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Educadora sexual promove ‘Encontrinho’ em Manaus para falar sobre o tema sem timidez

Nos encontros, Nádia Lapa conversa sobre temas como orgasmo, mitos e tabus, brinquedos eróticos, relacionamento, prazer, intimidade, entre outros 21/03/2015 às 18:42
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Além da masturbação feminina, outros questionamentos que surgem nos encontros chegam aos aspectos essenciais relacionados ao sexo
Jony Clay Borges Manaus, AM

Décadas depois da Revolução Sexual, falar em masturbação não causa desconforto a mais ninguém, certo? Infelizmente não é bem assim: para muitas mulheres, a prática sexual solitária ainda é considerada tabu. Quem diz isso é a educadora sexual e especialista em Gênero e Sexualidade, Nádia Lapa, que já há alguns anos vem trabalhando sobre as dúvidas e conflitos femininos relacionados ao sexo.

“Há até mulheres com mais de 30 anos que ainda veem dessa forma uma coisa que as pessoas descobrem ainda no início da adolescência”, assinala a especialista. “É algo que para os homens não existe”.

Foi exatamente para esclarecer as dúvidas das mulheres sobre o sexo, suprindo as lacunas de uma educação sexual falha e retirando o véu dos tabus e preconceitos, que Nádia começou a realizar o que chama de “encontrinhos”: numa mistura de aula e bate-papo informal, ela conversa sobre temas como orgasmo, mitos e tabus, brinquedos eróticos, relacionamento, prazer, intimidade e autoconhecimento, entre outros. A educadora sexual, que é amazonense, vai promover o próximo “encontrinho” em Manaus, no próximo domingo, dia 29, às 16h. A proposta, segundo ela, é “compartilhar”.

“As mulheres conversam muito pouco abertamente entre si. É a oportunidade de começar essa conversa, que cria um laço entre as mulheres. Considero isso um ponto de partida: não só a mulher se conhecer, mas conhecer na outra uma pessoa que passa pelas mesmas coisas”, avalia.

Informal e divertida

Os encontrinhos têm duração de quatro horas, mas geralmente passa do horário, segundo Nádia, de tão bem que flui a conversa. “Elas se sentem confortáveis para expressar coisas, muitas compartilham suas histórias. Eu puxo os temas, mas as mulheres podem interromper e fazer observações. Elas podem dar pitaco, falar da experiência, fazer perguntas. É um bate-papo em que trago informações, espero que novas, para as mulheres. E de um jeito que a revista feminina não faz”, comenta Nádia, que se dirige nos encontros às “mulheres reais, não de revista”. “Muitas mulheres não se identificam com aquelas mulheres sempre bonitas, impecáveis”.

Além da masturbação feminina, outros questionamentos que surgem nos encontros chegam aos aspectos essenciais relacionados ao sexo. “As pessoas ainda têm muita dúvida sobre como ter prazer, e não apenas o orgasmo”, revela a especialista, comentando que a relação sexual heterossexual nem sempre satisfaz a mulher. “(Ela) às vezes é muito mecânica, pois os homens infelizmente também não têm uma educação sexual satisfatória. Eles acham que o sexo é aquilo que veem no filme pornô, mecânico e focado na penetração. Isso não satisfaz a mulher, e não traz a intimidade e os laços afetivos que ela necessita e que existem até numa relação sexual casual”, afirma Nádia.

Outra questão que eventualmente vem à tona nos encontros, segundo a educadora sexual, é a insatisfação com o próprio corpo. “Por exemplo, mulheres que engordaram ou não tem mais o corpinho que exibiam aos 16 anos, que acham que estão fora de forma, que estão envelhecendo. São as pressões colocadas sobre as mulheres na atualidade”, aponta.

‘Brinquedinhos’

O encontro tem ainda espaço para falar de brinquedos eróticos – e até aprender a usá-los. “É bacana porque tem muita gente que tem preconceito com brinquedo erótico, acha que vai atrapalhar a vida sexual e causar fissura no produto. E não é assim: serve para usar com outra pessoa, mas também sozinha”, aponta Nádia, lamentando que poucas mulheres se sintam à vontade para ir a um sex shop. “Infelizmente muitas têm ainda vergonha”, comenta. Nos encontrinhos, por outro lado, os itens do sex shop geram momentos divertidos: “Elas têm curiosidade, e é bacana ver as mulheres deixando de lado a vergonha. E quebra também o tabu da masturbação: a mulher acha que não precisa se masturbar, e pode até não precisar, mas é algo que é prazeroso e pode ajudá-la a se conhecer”.

Empoderamento

Em linhas gerais, o foco do encontrinho está em tratar de sexo e empoderamento feminino, temática que tem a ver com o reconhecimento pela mulher do direito à satisfação sexual. “Somos educadas a não conhecer o próprio corpo, a não saber que ele dá prazer. Somos educadas apenas a dar prazer ao outro”, comenta Nádia, falando da necessidade de se desfazer essa mentalidade.

“Infelizmente, na nossa sociedade a mulher ainda é vista como menor, e a gente acaba acreditando nisso. É necessário ter esse tipo de conversa, e penso que a mídia tem um papel nisso também, assim como a faculdade, as outras amigas, para que a mulher mude seu jeito de pensar”.

Como participar

Para participar do encontrinho com Nádia Lapa, é preciso se inscrever, até o dia 26, quinta, por meio do link no endereço http://bit.ly/ encontri- nho2903/. Além da aula/bate-papo, haverá coffee breaks e sorteio de brindes. Mais informações pelo email encontri- nho2015@ gmail.com ou pelo telefone (92) 98128-4070.

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