Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
Mês das noivas

Elas fizeram o pedido: mulheres que trocaram o ‘sim’ pelo ‘casa comigo?’

É cada vez mais comum ver as mulheres tomando a frente em algumas decisões... inclusive naquela, tradicionalmente associada aos homens: o tão esperado pedido de casamento



IMG_0266.JPG Ludmila beija a mão do marido no dia do tão sonhado ‘sim’ (Foto: Divulgação)
22/05/2016 às 09:00

O mês de maio sempre nos remete às noivas e aos casamentos. Mas a imagem das princesas que ficam sentadas, à espera de seu príncipe encantado, parece estar cada vez mais próxima de se dissipar. É cada vez mais comum ver as mulheres tomando a frente em algumas decisões... inclusive naquela, tradicionalmente associada aos homens: o tão esperado pedido de casamento. Nesta reportagem, o VIDA & ESTILO ouviu três mulheres que trocaram o “sim” pelo “quer casar comigo?”, passando por qualquer tipo de preconceito que (ainda) possa existir sobre a iniciativa delas.

A assessora de casamentos Ludmila Gusmão, 39, já morava junto com o atual marido há algum tempo. No dia 12 de junho de 2005, ela resolveu vendar os olhos dele e o levou para um restaurante. Sem saber para onde estava indo, lá ele “descobriu” que era tudo uma comemoração para o aniversário de namoro e o Dia dos Namorados. O garçom, momentos depois, levou um champanhe até a mesa do casal e o pianista da casa começou a tocar uma música romântica. “Tirei a aliança, fiz o pedido e ele chorou”, conta ela.

Ludmila, que é assessora de casamentos consolidada em São Paulo, confessa que foi a partir de sua festa, feita em 2006, que ela teve a ideia de realmente trabalhar nessa área. “Trabalhávamos com eventos infantis. E eu organizei toda a minha festa. Algumas pessoas acompanharam a organização. A partir daí comecei a organizar casamentos. Voltei da lua de mel, comecei a estudar protocolo cerimonial por um ano e depois comecei a trabalhar”, comenta.

Sobre o preconceito que algumas pessoas ainda têm com mulheres que pedem “as mãos” de seus parceiros em casamento, ela diz que isso é uma grande bobagem. “Temos mulheres no poder, mulheres hoje são presidentes de empresas... Não sei porque tudo tem que continuar no pedestal do homem. O homem também quer ser surpreendido. Não podemos ficar sentadas no trono, bonitas e arrumadas, só esperando. É gostoso conceder [surpresas] também”, finaliza.

Amor via Skype

Antes de casarem, a promotora Laila Bicharra, 29, e seu marido, Júnior, eram melhores amigos. Ele era muito tímido e não falava nada sobre ficarem. “Mas já havia soltado que gostava de mim antes”, diz ela, que morava em São Paulo, enquanto ele morava em Manaus, na época do pedido. Os dois nunca sequer haviam ficado. “Estávamos ao telefone e ele me falou que tinha conhecido alguém – ele nunca tinha falado de mulher nenhuma. Falei ‘Como assim? Você tem coragem de namorar alguém e nunca tentar apostar na gente”, comenta ela.

Bicharra, então, engatou: “Olha, não fique com essa menina, nós vamos ficar juntos. Me dê três dias”, disse. Os três dias se passaram e ela ligou para o rapaz, dizendo que sabia que tudo era um plano de Deus e que os dois mereciam essa chance. O casal começou a namorar e planejaram a ida de Júnior a São Paulo para que pudessem dar o primeiro beijo. Em um dos encontros virtuais, ela fez o inacreditável. “Fizemos uma chamada pelo Skype, ele cantou e tocou pra mim, e eu chorei. Disse a ele que havia pedido as contas na empresa e que voltaria para Manaus. Perguntei se ele queria casar comigo”, lembra Laila.

O noivo aceitou, chorou e quando foi para São Paulo, já foi com as alianças a tiracolo. “Escolhemos tudo pelo Skype. Quando voltamos para Manaus, até os convites estavam prontos”, comenta Bicharra, que casou grávida. Hoje, a filha dos casal tem dois anos e nove meses. “A opinião de terceiros nunca deve nos mover mais do que a vontade que temos de ser felizes ao lado de quem amamos. Ouvi várias vezes que eu era louca e ‘onde já se viu eu fazer aquilo, pois sequer tínhamos nos beijado’... mas nós dois tínhamos certeza do que nos movia. Eu tomei a atitude e faria tudo de novo”.

Festa à fantasia

Tudo aconteceu quando a jornalista Steffanie Schimidt, 32, passou um ano afastada de Raphael Russo, 32, naquela época seu namorado. Uma doença do pai dela a fez regressar a Cuiabá (MT), sua cidade natal. “Isso fortaleceu o nosso relacionamento porque a gente viu que tínhamos algo além da presença física. Tivemos que exercitar outras formas de manifestar nosso amor, seja falando, seja dedicando músicas ou até mesmo compreendendo o silêncio do outro”, declarou.

Por conta do falecimento do pai, Steffanie resolveu voltar a Manaus. Foi aí que o casal resolveu planejar juntos uma festa que, até então, seria para amigos e família darem as boas vindas à moça. Só que ela então, pensou: “E se ela fizesse o pedido?”. Na verdade, assim estaria resgatando a ideia de casar, que já havia sido manifestada pelo noivo, na primeira viagem feita pelo casal. “Eu sabia que para ele era importante porque ele tem uma cultura familiar de querer viver junto, constituir uma família”, diz. “Não me senti subjulgada ou menos mulher”.

Schimidt contou o “plano” para a família, que prontamente a apoiou. A festa foi à fantasia, e como a jornalista iria vestida de Mulher Maravilha, queria que o namorado fosse vestido de Batman. “Mas ele queria algo diferente e foi vestido de Jô Soares”, relembra ela, aos risos. Em certo momento da festa, Steffanie colocou um vídeo que havia preparado com imagens do casal, o que fez Raphael cair no choro. “Fiz o pedido como manda o figurino. Me perguntaram o que eu faria se ele dissesse não. É como diz aquela frase: ‘Sempre fica um pouco de perfume na mão de quem oferece rosas’”, pondera. O casal está noivo e deve casar em breve.

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