Quinta-feira, 03 de Dezembro de 2020
Netflix

Série 'Emily In Paris' estreia sob aplausos e muitas polêmicas

Ao mesmo tempo em que cativou o público, série gerou desconforto nos franceses. Confira produções similares até a segunda temporada chegar



b0118-1f_82E3E1E7-86D8-403D-9835-2A511FE32ABA.jpg Na trama, Emily, vivida por Lily Collins, é uma especialista de marketing americana que se muda para a França (Foto: Reprodução)
19/10/2020 às 18:32

A série "Emily In Paris", lançada no início de outubro, vai na contramão das produções de suspense, terror ou crime que costumam chamar a atenção do público da Netflix. Com pouco mais de duas semanas no ar, a obra criada por Darren Star impressionou tanto que alcançou o Top 3* de séries mais vistas da plataforma e é um dos tópicos mais comentados na Internet desde então.

Sob o gênero de comédia-dramática (quase romântica), a trama, que tem boas porções de moda, trapalhadas e requinte, conta a história da especialista de marketing americana Emily Cooper (Lily Collins). Ela se muda para a capital francesa a trabalho e leva, com uma dose ingênua de otimismo, todos os percalços que a adaptação ao novo país proporciona - inclusive a antipatia dos novos colegas de trabalho.



A leveza da série - que tem momentos divertidos quase em besteirol, com um ou outro tema sério - faz um bom contraste com a beleza, sobretudo a gastronômica, da cidade. Padarias, restaurantes com almoços e jantares sempre regados a espumantes enchem os olhos de quem assiste àquela Paris que vai além dos pontos turísticos.

A série cativou pessoas de todas as idades, entre elas a funcionária pública federal Marly Camelo, 64. "Emily é uma personagem positiva. Sem saber falar francês, foca no trabalho e prova para si mesma e para todas nós que é possível conquistar espaços sem se vender ou apropriar-se da função do outro. Aproveita todas as oportunidade que aparecem para amar, fazer novos amigos, descobrir sabores e perceber as dores. Embora em ‘Emily’ o foco seja a moda, o que mais me chamou atenção dentre outras coisa foi que ‘Emily in Paris’ expõe a luta de todas nós. Exibe de forma ‘doce’ e até hilária as relações de trabalho enfrentadas pelas mulheres", destaca Marly.

Mas nem tudo são flores. A produção comprou grandes polêmicas, principalmente com os próprios franceses. Grande parte da imprensa local reprovou "Emily In Paris" por alegar que a série reforça os estereótipos de que a população nativa é "preguiçosa, sexista e intolerante". No Brasil, o jornalista André Luiz Maia, 30, afirma ter ficado bastante irritado com a visão estrangeira de Paris e da França contidas na série.

"O que mais me incomodou em ‘Emily’ é aquela visão, às vezes sutil, às vezes nem tanto, de uma certa superioridade moral do americano na pauta dos costumes em relação aos franceses, que são visto mais como 'impulsivos' e 'sem tanta ambição' e tal. [...] Dito isso, é aquele típico seriado pra 'fazer a unha na quarta-feira', desligar um pouquinho o cérebro e embarcar na viagem", coloca ele.

Para acompanhar

Não há informações oficiais sobre a estreia da segunda temporada, mas estima-se que saia entre 2021 e 2022. A primeira temporada possui apenas 10 episódios, o que fez os adoradores da série ficarem com "gostinho de quero mais". Aos que gostam de acompanhar produções sob a mesma roupagem, a artista visual Evely Freitas, 23, indica "Amor Ocasional".

"A série expõe a vida amorosa de uma garota parisiense, onde suas amigas contratam em segredo um garoto de programa para sair com ela. Porém, as coisas não saem como as amigas esperavam. A semelhança é que, além de ser uma série bem humorada, nos faz refletir sobre as relações e mergulhar de cabeça no mundo dos personagens e nos permite contemplar as lindas paisagens de Paris", diz ela.

Já a administradora Marcelle Capozzi, 34, indica "Gilmore Girls". "É uma série sobre mulheres independentes e destemidas. A personagem principal Lorelai cria sua filha sozinha e rejeita o controle financeiro e emocional dos pais. Assim como ‘Emily In Paris’, que vai para um país diferente, com uma cultura diferente e ainda consegue mostrar seu ponto de vista. Ser mulher em uma sociedade sexista é uma aventura", acrescenta.

Do mesmo criador de "Emily In Paris", "Sex And The City” é a opção citada pela engenheira de produção Adryanne Sales, 30. "Ambas têm chefes cruéis, que no fim viram seres humanos. Ambas são obcecadas com compras. Ambas fracassam em desfiles - de formas diferentes, elas vivenciam fiascos. E por fim, elas vivem muitas experiências similares, no mesmo país, com relacionamentos", completa.

* Informação obtida até o fechamento desta edição

 

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