Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
Bar do Boi

Em Manaus, boi Caprichoso arrasta multidão ao Sambódromo durante lançamento de novo CD

Intitulado "Um Canto de Esperança Para Mátria Brasilis", disco foi apresentado ao público manauara com apresentações dos itens oficiais e efeitos especiais



WhatsApp_Image_2019-05-05_at_03.32.35_FD74E330-1DB9-4C73-802B-7532F48B32E8.jpeg
Bar do Boi levou cerca de 5 mil brincantes ao Sambódromo (Fotos: Euzivaldo Queiroz)
05/05/2019 às 03:18

Manter viva a brincadeira de criança é tarefa fácil para a estudante Stephanie Santos, 18. No meio do público, ela executava com perfeição todas as coreografias do boi Caprichoso nas horas que antecediam o lançamento do CD “Um Canto de Esperança Para Mátria Brasilis” em Manaus, que aconteceu no último sábado, 4, durante o Bar do Boi no Sambódromo. A música “Ritmo Quente”, do grupo Canto da Mata, é uma das favoritas da moça.

A mãe da jovem, a dentista Rosana Santos, 60, explica que a garota dança com o cantor Carlos Batata, que possui um projeto de boi-bumbá voltado para pessoas com deficiência - Stephanie tem síndrome de down. E segundo Rosana, não há distinção de músicas atuais ou antigas para a jovem. "Ela sabe as coreografias das toadas mais antigas porque pesquisa no YouTube", declara.

O CD “Um Canto de Esperança para Mátria Brasilis” possui 13 toadas de galera e 15 toadas de arena. A festa de lançamento em Manaus foi organizada pelo Movimento Marujada e reuniu cerca de 5 mil brincantes no Sambódromo. O pré-show da grande festa contou com as apresentações dos grupos de boi-bumbá Kboclos e A Toada, que tocaram os clássicos do bumbá azul.

Os eventos do Bar do Boi em Manaus funcionam como verdadeiros "esquentas" para quem quer conferir as toadas do ano fora da arena do Bumbódromo de Parintins. Concentrada em conhecer as toadas, a professora aposentada Maria Neide Cunha, 73, alega que ama brincar de boi desde a década de 80, quando frequentava as festas no conjunto Ica-Maceió.

"Minha relação com o Caprichoso é muito antiga. Já fui a Parintins por anos e anos seguidos, onde tive a oportunidade de sair na Marujada de Guerra. Minha expectativa para este ano é ótima, quero sempre que o Caprichoso vença", afirma a professora.  

Doação

Minutos antes do lançamento oficial do álbum no palco, o presidente do Caprichoso, Babá Tupinambá, jogou algumas cópias do disco ao público presente. "É com muita alegria que a gente está aqui em Manaus depois do lançamento que fizemos em Parintins, que foi um sucesso. Não podia ser diferente aqui. Eu nunca prometi títulos ao boi, mas prometi que ia lutar por isso. Está proibido o Caprichoso perder em 2019. Com a união de todos vamos fazer a festa em Manaus e Parintins e mostrar que a nação azulada é incomparável", colocou Babá.

Após a declaração de Babá, a Marujada de Guerra foi chamada ao palco. Para dar seguimento ao show, os compositores do álbum foram devidamente chamados e apresentados ao público. Sob fogos de artifício, os demais dançarinos, músicos e cantores começaram a apresentação, que iniciou às 23h30 com a toada homônima ao disco. Fazendo saudações aos orixás Ogum e Oxóssi, e fazendo uma prece a São Jorge – santo católico sincretizado na imagem das duas divindades - o apresentador Edmundo Oran conduziu o público à toada “Armadura de Fé”.

Outro grande momento aconteceu com o surgimento da vaqueirada azulada ao palco, sob o som da toada "Galope de Emoção". Depois, a sinhazinha da fazenda, Valentina Cid, encantou a todos os presentes com a sua graciosidade durante a toada "A Vida Me Fez Caprichoso".

Cobra-morcego

O público foi ao delírio com o balé das tribos do Caprichoso, que utilizaram diversos recursos durante a toada "Serpente Dinahí". Um membro do balé estava vestido como serpente e, ao fim da apresentação, foi hasteado em um toco de madeira, segurado pelos demais dançarinos, enquanto revelava asas de morcego nas costas.

Trajando uma indumentária com penas brancas, a cunhã-poranga Marciele Albuquerque subiu ao palco para evoluir sob a toada "Cunhã-Poranga Iacy". Marciele permaneceu no palco para também performar a toada "Dança dos Tuxauas" junto ao conjunto folclórico das tribos do Caprichoso.

A toada "Aruanda: As Três Princesas" revelou, ao final, a rainha do folclore Cleise Simas, que entrou no palco "caminhando" por cima das tribos, mostrando toda a sua imponência. Logo após, sua evolução foi feita sob a toada "Rainha do Povo Azulado". O pajé Neto Simões evoluiu durante a toada "Waiá Toré". Com rodopios contínuos, ele conduzia as tribos, arrancando gritos do público.

Momentos depois, a cantora Mara Lima surgiu fazendo a introdução da doce toada "Matriarca". Ao lado de David Assayag, ela protagonizou o momento, que foi um dos ápices da noite. Ao terminar, a toada deu passagem para a faixa "Deus é Maria", que veio trazendo a porta-estandarte Marcela Marialva.

Bastidores

O secretário da comissão de artes do Caprichoso, Leandro Marques, explica como foi o roteiro da grande noite do lançamento do disco em Manaus. "A maioria das toadas apresentadas são toadas de arena. Os itens usam as toadas da temporada para a evolução. A galera se empolga mais quando os itens oficiais estão presentes", diz ele.

Marques relatou também sobre o desafio que é compactar a essência das indumentárias de arena para uma apresentação em menor estrutura. "É um pouco complicado porque diminuímos a costeira dos itens, roupas de corpo, perneiras e rocares. As indumentárias vêm de barco e tomamos cuidado para não esquecer nada aqui, porque tudo é reutilizado depois", aponta Leandro.

O tripa do boi Caprichoso, Alexandre Azevedo, pondera que Manaus teve um espetáculo de lançamento tal qual o disco teve em Parintins, no Curral Zeca Xibelão. "Manaus tem uma galera muito apaixonada. As pessoas que assistiram a apresentação com certeza ficaram com a sensação de tricampeonato. O povo de Manaus é muito querido por todos nós", assegura Alexandre.

Estreia

Em seu primeiro ano como Rainha do Folclore do touro negro, Cleise Simas afirma que não consegue segurar a ansiedade que está em seu coração. "É uma brincadeira lá de Parintins que cresci vendo. Tô muito ansiosa pra viver esse sonho.  Não estamos para brincadeira, e lutamos para que nossos esforços sejam recompensados na arena do Festival", diz ela.

No item, Cleise sucede Brena Dianná, ex Rainha do Folclore do boi e um dos itens mais queridos da história da nação azulada. "Estou sentindo não um peso, mas uma grande responsabilidade. Venho me preparando desde o ano passado. Precisamos nos preparar psicologicamente e entender todo o contexto do que vai ser apresentado na arena", destaca a morena.

Subeditora de A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.