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Em entrevista exclusiva, Ivan Lins fala sobre novo disco e projetos

Às vésperas do mês em que completa 70 anos, ele sorri gentilmente quando questionado se o seu mais recente álbum, “América, Brasil”, celebra a nova idade 26/05/2015 às 11:14
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Ivan Lins já lançou 46 discos
Laynna Feitoza Manaus

Os 45 anos de carreira e 46 discos gravados ditam o cantor, músico e compositor Ivan Lins como um dos artistas brasileiros mais celebrados no País e exterior. Às vésperas do mês em que completa 70 anos, ele sorri gentilmente quando questionado se o seu mais recente álbum, “América, Brasil”, celebra a nova idade.

“Seria impossível, porque há tantas músicas que representam essa trajetória. Celebrarei a nova idade com um somatório de eventos que vão invadir o ano que vem”, diz ele, antes de justificar que os tais projetos envolvem desde um balé baseado em uma música sua, um documentário que fala sobre as suas músicas no universo feminino, uma biografia voltada às suas manias e até um projeto de sertanejo caipira moderno, conforme ele próprio descreve.

Lins recorda, porém, a partir de qual música sua gostaria de focar as celebrações, se pudesse. “Eu começaria pelo primeiro tema de 1965, que tinha o título de ‘Nuzinho’. Nessa época eu já estava aprendendo piano. No primeiro show que fiz na vida, em 65, compus esse tema”, gargalha ele, em característica que lhe é peculiar. Para sintetizar de forma justa a sua trajetória, ele não esconde que gostaria de fazer um trabalho de 10 CD’s. “Queria ter 35 anos para fazer isso (risos). Mas esse disco novo se insere como um trabalho que tem uma característica basicamente nova, porque foi um disco feito em casa por dois músicos: eu e o Marco Brito, pianista-tecladista que co-produziu o disco comigo”, comenta.

Com letras que falam sobre a realidade brasileira e músicas artesanais-digitais – mas sem perder o clima da bossa nova tradicional - , “América, Brasil” explora todas as mãos e instrumentos possíveis. “Isso acontece porque eu toco um pouco de violão, toco contrabaixo... com a mão esquerda uso uns teclados para contrabaixo. Já o Marquinho toca contrabaixo mesmo, tocou guitarra, violão, acordeon. E colocamos uma mistura de instrumentos acústicos e eletrônicos. Fomos misturando e experimentando. Violão aqui, ruído ali. Depois fomos montando, como um quebra cabeça”, descreve Ivan.

Entre os ingredientes do disco, ele cita a “leveza” e a “brincadeira” na hora de fazê-lo. “Foi no quarto da casa dele (Brito), que tinha um equipamento tecnológico digital e fizemos sozinhos. Quando estava quase pronto, colocamos bateria acústica porque tinha muito ritmo digital. E aí fizemos um disco sozinhos, sem querer. Ele me chamou para a casa dele e ficamos brincando com os sons lá. Pegamos também músicas perdidas em LP’s, que o público não teve a oportunidade de conhecer direito, e de repente nos demos conta de que estávamos com o disco pronto e vimos que era legal colocar no mercado”, destaca.

Cenário atual

Sobre a indústria musical atual, Ivan afirma que a mídia aberta passou a dirigir as programações. “Ninguém mais senta para ouvir música. Ela virou a trilha sonora de outras atividades como malhar, dirigir... a música está sempre por trás, e não mais pela frente. Na minha geração, colocávamos a música, sentávamos no sofá e ouvíamos... viajávamos. Isso se soma ao fato de que as mídias abertas executavam bastante música de qualidade na época”, lembra.

O artista acentua que há a possibilidade - ainda não confirmada - de se apresentar junto a uma orquestra amazonense no Teatro Amazonas, provavelmente no mês de agosto. “Eu não vejo a hora de tocar com eles. Ouço falar que há músicos de outros países, que possuem professores que formaram músicos jovens com excelência. Isso é o que falam daí. Então será a minha primeira vez com eles, e espero que não seja a última”.

Embalando personagens

Ivan Lins é conhecido como o magnata da boa trilha sonora brasileira, cuja atuação se estende desde telenovelas a séries e programas. Entre as mais famosas estão “Começar De Novo”, Vitoriosa”, “Iluminados”, Fado”, “Ai, Ai, Ai, Ai, Ai”, “Lembra De Mim”, “Anjo De Mim” e “Depende de Nós”, do projeto Criança Esperança.

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