Os irmãos André Luiz, 11, e Thiago Vinicius, 16 anos, deixaram a mãe Andréia Nascimento Bentes, 42, bem preocupada. Enquanto o caçula não conseguia aprender e se recusava a fazer as atividades escolares, o mais velho tinha déficit de atenção, era antissocial e muito desorganizado. O menor está há quatro anos no Centro Pedagógico de Estudo Dirigido (Cepedi), enquanto o primogênito estudou lá dos dez aos 15 anos de idade.

“O André não tinha responsabilidade, só queria brincar o tempo todo. Hoje, ele é responsável, sabe a hora de estudar e de brincar, tem um bom desempenho escolar e socialização nota 10. O Thiago fazia acompanhamento médico com uso de medicamentos e psicóloga. Aos poucos, foi deixando tudo isso. Hoje, ele é outra pessoa. É esforçado e se destaca na escola como um dos melhores alunos”, diz a mãe.

Segundo a diretora responsável pela instituição, Ivone dos Reis, alunos com algum tipo de distúrbio precisam de provas, material didático e tratamento diferenciados. Entretanto, quando é feito o diagnóstico por especialistas surge o risco de a família e os próprios professores criarem “rótulos” e subestimarem a criança. Por isso, o primeiro passo no acompanhamento individual é ajudá-la a se conhecer.

“Não se deve colocar rótulos, como se as crianças fossem doentes, achando que são incapazes de produzir alguma coisa. A aula deve ser individualizada, conforme a dificuldade. Por isso temos cinco alunos por turma. A primeira coisa que trabalhamos é o conhecimento do próprio eu da criança. Ela precisa entender sua limitação e a trabalhá-la”, enfatiza a psicopedagoga, que adotou o nome “Tifone” há mais de dez anos, porque alguns alunos não conseguem pronunciar “Ivone”.

Paciência e compreensão

Com dez anos de atuação em Manaus, o Cepedi tem uma equipe multiprofissional, com neuropsicólogo, neuropsicopedagogo, médico neuropediatra, psicólogo, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicopedagogo, alémdeespecialistasnaáreada inclusão clinica e institucional. Porém, de acordo com Ivone, o maior desafio não é o aluno. O ambiente familiar precisa ser trabalhado também.

“Nossa proposta é que os pais entendam que existe, sim, solução; os filhos têm como evoluir. Mas uma criança não tem autonomia de escolher entre o certo e o errado. Ela precisa ser orientada. Transtornos e distúrbios não são doenças patológicas. Pode até ser hereditário, mas o filho tem capacidade de crescer e superar essa dificuldade. Os pais querem consertar a situação em um ‘piscar de olhos’, mas devem ter paciência e caminhar na mesma direção”,afirma Ivone.

Conheça alguns transtornos:

Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) - distúrbio neurológico caracterizado por comprometimento da interação social, comunicação verbal e não-verbal e comportamento restrito e repetitivo;

Dislalia - distúrbio da fala caracterizado pela dificuldade em articular as palavras. Basicamente consiste na má pronúncia das palavras, seja omitindo, trocando ou acrescentando fonemas;

Dislexia - transtorno na área da leitura, escrita e soletração, que pode também ser acompanhado de outras dificuldades, como na distinção entre esquerda e direita;

Discalculia - desordem neurológica específica que afeta a habilidade de uma pessoa de compreender e manipular números;

Disgrafia - deficiência na habilidade para escrever em termos de caligrafia, mas também em termos de coerência;

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) - transtorno mental no qual se verificam problemas significativos de atenção, hiperatividade ou impulsividade inapropriados para a idade;

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