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Em entrevista ao A CRÍTICA, cantora Bebel Gilberto diz querer fugir dos rótulos na música

De Nova York, cantora fala sobre ‘Tudo’, novo álbum que traz parcerias com os consagrados cantores brasileiros, Adriana Calcanhotto e Seu Jorge 14/09/2014 às 11:49
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Bebel Gilberto diz que o coração é dividido entre dois países
ROSIEL MENDONÇA Manaus (AM)

A cantora Bebel Gilberto ainda não parou para ouvir o disco mais recente de Caetano Veloso, em que ele canta “A Bossa Nova É Foda”, mas concorda com o baiano em gênero, número e grau. Tanto é que o gênero musical inaugurado pelo pai de Bebel, João Gilberto, continua influenciando o trabalho dela até hoje, incluindo o disco que ela acaba de lançar pela Sony, “Tudo”, que traz parcerias inéditas com Seu Jorge e Gabriel Moura (“Novas Ideias”), Adriana Calcanhotto (faixa-título) e Pedro Baby (“Areia”).

“Claro que a Bossa Nova continua foda, ainda mais se Caetano cantou. É transcendental. Aqui fora continua com prestígio, talvez até mais. Por que eu fecharia as portas para ela?”, argumenta Bebel, de Nova York, onde mora há 20 anos. “Tudo” quebrou um jejum de cinco anos em que a cantora ficou sem gravar um álbum de estúdio, o que não significa que o ritmo de trabalho diminuiu. No ano passado, ela lançou seu primeiro DVD, gravado na Praia do Arpoador, no qual vinha trabalhando desde 2012.

“Quando terminei de fazer o lançamento do DVD no Brasil, voltei para os EUA e já comecei a me envolver com o projeto do disco, não parei. O bacana é ter ido para o estúdio consolidar gravações que eu já tinha e letras que estavam pela metade”, comenta ela. “Esse trabalho nasceu mais rápido que um bebê”, brinca.

Produzido por Mario Caldato, “Tudo” é um álbum trilíngue, com músicas em francês, inglês e português. Duas delas foram parcialmente gravadas em Belém pelo baterista paraense Magro Borges. “Tem canções de várias fases da minha vida. É um tudo mesmo: sonho, emoções, tristezas”. Em meio às faixas inéditas, estão as regravações de “Harvest Moon” (Neil Young), “Vivo Sonhando” (Tom Jobim) e “Saudade Vem Correndo” (Luiz Bonfá e Maria Toledo).

DOCUMENTÁRIO

Quando o assunto são os novos talentos musicais brasileiros, Bebel não faz coro à turma da velha guarda desiludida. “Todo mundo está muito inspirado e as portas estão se abrindo cada vez mais para as coisas novas. Estamos bem servidos, é só prestar atenção e pesquisar. Quem diz o contrário, é por falta de informação”, afirma ela, citando CéU, Mariana Aydar e Tulipa Ruiz como as suas preferidas da nova geração de cantoras.

Considerando-se hoje em dia mais nova-iorquina que carioca, Bebel Gilberto diz que o coração dividido entre dois países “não tem jeito, não vai mudar”. “Estou acostumada, mas o espírito não morre. Fiquei com muita coisa marcada da minha adolescência no Rio. Praia e família por perto estão entre as coisas que mais sinto falta, mas também não tem problema ter uma distância”.

Os rótulos, no entanto, ainda a incomodam. Pensando nisso, ela está desenvolvendo um projeto de documentário para desmistificar a Bebel “filha do João Gilberto e melhor amiga do Cazuza”. “As pessoas às vezes pensam que eu moro aqui no maior glamour e não têm noção do que está acontecendo. Esse documentário é para mostrar o que faço e como é a minha vida, com seus lados bons e ruins, claro que escondendo os ruins o máximo possível. Não sou filha de João Gilberto, nem melhor amiga do Cazuza”, brinca.

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