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TEATRO

Em passagem por Manaus, Yuri Yamamoto fala da criação de figurinos para o teatro

Ator e figurinista cearense que venceu o quadro "Como manda o figurino", do Fantástico, é um dos convidados do 12º Festival de Teatro da Amazônia 22/03/2016 às 15:53
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Cearense é um dos fundadores do Grupo Bagaceira de Teatro (Reprodução)
ROSIEL MENDONÇA MANAUS

O Festival de Teatro da Amazônia (FTA) dá o pontapé à sua 12º edição nesta terça-feira com a apresentação do espetáculo convidado “Lesados”, do Grupo Bagaceira de Teatro, do Ceará. O trabalho tem direção, cenário e figurinos assinados por Yuri Yamamoto, que ficou conhecido depois de vencer o quadro “Como manda o figurino”, do Fantástico (Globo).

Aproveitando a passagem do elenco por Manaus, Yuri participou ontem de um bate-papo no Palácio da Justiça sobre o papel do figurino na construção dos personagens no teatro. Antes disso, a reportagem falou com ele sobre o processo de criação na companhia e sobre a curta experiência nos bastidores da televisão.

Para início de conversa, Yuri destacou que o figurino pode fornecer uma série de pistas sobre a natureza da obra que está no palco. “O figurino cria uma ‘embalagem’ para o personagem, e a partir da leitura que o público faz dele é possível identificar, por exemplo, quem é o vilão, a que classe social o personagem pertence, onde a peça se passa geograficamente, etc.”, afirma. 

“Claro que há espetáculos que abrem mão do figurino em prol do corpo do ator, mas até a opção pelo nulo leva uma assinatura do figurinista, assim como o cenógrafo pode propor o palco limpo”.

Segundo ele, a vestimenta pode influenciar no trabalho do ator na medida em que ele se apropria e consegue criar a partir desse elemento cênico. No caso do Grupo Bagaceira, que Yamamoto ajudou a fundar 16 anos atrás, a concepção do figurino se insere num esquema de trabalho autoral. 

"Quando pensamos numa montagem, ela já vem com umas ideias pré-estabelecidas, mas claro que no decorrer do trabalho a ideia inicial vai amadurecendo”, acrescenta o cearense, citando como exemplo a peça mais recente do grupo, “Fishman”. “O mais importante é que o figurino esteja em harmonia com o espetáculo. Ele não pode sobressair e de jeito nenhum pode se tornar um problema para o ator”.

Corpo e movimento

Sem formação em moda ou outra área afim, Yuri conta que o trabalho com figurino no teatro surgiu por necessidade, mas de forma intuitiva. “Desde muito cedo tenho interesse por esse segmento, e se eu tinha um grupo de teatro, por que não praticar dentro dele? Então tudo aconteceu de uma vez. Comcei propondo direção e nesse pacote já vinha o figurino, um pouco de caracterização e sonoplastia”.

Para ele, não há uma receita única para o processo criativo, e quando é chamado para trabalhar com figurino em outras companhias o contato com o texto, os atores, diretor e iluminador são essenciais. “No Bagaceira já é diferente porque temos mais intimidade e entendo o corpo dos atores. De toda forma, não dá pra forçar uma proposta com a qual o artista não vá se sentir confortável”, aponta. 

Experiência na Globo

Em abril de 2015, Yuri venceu o quadro “Como manda o figurino” com 69% dos votos do público graças a uma releitura que fez do visual da Viúva Porcina, personagem de Regina Duarte na clássica novela “Roque Santeiro”.

A vitória valeu ao artista um contrato de três meses na Globo, período em que trabalhou como assistente de figurino de Marília Carneiro na produção da série “Ligações Perigosas”. A experiência nos bastidores da televisão não poderia ter sido melhor, como ele contou.

“Foi muito bacana aprender como funciona essa outra linguagem. Ela difere do teatro no sentido de que a câmera mostra detalhes, diferente do palco, onde trabalhamos mais com o efeito dos figurinos”.

Durante a série, ele recebeu carta branca para cuidar do figurino de um núcleo de personagens que atuavam com teatro, ou seja, Yuri se sentiu em casa. “A Marilia é uma dama do figurino no Brasil e domina tudo o que faz. Lá é um lugar de grandes profissionais, fui muito bem acolhido”. Apesar disso, o cearense revela que acabou declinando um convite para permanecer na equipe da emissora – a paixão pelos palcos falou mais alto.

Festival segue até o dia 28 de março

A programação oficial do festival inicia nesta terça-feira, no Teatro Amazonas, com o espetáculo convidado “Os Lesados”, do Grupo Bagaceira de Teatro (CE), a partir das 20h. A mostra não-competitiva acontece entre esta quarta-feira, 23, e a próxima segunda-feira, 28, com apresentações da Mostra Infantil sempre às 10h e  da Mostra Adulta às 20h, também no Teatro Amazonas. A entrada é gratuita em todos os dias.

Com o recorde de inscritos - um total de 72 grupos, o dobro dos anos anteriores - a curadoria do 12º FTA selecionou 12 espetáculos. Para a Mostra Infanto-juvenil foram classificadas as peças: “O Dragão de Macaparana”, da Soufflé de Bodó Company (AM); “Fadas”, da Essa É Cia (SC); “O menino por detrás das nuvens”, da Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas – Arte e Fato (AM); “O mistério do sapato desaparecido”, do Teatro por um Triz (SP); “O pequeno príncipe”, da Cia Trilhares (AM); e “Vidma, a menina trança-rimas”, do Núcleo Caboclinhas (SP).

A  Mostra Adulta terá os espetáculos “Acorda amor”, da Cia. Quatro Manos (RJ); “As mulheres do aluá”, do O Imaginário (RO); “Balada de um palhaço”, do Coletivo Dinossauro de Teatro (AM); “Fando e Lis”, do Ateliê 23 (AM); “Mamá”, da Zula Cia. de Teatro (MG); e “Otelo Solo”, de Arnoldo Chaves (AM).

O 12º Festival de Teatro da Amazônia é uma realização da Federação de Teatro do Amazonas (Fetam) em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e a Cia. de Ideias.

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